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É urgente

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Voz às Escolas

2021-03-11 às 06h00

Luisa Rodrigues Luisa Rodrigues

É urgente rever o sistema de avaliação dos profissionais de educação e, por inerência, o sistema de progressão na carreira. Tenho uma visão muito própria de democracia, o que me leva a questionar, com cada vez mais frequência, se vivemos, efetivamente, num regime democrático, indepen- dentemente das ideologias políticas dos governantes.
As dúvidas acentuam-se quando confrontada com assimetrias para as quais não vislumbro justificação plausível, sobretudo quando assisto, diariamente, à proliferação de indicadores de crescimento económico, mas raramente de desenvolvimento económico, ou seja, vejo a preocupação desmedida com a assunção de despesas inerentes a projetos megalómanos, o que é sintomático da existência de fluidez orçamental, sem a devida preocupação com a melhoria das condições de vida da população.

Regressando à área da educação, razão da minha participação neste espaço, e reportando-me a uma situação recente, sinto o dever de partilhar algumas preocupações, a começar pelo sistema de avaliação do desempenho em vigor, cujos resultados se repercutem no sistema de progressão na carreira dos profissionais de educação.
Em qualquer organização, o desempenho dos respetivos profissionais é sujeito a avaliações periódicas, asseguradas, no caso dos professores, por equipas de avaliadores internos e externos, pese embora o efeito do resultado da observação pelos avaliadores externos, que condiciona, de forma gritante, o resultado final de todo o processo.

E, assim, falar de harmonização das avaliações finais dos avaliados transforma-se num autêntico “filme de terror”, tendo em conta a frequente discrepância entre a informação veiculada pelos avaliadores externos e a avaliação realizada internamente, esta decorrente do conhecimento efetivo do desempenho dos avaliados, criando situações de extrema injustiça.
O atual processo de avaliação do desempenho docente não está em consonância com os pressupostos em que assentam as alterações significativas que têm vindo a ser introduzidas, ao nível das políticas educativas, podendo refletir-se, negativamente, nas dinâmicas das escolas.

À parte a dura realidade com que somos confrontados, e na minha modesta opinião, a avaliação do desempenho deveria objetivar a observação com o propósito de elencar situações a necessitarem de acompanhamento, ao nível de formação para a valorização das práticas pedagógicas, e nunca de condicionar a justa progressão na carreira de qualquer docente, o que pode redundar na desmotivação de profissionais com provas dadas de elevado nível de desempenho e de compromisso com a missão das Escolas, explanada nos seus projetos educativos.

Mas se a situação é extremamente ingrata, no caso dos professores, se analisarmos o impacto do processo de avaliação dos assistentes técnicos e operacionais, tendo presentes a remuneração mensal que auferem e os aumentos correspondentes a cada mudança de nível, dificilmente conseguiremos alhear-nos da realidade – como pode ser considerado progressão na carreira um aumento salarial de tal forma insignificante que bem poderia ser dispensado, não fora o vencimento base ser uma afronta num país em que, dizem, impera um regime democrático.

Os profissionais de educação são, sem qualquer dúvida, um dos pilares da sociedade, com provas dadas da sua enorme capacidade de reinvenção e adaptação em tempos de crise, como são exemplo os tempos em que vivemos, de uma dificuldade acrescida pela sua especificidade e complexidade, exigindo um exercício permanente de abstração das condições precárias em que vivemos – estagnados numa carreira sem sentido, condicionada por um sistema de avaliação que em nada aproveita a melhoria do desempenho.
Não sou saudosista, persigo a mudança e a inovação como alicerces para a melhoria de um sistema educativo que carece de revisão mas, em questões de carreira, feita uma análise retrospetiva, se retrocedessemos não ficaríamos a perder.
Pelo que defendo que é urgente alterar o modelo de avaliação do desempenho e rever o sistema de progressão na carreira dos profissionais de educação.

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