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Em pane

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Ideias

2019-05-03 às 06h00

José Manuel Cruz José Manuel Cruz

Os penalties que são ou não, e os catedráticos de carregar pela boca a quem o facciosismo não ensombra. O Portugal revitalizado, ou a crise que circula em boa forma por repartições e serviços. Os camionistas de transporte de hidrocarbonetos que reclamam salários e benefícios de aposentadoria que não lembram ao diabo, segundo o que ministro proferirá em escândalos, e a outra malta da rosca, a que preenche a alvorada da Antena 1 com confidências e postais de viagem, e que anda filada em soldos à europeia, já que cruzam o continente em todos os sentidos, e somos europeus ou quê, poça!
E a desordem da sindicância à bastonária dos enfermeiros, que não é bem à ordem, a inquirição, que a auto de fé atira. Torturem-na, que a possessa confessa, que verga, a súcuba. Conduzam a peralvilha ao patíbulo da autocrítica redentora, ao jeito kafkiano, maoista-estalinista. E se o PS não tem serviçais que se prestem, que rodem o pescoço, que encontrarão quem saiba onde beber do fino. Sim, porque nas confissões, no apuro fiel dos hediondos, o que conta, mesmo, é a convicção do togado. Quase como nos relvados. E bem que o palanque está montado, pois se a inquisidora-mor até doutrinou em termos da ilegalidade da greve.
De imparcialidades estamos conversados. Já agora: apresentaram-se à porta da seita terrorista sem os papelinhos do abre-te sésamo, sem a mágica, hipotética, nota de culpa? Esquecimento, ou formalidade dispensável? Ah! Esperem, e se há matéria para levar a bata branca a pelourinho, manifestamente, porque é que o Ministério Público chutou para canto?
E se eu adicionasse aquela conclusão brilhante das reformas para o povo aos 69? Ou mais, segundo o moralista embalsamado, que só por aversão ao redondo da Fundação Pingo Doce é que eu entendo o anito de suplemento, para tarear a balança da sustentabilidade da Segurança Social.
Era a partir de teorias que eu gostaria de escrever sobre o dado social. Gostava de justapor as ideologias e os gráficos, as filosofias e os números provenientes de institutos sensivelmente isentos, ou de tendências sobejamente conhecidas, para que pudéssemos dar-lhes a folga do pagante. E gostava que, em matéria de bola, perdesse quem tinha mesmo que perder, sem os passes de prestidigitador de equipas de arbitragem de parcialidade escancarada.
Sim, gostava de uma série de coisas que não tenho, que não temos, porque o corpo social se encontra em pane. Uma semana, deram os camionistas da pesada à ANTRAM. Uma semana e, ou cedem, ou pomos o País de cócoras. Cheira-me a ultimato inglês ao mapa cor de rosa. A vergonha infligida pelo aliado anglo precipitou a queda da monarquia: o que cairá agora? Quantas classes profissionais não se aprestam a esfoliar a rosa, como desamoroso malmequer: dais, não dais, ganhámos nós, perdeis vós…
Cruzes, mas os sindicatos, agora, perderam a razoabilidade! Pasmo. E há quanto tempo a classe política a perdeu? Se o País é pobre, como pode sustentar morgadios e privilégios de gosto feudal, projectados em quem é abonado com subvenções, pensões e reformas expeditas, por uma temporada de sacrifício no palco público? E não são esses que decretam a improcedência das reivindicações daqueles que aspiram a viver com as dignidades mínimas do desafogo?
Por que estranha alquimia o País é pobre para uns, e pródigo para outros? Estou em pane. Gostava de ser só eu, e por defeito que meu fosse. Mas, seja por cobardia, seja por lucidez, acho que é o País que está comatoso. Desculpem-me a salada russa, mas tudo isto existe, tudo isto é triste, tudo isto é fado.

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