Correio do Minho

Braga, segunda-feira

Em modo bipolar

População da União Europeia sem Facebook? Parece mas...não

Ideias Políticas

2018-01-23 às 06h00

Hugo Soares

Mário Centeno liderou ontem, segunda-feira, a primeira reunião como presidente do Eurogrupo, em Bruxelas. Será importante para Portugal que o ministro português seja capaz de fazer um bom trabalho à frente daquele grupo informal que reúne os ministros das Finanças do euro. Os desafios que a Zona Euro hoje atravessa, não sendo já os mesmos dos atribulados e dificílimos anos da crise que arrastou vários países-membros, entre os quais Portugal, para programas de resgates financeiros, são ainda assim desafios igualmente gigantes e muito exigentes, que definirão o futuro da moeda única.
A reforma da Zona Euro, que se tornou inadiável com as fraturas expostas pela crise, e a necessidade de aprofundamento da união económica e financeira que o anterior governo português, liderado por Pedro Passos Coelho, foi dos primeiros a colocar na agenda europeia vão requerer uma enorme energia e capacidade de negociação e diálogo entre todos os países do euro. Mas também a situação ainda não resolvida da Grécia, que esteve em cima da mesa na reunião desta segunda-feira, e os desequilíbrios macroeconómicos de muitos países, como Portugal, são problemas que urgem ser resolvidos nos tempos mais próximos. Isto, se todos quiserem, como se deseja, o fortalecimento da Zona Euro e não o seu anquilosamento ou mesmo desaparecimento.

E é justamente aqui, quando se transpõe a liderança de Centeno no Eurogrupo para o plano interno, que vêm ao de cima as contradições insanáveis e a incontornável hipocrisia da maioria de esquerda que hoje nos governa. O que vamos assistir daqui para a frente vai ser ao exercício esquizofrénico de Mário Centeno a desdobrar-se em duas personas diferentes, ora fale como presidente do Eurogrupo ora fale como ministro das Finanças da geringonça. Ou seja, ora imponha medidas de controlo de despesa e de austeridade na Europa ora defenda o despesismo e o virar da página da austeridade dentro de portas. O mesmo tipo de duplicidade a que já nos habituaram o Bloco de Esquerda e o PCP e que, a partir de agora, certamente se agudizará até às raias do absurdo.

Se é certo que há muito tempo não se ouve uma palavra do BE e do PCP sobre a Grécia (o que é muito estranho, tendo em conta que é o mesmo Tsipras que eles endeusaram há uns anos que continua a governar o país com planos de austeridade atrás de planos de austeridade), ao nível interno esses partidos continuam a declarar-se visceralmente contra a nossa participação na Zona Euro e no projeto europeu. O jogo de sombras e a hipocrisia entre o governo de António Costa e os seus parceiros da extrema-esquerda prometem, por isso, elevar-se agora a níveis artísticos. O governo vai fazer de conta, na Europa, que não é apoiado por partidos que não o querem lá, e bloquistas e comunistas vão fazer de conta que não apoiam um governo que defende lá fora coisa contrária do que proclama cá dentro. Mas já se sabe: enquanto o tempo lhes permita, a todas estas contradições tentarão responder com um sorriso de cínica bonomia ou com um ensurdecedor silêncio

Agora mesmo, a propósito dos avisos de Bruxelas (na última avaliação pós-programa de assistência financeira, divulgada na semana passada) de que Portugal tem de aprofundar o ímpeto reformista e, nomeadamente, levar mais longe as reformas no mercado laboral, o que vai fazer Centeno? Acatar o que diz Bruxelas, e por arrastamento o Eurogrupo, ou pelo contrário vai contrariar as recomendações do órgão a que ele próprio preside? E o que vão dizer Catarina e Jerónimo? Bem, provavelmente, estes vão dizer o que disseram quando Centeno garantiu na semana passada a um jornal alemão que não era nem anti-Schäuble nem anti-austeridade. Vão dizer nada.

Deixa o teu comentário

Últimas Ideias Políticas

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.