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E tudo o vírus levou

Processos de mudança

E tudo o vírus levou

Escreve quem sabe

2020-03-20 às 06h00

J.A. Oliveira Rocha J.A. Oliveira Rocha

Quando há mais de trinta anos terminou a Guerra Fria, augurava-se a primavera do mundo. Este entrou num processo de globalização acelerado e, para muitos, era “o fim da história”. A economia de mercado havia triunfado e a democracia liberal impunha-se por todo o lado. Seria uma época de felicidade global em que os produtos, cada vez mais baratos, chegavam ao lugar mais recôndito da Terra. E, quando apareceram resistências, o país líder do novo mundo impunha essa ideologia pela força. Veja-se as primaveras árabes que, no geral, acabaram mal e geraram situações mais caóticas que os regimes que foram substituídos, para já não falar do Afeganistão e do Iraque que os americanos queriam transformar em democracias de tipo ocidental.

O primeiro sinal de que nem tudo eram rosas foi a crise financeira de 2007-2008. Verificou-se então que o mundo entrava quase em colapso. Os mercados falharam e o mundo económico ameaçou ruir. A primavera era uma miragem e os mais fracos caíram. Sabemos bem, muito bem, o que nos custou e ainda custa. Politicamente, o resultado foi um Estado forte, mais regulador e centralizado, mas mínimo. Acreditava-se que as privatizações ajudariam a resolver o problema da crise; julgava-se que o privado era, apesar de tudo, mais eficiente e que ajudada a debelar a crise.
E agora chega mais uma ameaça - o COVID-19 - que ameaça a nossa existência e instalou o pânico, tal como em 1918 com a pneumónica ou a gripe espanhola. Para alguns, trata-se de uma espécie de purga, que de 100 em 100 anos ameaça a humanidade e ceifa os mais fracos-doentes e idosos.

Os países fecham as fronteiras, os sistemas de saúde entram em colapso, a economia paralisa as pessoas ficam “fechadas” em casa.
Somente um país - A China - parece ter estancado a pandemia. Ditadura, pelos padrões ocidentais, impôs um cordão sanitário à região onde terá nascido o vírus; além de que, em poucas semanas, construiu uma dúzia de hospitais destinados a parar o alastramento do vírus.
Quais as conclusões políticas a tirar disto tudo?
Em primeiro lugar, a globalização deixou de ser o objetivo da economia. Parece preferível a autosuficiência, já que as fábricas param porque lhes falta componente que se produzem em outros países que fecharam as suas fronteiras.

Em segundo lugar, os serviços nacionais de saúde ganham importância, quando há tempos atrás ameaçavam desmoronar- -se. Hoje são a esperança dos cidadãos. Ao contrário do que vinha acontecendo, o Estado vai sair reforçado desta crise (à imagem do Estado chinês) e os serviços sociais vão revigorar- -se. O mundo ideal não mais não mais será o neoliberal, liderado pelos Estados Unidos. Será que a reviravolta da liderança mundial se fará em favor da China? Porque o sistema de saúde americano depende das seguradoras, as quais se recusam a pagar o preço das análises.
Estamos em um mundo muito frágil que não permite fazer previsões e conjeturar o futuro.

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