Correio do Minho

Braga, sexta-feira

Eleições europeias

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Ideias

2014-02-28 às 06h00

Margarida Proença

Começam a desenhar-se os contornos das eleições europeias que se vão realizar em maio deste ano; devagar ainda, vamos conhecendo os principais atores, e de uma forma um tanto preocupante - ainda que seja expectável, na verdade - tudo parece apontar no sentido de uma discussão sobre temas nacionais, uma focagem sobre possíveis leituras de antecipação das eleições de 2015. Por outro lado, as eleições europeias têm aliás sido realizadas num contexto de forte abstenção; nas últimas eleições, em 2009, a taxa de participação, em Portugal, foi de apenas 36,5%, mas a média comunitária não foi por aí além (43,4%) . E nesse mesmo ano, a abstenção foi a mais elevada de sempre; a confirmar essa tendência, que aliás já se vem a manifestar desde finais da década de oitenta, a participação dos quase 380 milhões de cidadãos deverá ser muito baixa este ano, tanto mais que a generalidade dos países tem problemas de sobra dentro de portas.
E no entanto, provavelmente poderão vir a ser as mais importantes eleições desde que foi criado e implementado o projeto de uma Europa una. É certo que têm existido inúmeros problemas ao longo do percurso e que na década de setenta, por exemplo, se falava mesmo da “esclerose” da ideia. Mas o contexto atual é diferente, e seja qual for a vertente por onde se olha, muito preocupante.
Tem sido adiantado por diversos autores que o problema começa desde logo ao nível da governação e que se projeta numa insatisfação significativa com as instituições e os políticos europeus, mesmo dos partidos políticos, e um afastamento cada vez maior dos cidadãos, patente na baixa taxa de participação nos processos eleitorais e no desconhecimento generalizado da discussão sobre os variados temas de política europeia. O certo é que a Europa mudou profundamente ao longo das últimas décadas, em termos económicos e demográficos, em termos tecnológicos e sociais e aumentou a interdependência global, mas não foi capaz de encontrar soluções comuns, criativas e envolventes. A vulnerabilidade demonstrada pelo sistema bancário e financeiro, a turbulência dos últimos anos, a incapacidade revelada de construir uma verdadeira moeda única , no fundo traduzem exatamente a dificuldade de , desde logo, desenhar mas também implementar reformas estruturais sérias. A ideia de uma Europa garante de paz e de prosperidade, capaz de induzir crescimento económico e criadora de emprego, potenciadora de coesão social, confronta-se hoje com um crescente e justificado cepticismo, tanto mais quanto a atual crise económica e financeira redefiniu a margem de manobra e delimitou na prática, de uma forma estreita, a próxima década.
Sem novas estratégias e porventura novas estruturas de governação - e é no âmbito estritamente político que têm de ser encontradas - que permitam encontrar formas novas de sustentabilidade para a União Europeia , não sei que nos poderão trazer os próximos anos . De qualquer forma, dada a globalização e a interdependência que marca o mundo de hoje, estas questões não podem deixar de ser profundamente discutidas. O que se passa dentro de cada país depende do que se passa fora.

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