Correio do Minho

Braga, terça-feira

Eleições presidenciais

Confiança? Tínhamos razão.

Ideias

2015-12-29 às 06h00

Jorge Cruz

Apoucos dias de encerrar o ano de 2015 de má memória, em particular para os portugueses, justificar-se-ia, nesta última crónica, falar de alguns dos horrores que a dupla Passos Coelho/Paulo Portas nos obrigou a passar. Acontece que ao invés de evocar as malfeitorias do passado, prefiro olhar em frente, perspectivar o futuro, principiando justamente pelas eleições presidenciais, um momento que se aproxima e que se reveste de particular relevância para o país.

Percebo que haja algum interesse em desvalorizar o próximo acto eleitoral como entendo determinadas opções de certos candidatos: a baixíssima popularidade do ainda presidente da República aconselha o candidato-clone de Cavaco Silva a adoptar uma postura mais “low-profile”, como que a fazer-se de morto, tentando evitar a todo o custo a associação do seu nome quer ao actual inquilino de Belém quer à coligação PSD/CDS, que esteve no poder nos últimos quatro anos.

Se nos recordarmos da campanha permanente a que fomos sujeitos, sempre em horário televisivo nobre, facilmente concluiremos que, do ponto de vista da notoriedade, Marcelo não necessita de maior visibilidade, bem pelo contrário. Aquilo que o candidato provavelmente pretenderá é que os portugueses esqueçam algumas das suas posições políticas bem assim como certas ligações pessoais, políticas e não só. A esta luz percebe-se que a postura que entendeu adoptar não cause qualquer surpresa, pelo menos aos mais atentos e informados.

Espanto, diria mesmo enorme estupefacção, foi o que provocou António Costa quando decidiu afastar o Partido Socialista desta campanha eleitoral, colocando uma força política que é indiscutivelmente um pilar da democracia portuguesa afastada de uma decisão crucial para o futuro do país e dos portugueses.

Compreendo que após Maria de Belém ter anunciado a sua candidatura, o espaço de manobra de António Costa para declarar o apoio do PS a Sampaio da Nóvoa ficou substancialmente reduzido. A conjugação de dois factores - por um lado, o fraco resultado eleitoral, e, por outro, a “jogada” segurista da ex-presidente do partido - tornaram aquilo que seria mais ou menos expectável numa realidade bem mais longínqua, que acabou por se transformar mesmo numa impossibilidade.

O problema reside no facto de, ao manifestar desinteresse pela eleição presidencial, o PS estar objectivamente a ajudar um candidato que não pertence à sua área ideológica, o tal que durante anos usou o espaço nobre da televisão para, sob a capa do comentário político, fazer a sua própria campanha.

E desenganem-se aqueles que pensam que a questão é irrelevante, ou seja, que é indiferente este ou aquele presidente. Esse é um tremendo erro de avaliação que, aliás, noutras circunstâncias e com outros protagonistas, já foi experimentado no passado com os desastrosos resultados que se conhecem - uma década de Cavaco na presidência da República.

O país carece de um presidente que saiba interpretar com o máximo rigor a Constituição da República. Que saiba ser fiel ao espírito e à letra da nossa lei fundamental. Que tenha uma postura de diálogo mas de equidistância relativamente aos outros órgãos de soberania e aos partidos políticos. Que seja humanista e inspire confiança. Que seja sensível aos problemas e justos anseios populares. Enfim, um presidente na linha de Ramalho Eanes, Mário Soares e Jorge Sampaio, ou seja, nos antípodas de Cavaco Silva.

Acredito que Sampaio da Nóvoa será, no momento, o homem certo para a difícil missão de devolver aos portugueses a confiança perdida, para reverter a enorme degradação social e recuperar o orgulho de ser português. Conforme o próprio sublinhou na recente passagem por Braga, há combates que têm que ser travados. E elencou mesmo três “inevitabilidades” que importa combater: a pobreza das gerações futuras, a escassa aposta na educação e ciência e aquilo que considerou a cidadania muito curta.

Aliás, na carta de intenções, Sampaio da Nóvoa já tinha sublinhado que “este é o tempo do futuro”, frisando que “não podemos aceitar retrocessos no caminho feito depois de Abril”. E porque “não há destinos marcados”, este candidato recusa-se a “aceitar que os nossos filhos viverão, inevitavelmente, pior do que nós”.
É um presidente assim, um presidente presente, um presidente de causas, humanista e comprometido com a cidadania, que eu quero para o meu país.

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