Correio do Minho

Braga, segunda-feira

EDP ou a loja do PSD?

Uma ideia de humano sem história e sem pensamento?

Ideias Políticas

2012-01-13 às 06h00

Pedro Sousa

Lembro-me bem da última campanha para as eleições Legislativas.
Pedro Passos Coelho, na altura candidato a Primeiro Ministro de Portugal, construiu uma estratégia de campanha assente em mentiras.

Lembro-me bem que quando questionado sobre um possível corte de um dos subsídios, este, afirmou que tal coisa era um disparate. Lembro-me, também, de toda a argumentação da campanha ter andado em volta da capacidade de reformular, reestruturar, racionalizar o Estado, introduzindo-lhe novos padrões de “suposta” eficiência e de poupança.

Os portugueses estarão, certamente, lembrados, de que Pedro Passos Coelho afirmava que para voltar a por em ordem as contas do estado, usaria da propalada fórmula de cortar dois terços na despesa e um terço nas receitas. Lembro-me, ainda, de um discurso mil e uma vezes repetido de que consigo como Primeiro-Ministro, Portugal iria iniciar um novo ciclo de credibilização e valorização da política e dos políticos, acabando, de uma vez por todas, dizia, com aquelas nomeações cujo único critério que se lhes adivinha é o do cartão partidário.

Tenho a este respeito uma opinião muito esclarecida. Em nada me incomoda, posso, até, dizer que entendo, que determinadas pessoas sejam nomeadas em função da confiança pessoal e política, que quem tem a responsabilidade de nomear, nelas depositam, desde que, as pessoas sejam competentes, preparadas e capazes de um cabal desempenho no exercício das funções que lhes são confiadas.

Sete meses separam as declarações de Pedro Passos Coelho e o dia de hoje. Passos Coelho cortou os dois subsídios, Passos Coelho apresentou um orçamento onde não faz nenhuma consolidação orçamental pela via de cortes na despesa, Passos Coelho, com a recente onda de nomeações para a EDP, demonstra que nunca teve uma real vontade de credibilizar a política e os políticos. A não ser que ele entenda que o faz mentindo descaradamente e fazendo, uma vez atrás da outra, exactamente o contrário daquilo a que se propôs.

Deter-me, mais cuidadosamente, sobre o dossier das nomeações. Nos últimos tempos, os jornais têm sido constantemente enxameados com as centenas de nomeações para os Ministérios e para as Secretarias de Estado, os Centros Distritais da Segurança Social parecem já ter feito, por mais que uma vez, estalar o verniz entre PSD e CDS-PP, que não conseguem dar resposta às suas turbas sedentas de engordar à custa da máquina do Estado. Estado, esse, que supostamente iria emagracer. Isto para não falar das administrações hospitalares e outras.
Indo, agora, ao caso EDP.

Eduardo Catroga, Celeste Cardona, Paulo Teixeira Pinto, Ilídio Pinho, Rocha Vieira, Braga de Macedo. Isto não é uma lista de órgãos societários, é a lista de agradecimentos de Passos Coelho. O impudor é tão óbvio nas nomeações políticas que nem se repara que até o antigo patrão de Passos, Ilídio Pinho, foi contratado.

Importa, olhar com cuidado cada uma das nomeações. Temos Catroga (provavelmente o único aceitável) que recebe esta prenda por ter aceite ser “Ministro-Sombra” de Passos Coelho, termos Paulo Teixeira Pinto que recebe esta prenda por, provavelmente, ter feito a proposta de revisão constitucional, e Braga de Macedo, cuja razão para também ter sido contemplado parece advir do facto de ter elaborado toda a estratégia para a internacionalização do Programa de Governo do PSD.

Mais grave é lembrar que Catroga foi o representante do PSD nas negociações com a Troika, onde se decidiu a privatização, entre outras, da EDP. Terá este lugar sido negociado logo na altura? Não haverá aqui um gritante conflito de interesses?
Quando olho para este Conselho Geral e de Supervisão tenho toda a legitimidade para o confundir com uma comissão de Honra de uma candidatura do PSD.

Considero repugnante que estas práticas continuem a ser recorrentes neste país, e, ainda, com uma agravante, de serem desmentidas pelo Ministro das Finanças Vítor Gaspar. Ele afirma que não existe qualquer relação entre o Governo e estas nomeações.

Eu pergunto, então, se estas foram imposição do seu novo maior accionista da China Three Gorges para o novo CGS? A mim não me quer parecer.
O Sr. Primeiro Ministro de Portugal, esse lobo com pele de coelho, fez em sete meses exactamente o contrário de tudo o que disse.
É bom que comece a trabalhar, Sr. Primeiro Ministro, pois até agora foram sete meses de (des)governar de pernas para ar.

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