Correio do Minho

Braga, quarta-feira

Em Braga a água paga-se duplamente

‘Tu decides’ e o AE Maximinos move-se pela cidadania

Ideias Políticas

2012-07-03 às 06h00

Carlos Almeida

Parcialmente privatizada em 2005, a Agere, empresa que gere o abaste-cimento de água, a recolha de lixos e a rede de saneamento no concelho de Braga, passou desde então a assumir como eixo prioritário da sua administração a geração de lucro.
Como tal, e em evidente prejuízo dos cidadãos, que não têm outra opção se não a de recorrer aos serviços desta empresa municipal, a sua gestão passou a privilegiar os interesses das construtoras que integram o consórcio detentor dos 49% do capital social da mesma.

As perspectivas de mercado das empresas ABB, DST e BragaParques passaram assim a estar no centro de todas as decisões. Para trás ficaram os cidadãos de Braga, a quem, em tempos, garantiram que as tarifas não aumentariam. A quem prometeram que, se se ligassem à rede de saneamento, pagariam uma ínfima parte da-quilo que realmente vieram a cobrar mais tarde. Para trás ficaram também os trabalhadores, vítimas de salários miseráveis.

Justificava-se, na altura, a maioria ‘socialista’ na Câmara de Braga, com a elevada despesa que esta empresa municipal representava, bem como com a falta de poder de investimento do município, que, da outra maneira podia ser garantido pelos privados.

“A gestão privada é mais eficiente!” - vociferavam os políticos da direita bracarense. “Connosco o modelo de venda seria outro. Faríamos muito mais di-nheiro” - concluíam. Era o modelo de venda que os incomodava, claro está! Nada os opunha ao negócio milionário que estava proposto.
Entretanto, a maioria ‘socialista’ na Câmara de Braga garantia que, com a alienação de “apenas” 49% do capital social, cabia à autarquia uma posição dominante, e que nunca estariam em causa os direitos dos munícipes.

Quase oito anos passados, os serviços prestados pela Agere sofreram cortes expressivos, nomeadamente no que à recolha diurna de lixo respeita. As tarifas de disponibilidade de saneamento e de água subiram vertiginosamente. E, ao contrário do que seria expectável com a perda de posição de capital público na empresa, a Câmara de Braga passou a transferir, anualmente, a título de indemnizações compensatórias, cerca de 3 milhões de euros. A transferência para a Agere vai sendo substancialmente reforçada, ano após ano, com verbas extra que saem do orçamento municipal e são cortadas noutras obras e projectos de interesse geral.

Se paga a Câmara, meus amigos, pagamos todos nós. Portanto, pagamos nos nossos impostos e pagamos na factura da água todos os meses.
É justo que nos questionemos: no final de contas, quem ganhou com este negócio?
Terá ganho a Câmara de Braga, pese embora pontualmente, porque encaixou o dinheiro da parte alienada do capital da Agere. Mas quem ganhou “à bruta” foi o inesperado(!) consórcio de empresas vencedor do concurso público.

Situemo-nos nos resultados apresentados nos documentos de prestação de contas da empresa, referentes ao ano de 2011. Partindo deles ficamos a saber que a Agere fechou o ano com lucros acima dos 4,22 milhões de euros, mais 15% que no ano anterior. Deste dinheiro cerca de 3 milhões de euros ficam no bolso dos accionistas, os tais senhores das conhecidas construtoras da região.
Sempre ouvi dizer que a água é um bem indispensável. Pelos vistos assim é, só que mais para uns do que para outros.

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