Correio do Minho

Braga, quarta-feira

Em defesa da UM

Saboaria e Perfumaria Confiança – pela salvaguarda do seu património

Ideias

2012-11-13 às 06h00

Jorge Cruz

“Devem ser pedidas contas a este Governo, por estar a cortar à Universidade do Minho, que tem cerca de 18 mil alunos, com o mesmo critério que corta a instituições que têm menos de dois mil alunos”.

A afirmação, que exprime preocupação mas também algum cansaço com a falta de visão do governo de Passos Coelho, foi proferida há dias pelo presidente da Associação Industrial do Minho.
António Marques, que já desempenhou diversos cargos na estrutura dirigente dos social-democratas, não se coibiu de manifestar o seu cepticismo relativamente às intenções do actual governo, e não apenas no que concerne ao Ensino Superior, chegando mesmo a afirmar que não acredita que todo o elenco ministerial tenha consciência de qual o modelo económico que pretende para o país.

Numa intervenção de grande violência, aliás, o líder dos empresários do Minho classificou de inaceitáveis os “cortes cegos” que estão a ser concretizados no Ensino Superior. Terá sido porventura por essa razão que o presidente da AIM, que até elogiou, em contraponto, o Plano Tecnológico do executivo de José Sócrates, considerou que tais reduções revelam que a valorização do conhecimento não tem um papel central nas políticas do actual governo, pelo que, em sua opinião, é chegada a hora do país pedir contas ao executivo de Passos Coelho.

As inquietações de António Marques, que afinal são, em grande parte, idênticas às do reitor da Universidade do Minho e às de todos os seus pares, prendem-se com a falta de investimento no conhecimento e na inovação académica, ou seja, no abandono de uma opção estratégica no modelo económico que, segundo o dirigente associativo, será o que melhor serve o país. “Rejeito uma contabilidade de cortes ao ensino superior como aquela que está a ser feita, até porque não podemos ter a veleidade de financiar tudo e todos”, sublinhou o dirigente empresarial.

O presidente da AIM sabe do que fala. Conhece bem a realidade da academia bracarense, da qual é membro do Conselho Geral e onde já deu aulas, e entende por conhecimento no terreno a relevância da qualidade da investigação e a sua interligação às empresas. Não surpreende, assim, a sua tomada de posição em favor de uma causa que, afinal, deveria ser estratégica.

De facto, a questão nuclear das opções estratégicas (ou falta delas) já tinha sido aflorada pelo presidente do Conselho de Reitores (CRUP) e reitor da Universidade Nova de Lisboa quando, numa declaração pública muito aplaudida pela comunidade académica, insistiu que “sem as universidades o futuro do país será muito mais sombrio”. De resto, António Rendas precisou que as instituições de ensino superior “sempre viveram abaixo das suas possibilidades”, exemplificando com o corte de 144 milhões de euros de financiamento entre 2005 e 2012, montante que subirá para os 200 mi-hões se as medidas inscritas na proposta do OE para 2013 forem aprovadas.

Mas voltando ao caso específico da Universidade do Minho, o que se sabe, pela voz do reitor António Cunha, é que o corte de financiamento em 2013 será de 4,5 milhões de euros. O problema é que em Julho, antes da programação do novo ano, tinha ficado acordado um corte de 2,5 por cento no financiamento do Estado para a UM, percentagem que subiu inopinadamente para números praticamente incomportáveis.

“Agora, de repente, o corte subiu para 9,2 por cento”, preveniu António Cunha, recordando que a UM tem demonstrado capacidade de gerar receitas próprias e enfatizando que o seu orçamento já depende em menos de 50 por cento do Orçamento do Estado. Em todo o caso, conforme também sublinhou, “acomodar um corte destes vai exigir muita ginástica”.

Acredito firmemente que a equipa reitoral da UM será capaz de encontrar soluções que não ponham minimamente em causa a excelência do Ensino a que esta universidade já nos habituou. Excelência reconhecida pelo recente ranking da Times Higher Education, um dos mais conceituados a nível mundial, e que coloca a UM entre as 400 melhores academias do mundo.
Na altura da divulgação destes dados, Graciete Dias, vice-reitora da UM, fez saber que “o resultado reflecte a aposta num ensino de qualidade e em investigação científica de excelência, bem como na afirmação da Universidade como parceiro inovador para projectos de valorização do conhecimento. Trata-se do reconhecimento de uma estratégia realista de crescimento e de afirmação internacional, suportada no envolvimento empenhado dos seus membros”, concluiu.

É esta mais-valia, este resultado de uma aposta colectiva e de um esforço conjunto e partilhado por toda a academia que a proposta de OE para 2013 ignora e coloca em causa. É disso que se trata, afinal, mais do que de uma contestação à austeridade generalizada, à qual por sinal se juntaram recentemente inúmeras vozes insuspeitas como a presidente do FMI, a nível internacional, ou o PR e dirigentes e deputados do PSD e do CDS, no plano nacional. As medidas suplementares de austeridade que o Governo de Passos Coelho quer impor às universidades e, em particular, à Universidade do Minho devem merecer o repúdio de todas as forças vivas, em defesa da UM.

Deixa o teu comentário

Últimas Ideias

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.