Correio do Minho

Braga, segunda-feira

Eleições autárquicas

Sinais de pontuação

Ideias

2017-05-08 às 06h00

Filipe Fontes

Na sequência dos dois últimos textos, volta-se ao tema das eleições autárquicas, tema incontornável nos próximos longos tempos. E volta-se ao tema para expressar um conjunto de princípios ou pressupostos (ou mesmo, eventualmente, desejos) que se entendem fundamentais presentes neste período electivo e escolha dos próximos gestores “da cidade”. E que, depois, sejam verdadeiramente sentidos e praticados!
Sem preocupação hierárquica ou grau de importância, identificam-se dez. São eles:

• Vontade de servir a cidade, o concelho e o território, procurando assumir responsabilidades e encargos, possibilidades e oportunidades por mérito e convicção, não por inevitabilidade de percurso ou acaso da história. No fundo, querer ser muito mais do que aceitar ser. E ser na globalidade!
• Expressar uma “ideia de cidade”, partilhando uma visão e um modelo de território. No fundo, anunciando “para o que vem”. Muito mais do que um gestor do presente, é importante um construtor do futuro!
• Evitar o ruído ou a crítica fácil e imediata. Não é por se dizer o contrário que se ganha protagonismo ou relevância. É por ser assertivo e coerente. Mesmo que se esteja em linha com a outra parte;
• Não desejar a unanimidade. A polémica, a diferença, a diversidade são parte integrante da cidade. E nega-las é negar a própria essência da urbe. E escamotear ou adormecer o debate e a reflexão. E estes são parte essencial do processo democrático e de confronto e síntese. E sempre (quando sinceros e convictos) oportunidade de crescer e melhorar;
• Objectivar o quotidiano em função da decisão, coerência e saber, dando um fio condutor à sucessão dos dias e não dotando os mesmos de uma carga burocrática que (por si só) já é inerente ao sistema;
• Saber partilhar objectivos e apoiar soluções porque a cidade é um trabalho de equipa multidisciplinar, sempre e só, um trabalho de equipa;
• Ouvir para sintetizar e decidir. Nunca decidir em função do que se ouve. Na verdade, a eleição representa a escolha (dos nossos) representantes que têm como trabalho, precisamente, ouvir, sintetizar e decidir. Na convicção de que não se deve decidir sem ouvir, também não se constrói cidade eternizando a discussão…
• Evitar a tentação de tudo (querer) fazer. Afinal, verdade absoluta é a simples constatação de que a cidade se vai fazendo, não sendo nunca um produto acabado;
• Distinguir e conjugar política e técnica, faces da mesma moeda de importância singular e única. Que não se caía na tentação de subjugar a política à técnica e não se queira condicionar a técnica pela decisão política…
• Alimentar o sonho sem perder o chão. Ou seja, olhar para a frente e ser capaz de desenhar uma utopia realista, uma ambição que seja possível alastrar, envolver e partilhar. E acreditar que um dia será possível. Porque hoje (deverá ser inegável essa constatação) se está a trabalhar para tal.

Que sejam princípios e pressupostos presentes. Tão presentes e vivos capazes, por si só, de fomentar o confronto e a rentabilização da fundamentação (de quem faz) versus a argumentação (de quem critica), da sistematização (de quem operacionaliza) versus a decisão (de quem lidera), da segurança (de quem comanda) versus o saber (de quem aconselha), da convicção (de quem quer) com a humildade (de quem erra), do compromisso (de quem ganhou as eleições) versus a flexibilidade (que o futuro exige), entre muitas outras, resumidas e condensadas numa só palavra: Ética!
Que sejam princípios e pressupostos presentes. E que todos saibam merecer e aproveitar o esforço que estes mesmos princípios e pressupostos a todos obrigam. Sem excepção!

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