Correio do Minho

Braga,

Em busca de um mundo melhor

Amigos não são amiguinhos

Ideias Políticas

2016-12-27 às 06h00

Pedro Sousa

MUNDO. O mundo vive tempos difíceis e incertos. Tempos bastante diferentes daqueles que, há 15, 16 anos atrás, no despontar da minha maioridade, pudemos experimentar e perspectivar.
Aliás, no início do novo milénio, muitos eram os que olhavam o mundo numa segura cavalgada de optimismo; o fim da guerra fria, que muitos consideraram o fim da história, multiplicou as previsões de um tempo de estabilidade e de paz para o mundo, com crescimento económico e prosperidade para todos.

A verdade é que o fim da guerra fria não foi o fim da história; foi, pelo contrário, uma espécie de pausa no tempo, uma espécie de congelamento da velha ordem mundial. Infelizmente, o “regresso” da história ficou marcado por uma nova perspectiva e por uma espécie de vingança. Contradições escondidas e tensões que se pensavam enfraquecidas pelo tempo ressurgiram, uma multiplicidade de problemas novos superaram a dimensão de muitos dos seus antecessores, problemas antigos reacenderam-se e uma crescente falta de clareza nas relações de poder permitiram a afirmação progressiva de um contexto onde a imprevisibilidade e a impunidade têm ganho força. Os conflitos tornaram-se mais complexos e interligados do que nunca, produziram violações hediondas das leis humanitárias internacionais e abusos grosseiros dos direitos humanos, fazendo com que milhões de pessoas fossem obrigadas a fugir das suas casas, numa escala nunca vista nas últimas décadas.

Os grandes desafios das alterações climáticas, do crescimento acelerado da população mundial, a rápida urbanização, a insegurança alimentar e a escassez de água aumentaram a competição por estes recursos reforçando as tensões e a instabilidade. Ao mesmo tempo, os últimos 15 anos deram ao mundo extraordinários progressos tecnológicos, a economia global cresceu, a maioria dos indicadores sociais de desenvolvimento registaram progressos assinaláveis, a proporção de pessoas a viver em contextos de pobreza extrema caiu de forma muito acentuada mas a globalização e o progresso tecnológico também contribuíram para o aumentar das desigualdades.

Tudo isto fez com que muitas pessoas fossem deixadas para trás, mesmo nos países desenvolvidos, onde milhões de empregos desapareceram e os novos que vão sendo criados são inacessíveis para muitos. A globalização contribuiu, também, para alargar o alcance da criminalidade organizada e do tráfico. Factos, todos eles, que aprofundaram a divisão entre as pessoas e os actores políticos. Em alguns países, esta realidade tem contribuído para o crescimento da instabilidade, da inquietação social, chegando mesmo a materializar-se em violência e conflitos.

Em todo mundo, são muitas as pessoas que perderam a confiança não apenas nos Governos dos seus Países mas também nas instituições internacionais.
Vivemos num tempo em que o medo está a guiar as decisões e as escolhas de milhões de pessoas à volta do mundo. É, por isso, urgente compreender os seus receios, indo de encontro às suas necessidades, tendo, sempre, como bússola os nossos valores humanistas universais. É urgente, quer no plano nacional, quer no internacional, reconstruir as relações de confiança entre as pessoas e os líderes; é tempo de os líderes ouvirem e mostrarem que se preocupam com as suas pessoas e com a estabilidade global na qual todos dependemos.

PORTUGAL teve um ano positivo, com descidas no desemprego, com crescimento na economia, fechando o ano com um défice orçamental abaixo dos 2,5% do PIB que nos permitirá, a breve trecho, abandonar o procedimento por défices excessivos, em vigor há vários anos e que tantos constrangimentos tem imposto a Portugal e aos Portugueses.

Há muito a fazer, muitas dificuldades a vencer e muitos bojadores para dobrar. A batalha por uma maior e plena igualdade de oportunidade para todos, as lutas sempre inacabadas contra as desigualdades, o combate contra as inúmeras novas e escondidas formas de pobreza e a precariedade laboral, são bandeiras que devemos perseguir com coragem e entusiasmo.

ERRATA. Em Junho deste ano, num artigo de opinião assinado no Correio do Minho, escrevi que: “...a Câmara Municipal de Braga comprou ao irmão do Assessor da sua Vereadora do Desporto, por oitenta mil euros, sem concurso público... um consultório de medicina dentária falido, sobre o pretexto de ali, através de um protocolo com uma ONG, também ele estabelecido em bases muito nebulosas, dar seis mil consultas por ano a crianças e idosos desfavorecidos do Concelho de Braga, gastando mais 120 mil euros em recursos humanos para três técnicos, contratados, também, sem concurso público”. Meses mais tarde, tomei conhecimento que os termos do negócio não foram exactamente estes, tendo sido a dita ONG, “Mundo a Sorrir”, a pretexto do protocolo que celebrou com a Câmara Municipal de Braga para desenvolver no Concelho um programa de saúde oral, a adquirir, por 10.000€ os equipamentos de medicina dentária, que eram propriedade de uma sociedade da qual o já referido irmão do Assessor da Vereadora da Juventude, era um de entre três sócios. Ao visado, pela imprecisão do que à altura escrevi, as minhas sinceras desculpas.

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