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Ideias Políticas

2013-12-24 às 06h00

Carlos Almeida

Depois da enorme derrapagem orçamental na construção do Estádio Municipal de Braga - factura que vamos todos pagar por mais uns longos anos -, começam agora a vir à tona os encargos da famosa parceria público-privada constituída com o objectivo de construir vários (demais!) equipamentos desportivos no concelho.

Estamos a falar de mais de seis milhões de euros de rendas anuais pagas pela utilização dos campos de futebol, que antes da parceria com as construtoras estavam na posse do município ou das freguesias. A esta despesa temos ainda de somar os elevados custos de manutenção dos equipamentos. Note-se, a propósito, o facto de já existirem alguns equipamentos com necessidade de obras de remodelação e, pasme-se, de ampliação de balneários.

Para além disso, confirma-se também a desmesurada implantação destes equipamentos no concelho, sendo certo que alguns têm nenhuma ou pouca utilização devido à inexistência de clubes desportivos nas respectivas localidades. Mais grave ainda é a utilização de alguns campos de futebol, que tanto estão a custar ao município e aos bracarenses, por parte de clubes de dimensão nacional com a sua sede no Porto e em Lisboa.

Em boa verdade, diga-se, poucos são os casos em que o equipamento está ao serviço das populações.
Precisaria Braga de trinta e tal campos de futebol sintéticos? Não haveria outras necessidades muito mais prementes, mesmo considerando apenas os equipamentos desportivos? Quantos atletas de outras modalidades continuam sem meios, espaços ou equipamentos para poderem praticar as respectivas actividades desportivas?

Independentemente destas perguntas, que obviamente podem ter várias respostas diferentes em função da visão que cada um possa ter sobre a matéria, fica a certeza de que o modelo optado para financiar os investimentos representa um descalabro financeiro para as contas do município.
Soubemos, entretanto, que Ricardo Rio pretende renegociar esta parceria público-privada. O problema é que, neste caso como noutros, o actual Presidente da Câmara demarca-se das opções do anterior executivo, não pelo modelo de gestão optado, mas pela incompetência negocial, pelo fracasso em que se têm traduzido as anteriores opções políticas.

Não me parece pois suficiente apontar o dedo quem negociou (mal) a parceria com os privados (quiçá fosse esse mesmo um dos objectivos).
Importa, isso sim, pôr de lado este modelo de gestão absolutamente ruinoso para o erário público. Seja na construção de equipamentos desportivos, seja na construção e gestão de hospitais.

Se fica agora mais fácil de ver quem está a ser prejudicado, é justo que, pelo menos, nos questionemos: Quem está a ganhar com este negócio?
Contas feitas: pagam os munícipes, ganham as construtoras e a banca.
Resta-me, por que a data assim o requer, desejar aos leitores do Correio do Minho, bem como a todos os bracarenses, umas óptimas festas, e fazer votos para que o ano de 2014 seja preenchido de grandes realizações colectivas, proporcionando uma vida melhor para todos.

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