Correio do Minho

Braga, quarta-feira

É urgente devolver a esperança aos portugueses!

Saboaria e Perfumaria Confiança – pela salvaguarda do seu património

Ideias

2015-05-31 às 06h00

Artur Coimbra

As eleições do próximo Outono têm tudo para redundar numa vitória para António Costa e para o Partido Socialista, como alternativas mais credíveis e consistentes. Mas só podem sê-lo, obviamente, se houver a dignidade colectiva dos cidadãos de não se deixem vencer pelos cantos de sereia dos que afundaram a esperança nos últimos anos…
Depois de um governo que causticou o povo português a níveis que nenhum outro jamais se atrevera, por motivações meramente ideológicas e de fazer gala de bom aluno dessa coisa informe e viscosa chamada “mercados”, alardeando conseguir sempre “ir além da troika”, como fizeram bandeira e programa, para desgraça e empobrecimento de todos nós; depois de um governo que mentiu descaradamente, que enganou os portugueses, que obrigou mais de três centenas de milhares de cidadãos, grande parte deles jovens qualificados, a “abandonar a zona de conforto”, como não se coibiram de zombar, e a avançar para o mundo; depois de terem destruído a economia, promovido a falência de centenas de empresas, com o consequente despedimento de milhares de trabalhadores, enquanto farto investimento sempre houve para a recapitalização dessa ladroagem que é o sistema da especulação financeira e bancária; depois de ter vendido o que Portugal tinha para vender de sectores estratégicos, grande parte lucrativos, por isso, apetecíveis, nada sobrando após a sua retirada, a não ser a falta de vergonha e os escombros de uma política de terra queimada; depois de um governo que tem feito disparar a dívida pública para níveis insustentáveis mas propagandeia a ideia falsa de que está a tudo a ficar bem, e que tirou o país da “bancarrota”, não passando de um conto para crianças a fantasia de um “final feliz”; depois de um governo que cortou, deliberada e voluntariamente, apoios e prestações sociais, fazendo cair em situação de pobreza mais de dois milhões de cidadãos desfavorecidos, em especial, os mais idosos e as crianças; depois deste panorama aterrador de um governo que pode limpar as mãos à parede do trabalho sujo que fez, e de que se gaba, nada mais natural do que perspectivar uma outra forma de governar Portugal.
Com um programa que se desenvolva apenas ao serviço dos portugueses. E já não será pouco…
Sendo mais que previsível que António Costa venha a vencer as eleições legislativas, ainda que por maioria relativa (e não cabe na cabeça de ninguém, a não ser do cadáver adiado que ocupa o Palácio de Belém, não dar posse a um governo resultante da vontade soberana dos eleitores, seja ele qual for…), importa que se imponha, desde logo, por alguns parâmetros, medidas e propostas que o diferenciem positivamente em relação aos “irrevogáveis” que continuam a atolar o país, embora devaneando o contrário.
António Costa tem de impor-se pela seriedade, pela verdade - o que o distinguirá logo do actual primeiro-ministro que venceu as eleições de 2011com um programa de mentira reiterada e de incumprimento do que havia prometido.
António Costa tem de impor-se com um programa credível, com propostas que possam ser inteiramente cumpridas, mantendo obviamente o rigor orçamental, mas desviando a ideologia da direita para um compromisso com os portugueses. E desde logo com a classe média, que é urgente ressuscitar, depois do esmagamento, sobretudo fiscal, que este governo empreendeu desde o início, para destruir financeiramente a massa crítica deste país. A classe média é o motor económico de qualquer nação, como qualquer astronauta sabe, ainda que nada perceba de economia.
Importa criar condições para o relançamento do consumo, o que apenas será conseguido com medidas sérias no âmbito da criação efectiva de emprego. E obviamente não é o Estado que cria empregos, a não ser para boys e girls que enxameiam os gabinetes dos deputados, dos governantes, dos directores gerais e outros que tais. Ao governo incumbe criar condições para que a economia ressurja e os empregos regressem efectivamente. Porque o que se tem passado a este nível, para além da destruição permanente de postos de trabalho, em virtude das políticas capitulacionistas e meramente ideológicas deste governo, é o permanente aldrabar das estatísticas, com números de desemprego perfeitamente falaciosos. Ninguém de bom senso acredita que o desemprego esteja a cair, em virtude da alegada criação de novos empregos, que ninguém lobriga, nem de binóculos. O que se tem passado, é o mascarar do desemprego pelo recurso a expedientes como os estágios profissionais de meses, ou cursos de formação que não servem para nada a não ser para alguns desempregados ganharem o subsídio de alimentação. E, obviamente, a emigração constante. Ora, isto não é emprego, claramente, ao contrário do que os governantes nos querem fazer crer, e as estatísticas encobrem.
É esta mentira deliberada, esta falácia persistente, que António Costa não pode prosseguir, porque os portugueses estão fartos de embustes, imposturas e intrujices.
Impõe-se que António Costa invista fortemente na correcção de erros e políticas perfeitamente imbecis deste governo e que têm a ver com reformas que não fazem qualquer sentido, como a reorganização administrativa ou o mapa judiciário. São matérias que prejudicaram fortemente as populações, sobretudo mais idosas, mais fragilizadas e mais distantes. São um absurdo as uniões de freguesias ou a extinção de tribunais de proximidade, em medidas estupidamente decretadas a régua e esquadro do Terreiro do Paço.
António Costa tem de inverter estas decisões infelizes que aprofundaram o despovoamento e a desertificação do interior do país, agravando desigualdades e violando a necessária coesão social.
António Costa tem de olhar para o país com olhos bem diferentes dos que actualmente manipulam, mentem, fantasiam, cortam, decretam, empobrecem, desgraçam, vendem, despovoam, desertificam, envenenam, destroem, capitulam, espartilham, sempre em louvor do Deus-défice. Mas terá de haver mais vida, muito mais vida, para além do défice, sob pena de os portugueses continuarem a abandonar o país e o seu destino.
Sobretudo, António Costa, tem de desencostar do passado deste malnascido governo, mas também do passado do seu próprio partido. Costa tem de arrumar em definitivo os fantasmas e as tralhas do socratismo, tem de chamar gente nova, com ideias diferentes para os próximos anos; tem de renovar os quadros do partido, do governo e do parlamento. Já chega de Ferros, de Lelos, Coelhos, Vitorinos e quejandos, por muito respeito histórico que mereçam aos portugueses, mas já deram o que tinham a dar. Há que ir em frente, buscar nova gente, diferente, sem vícios, quase diria, sem passado!...
Espera-se de António Costa, sobretudo, que seja capaz de reconquistar os portugueses para uma coisa tão básica e tão simples como a esperança. Os portugueses perderam a esperança nos últimos anos; estão desalentados, sem confiança, sem vontade de acreditar.
A esperança é a última coisa a morrer - diz-se. Mas terá de ser a primeira a ser devolvida aos portugueses. Sob pena de o barco do nosso destino afundar ainda mais!.

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