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Economia ou pandemia?

Orçamento de Estado de 2021 é um orçamento de continuidade?

Economia ou pandemia?

Escreve quem sabe

2020-09-25 às 06h00

Rui Ferreira Rui Ferreira

Eu nunca paro. Esta é uma simples frase estampada no equipamento de um grande amigo e parceiro de futebol nas tranquilas noites de terça-feira. Costumo brincar com a situação porque, apesar de ser um dos melhores em campo, é dos menos ativos. Esta é uma frase que me tem literalmente marcado e perseguido nos últimos tempos.
A paragem causa comodismo. O comodismo causa desconforto. E tudo isto poderá levar a uma quebra nas nossas vidas, que consequentemente levará também a uma quebra das empresas e, de forma inequívoca, da economia do nosso país. Quer queiramos quer não, o confinamento e a pandemia trouxeram uma grande quebra às nossas rotinas.
A entrada da doença no mundo laboral causou um grande comodismo aos trabalhadores e uma enorme falta de confiança a todos os intervenientes. A economia e os mercados atravessam então um período bastante sensível.
No entanto, e perante os números mais recentes apresentados pelo nosso Governo, não haverá motivo para preocupação. Temos uma economia que contraiu 16,3% do PIB no segundo trimestre de 2020, e em sentido inverso uma taxa de desemprego que, em julho, foi de “apenas” 8,1%.
Serão estes números reais? Ou será que grande parte dos fundos de reestruturação económica vindos de Bruxelas já estão a ser usados para esconder uma crise económica e social?
Neste momento podemos dizer que o grosso do bolo para a revitalização da economia segue na esmagadora maioria para o Estado, para financiar promessas eleitorais ainda não cumpridas.
O poder aumenta então por parte do Estado, diminuindo da parte do povo e do tecido empresarial.
Aparentemente pode parecer uma jogada inteligente, mas no fundo é um erro muito simples, capaz de enganar um povo que vive ainda debaixo de uma preocupação maior: a pandemia.
Parece-me demasiado óbvio que o Estado apenas funciona se existirem pessoas, empresas e se o mercado funcionar.
Sem empresas, sem mercado, sem concorrência, sem lucros, sem investimentos e sem riscos, o Estado não terá força nem dinheiro para sustentar o país.
Podemos então chegar a uma conclusão simples:
1 - o Governo irá usar grande parte da verba que era destinada à recuperação económica para financiar despesa que competia ao Orçamento de Estado dos últimos anos e que ficou por executar;
2 - esta verba não chegará às empresas e ao mercado, não sendo possível relançar a economia após o confinamento;
3 - com menos apoios as empresas serão forçadas a desinvestir ou a endividar-se;
4 - o desinvestimento traduz-se numa perda de valor acrescentado e por uma perda de competitividade nos mercados;
5 - esta perda de competitividade resulta numa redução forçada do preços dos bens e serviços e, consequentemente numa redução dos salários praticados ou até na perda de emprego;
6 - o Estado cria mecanismos para criação de emprego precário, desequilibrando também todo o mercado de trabalho e reduzindo a competitividade;
7 - crise económica e social;
Caracterizamo-nos atualmente como uma sociedade que vive perante um culpado comum. A pandemia é agora desculpa para todos os males do nosso mundo.
Está tudo bem. Assim se encontra o estado da nossa nação.

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