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Em Braga o beijo é...

Como vai ser a proteção do consumidor europeu nos próximos anos

Ideias

2018-10-14 às 06h00

Joaquim da Silva Gomes Joaquim da Silva Gomes

Existem várias formas das pessoas se cumprimentarem. Uma das mais usuais é o beijo. Assim, entende-se por beijo o toque dos lábios em outra pessoa, numa demonstração de ternura que poderá estender-se a um animal ou a um objeto. O beijo pode ser encarado como função familiar, social, amorosa, erótica e até mística.
Os mais antigos relatos sobre o beijo remontam a 2500 a. C. nas paredes dos templos de Khajurado, na Índia. Já na Suméria, era costume enviar beijos aos deuses.
Quer no Império Grego quer no Império Romano, era frequente os guerreiros beijarem-se quando regressavam das batalhas. Os gregos adoravam beijar, mas foram os romanos que difundiram a prática. Os imperadores permitiam que os nobres mais influentes beijassem os seus lábios e, os menos importantes, as mãos. Aos súbditos era permitido apenas o beijo nos pés. Este hábito estendeu-se pela Idade Média, ao ponto daqueles, que estavam no fim da hierarquia social, beijassem o chão!
Na Escócia, o padre beijava os lábios da noiva ao final da cerimónia. Acreditava-se que a felicidade conjugal dependia dessa bênção. Na festa de casamento, a noiva deveria beijar todos os homens na boca, em troca de dinheiro. Já na Rússia, uma das mais altas formas de reconhecimento oficial era o beijo do czar.
Em França, no século XV, os nobres franceses podiam beijar qualquer mulher. Já na Itália, se um homem beijasse uma mulher em público, era obrigado a casar imediatamente com ela.
No Brasil, foi D. João VI quem introduziu a cerimónia do beija-mão: em dias pré-determinados, o acesso ao paço imperial era permitido a todos que desejassem apresentar alguma reivindicação ao monarca. Em sinal de subserviência, desde os nobres aos escravos, todos beijavam a mão direita do rei antes de fazer qualquer pedido.
Existem diversas formas de beijo. Uma delas é o beijo sagrado. Assim, era cansativo atravessar as ruas da Roma Antiga, pois existiam muitos beijos. Permanentemente as pessoas atiravam beijos às estátuas dos deuses, que então abundavam! Se alguém se cruzava com um amigo, trocavam-se beijos calorosos!
É curioso verificarmos que na liturgia protestante é ignorado o beijo. Pelo contrário, no ritual católico, os beijos abundam. São os conhecidos “beijos litúrgicos”.
Já Santo Agostinho considerava o beijo de Judas como o exemplo da traição entre o coração e a boca. Se o coração não beijava ao mesmo tempo que a boca, a traição era certa! Aliás, o facto de Judas ter traído Cristo com um beijo conduz ao processo do beijo hipócrita. Esse beijo traiçoeiro levou a que, durante várias décadas, não se desse o beijo da paz nos três últimos dias da Semana Santa, porque a traição de Judas estava muito presente na memória das pessoas!
As várias doenças que ocorriam na Idade Média deram origem a outra forma de beijar: o beijo ao leproso. Tudo se destacou no século XIII quando S. Luís, um rei cavaleiro de frágil saúde, num espírito de humildade, beijava os pés escabrosos e horríveis dos mendigos e leprosos!
Há a destacar ainda o beijo iniciático, habitual nas cerimónias de entrada numa ordem; o beijo no solo, destacado pelo Papa João Paulo II, como sinal de subserviência e de amor à terra e o beijo e a superstição: aqui destaca-se a repugnância em beijar alguém no nariz, porque isso provocará discórdia.
Na nossa região é frequente dizer-se que duas crianças que ainda não falam não devem beijar-se, pois se isso ocorrer ficarão surdas ou mudas para sempre!
Mas a lista de beijos ainda não terminou: o primeiro beijo é fascinante pois desejamos experimentá-lo para sentirmos o amor. O beijo desempenha um papel importante no domínio do amor e da paixão. Cada beijo chama outro beijo. E, quando há atração mútua, o beijo é um dos principais meios para expressar esses sentimentos.
Em Braga, o beijo mais comum será o…sagrado?
Por fim, o beijo de aniversário. É comum nos aniversários os familiares e amigos expressarem os seus parabéns ao aniversariante, também, por um beijo, que aqui significa a felicidade.
Como diz Diderot
“Inclina os teus lábios sobre mim
E que ao sair da minha boca
Minha alma passe para ti”.

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