Correio do Minho

Braga, terça-feira

E se Tino de Rãs fosse eleito Presidente da República?

Sem Confiança perde-se a credibilidade

Ideias

2016-01-10 às 06h00

Artur Coimbra

1. As eleições para a Presidência das República realizam-se dentro de quinze dias, exactamente e a campanha decorre com absoluta indiferença por parte da maioria dos eleitores, mais preocupados com o decurso do seu dia-a-dia do que com a substituição do pior Presidente da República da Democracia. Uma sondagem da Eurosondagem para o Expresso e a SIC, divulgada no fim-de-semana refere que Aníbal Cavaco Silva, no último mês em que aparece como Presidente da República, pois em Fevereiro já deverá ser o Presidente da República... cessante, regista a sua pior popularidade destes últimos dez anos.
Nunca os portugueses tiveram uma opinião tão negativa sobre a actuação do chefe do Estado como agora.
O que significa que se o actual titular da Presidência da República bateu no fundo da consideração dos portugueses, tudo o que venha a seguir só pode ser melhor. Seja quem for.
E se Vitorino Silva, mais conhecido por Tino de Rãs, fosse eleito Presidente da República? - titulamos, provocatoriamente, este texto. Em teoria, é óbvio que tudo é possível, bastando que os eleitores nele votassem maioritariamente, num fenómeno que seria “caso de estudo”, mas na prática sabemos de certeza certa que um candidato com as características daquele velho admirador de António Guterres, que já foi presidente da Junta de Freguesia e que recolheu as 7500 assinaturas necessárias para a sua propositura na Praia da Rocha, enquanto se encontrava em férias, não tem qualquer hipótese de lá chegar. Cumpre certamente os requisitos legais, mas não dispõe de apoios nem da formação mínima necessária para ascender ao mais alto cargo da Nação. No Brasil, um electricista chegou a Presidente da República e foi reeleito, Lula da Silva, mas em Portugal dificilmente um caso destes aconteceria. E na verdade, não deixando de ser um homem bom, competente na sua profissão e com algumas ideias, dificilmente se poderá conceber um homem como o Tino de Rãs a presidir a um Conselho de Estado ou ao Conselho Superior das Forças Armadas, a discursar no 25 de Abril na Assembleia da República, a circular pelo país por entre municípios e universidades, a receber protocolarmente os chefes de Estado e de governo de outros países, a deslocar-se a diferentes Estados estrangeiros, a visitar o Papa, etc. Argumentar-se-á: e porque não? Responderei, sem a menor ofensa ao visado: porque não!... Seria objecto de riso pelo país e pelo mundo, seguramente, e não estão em questão as suas qualidades.
Tino de Rãs não tem, na minha perspectiva, o perfil para constituir um estadista que se exige no topo do Estado português. Como outros candidatos também não têm, cada um a seu modo.
Aliás, surpreende a quantidade excessiva de candidatos a estas eleições, com apoio de partidos, sem apoios partidários ou até fracturando partidos. O que originou um rosário interminável de debates televisivos, com os mesmos candidatos sucessivamente em diferentes canais, que não houve a mínima pachorra para acompanhar. Talvez não fosse má ideia ir-se pensando numa espécie de “primárias” para ir eliminando os candidatos que se apresentam para encher balões e apenas promoverem a sua vaidade, sem a mínima hipótese de terem votação que se veja.
Porque, manifestamente, e a não ser que surja alguma surpresa de última hora, há porventura três candidatos com hipóteses de virem a ganhar as eleições. São eles Marcelo Rebelo de Sousa, Sampaio da Nóvoa e Maria de Belém, dependendo de quem vá à segunda volta, em a havendo.
São esses os candidatos a considerar. Todos os outros andam pelas ruas, pelos jantares e pelos media a marcar presença partidária, ou ideológica, ou programática, ou cruzadística. Mas sabendo perfeitamente que não logram obter votação com alguma expressão.
2. No rescaldo de um dos debates desta semana, entre dois candidatos a finalistas, Marcelo e Sampaio da Nóvoa, o mais “quente” até então, o Professor puxou dos galões da sua alegada experiência política e terá afirmado (não ouvi) que tinha mais condições para ser Presidente pela sua experiência política. Ora, tanto quanto se sabe, nunca foi Presidente da República, portanto também não tem experiência no cargo. Que experiência tinha o General Ramalho Eanes quando foi eleito um dos melhores titulares do cargo no Portugal Democrático?
Depois de ouvir Sampaio da Nóvoa acusá-lo de incoerência e de dizer 20 coisas e o seu contrário, Marcelo acusou-o de ser um “candidato de facção”. O que são o PSD e o CDS, que já manifestaram apoio a essa candidatura, se não uma facção do eleitorado, nesta altura, ainda por cima minoritária? E que foi o mandato último de Cavaco Silva se não um permanente facciosismo de direita, ele que havia sido eleito a vangloriar-se de ser o “Presidente de todos os portugueses”, que nunca foi? Quanto a facção, ficamos conversados.
Uma observação a raiar o ridículo: a dado passo, leio nos jornais, Marcelo terá afirmado: “vi-o aqui a desembarcar com uma carrinha de 6 pessoas. É um escândalo fazer campanhas caras em tempo de crise'. Esta é uma declaração absolutamente miserabilista, de pendor salazarento, de glorificação da pobreza e da miséria, tanto mais grave quando se sabe que Marcelo alardeia uma campanha pobre porque aproveitou dez anos de exposição mediática e tem televisões e jornais a propagandear a sua imagem, como o fizeram despudoramente o Público e o Sol da semana passada, com duas dezenas de páginas de pura propaganda, em pleno período eleitoral!... Um candidato sério e democrata, defensor do princípio da igualdade de tratamento dos candidatos, teria recusado aqueles fretes, numa altura destas!...
De resto, Marcelo Rebelo de Sousa tem sido uma desilusão, passando a vida a fazer-se de morto, para não perder votos.
Às perguntas que escapam ao trivial, vai afirmando que nunca ouviu, nunca viu, não soube, não sabe, não apoiou, não foi exactamente daquela maneira, foi de outra forma. 
Assim, vai tentando passar entre os pingos da chuva até 24 de Janeiro, tentando não fazer ondas e não descapitalizar o voto do Portugal mais rural e provinciano…
3. O “governo novo” de António Costa começa a dar evidentes (bons) sinais de inverter a lógica austeritária, miserabilista, troikista, do governo de direita que deveria ser criminalizado (tal como o BCE, que poderia ter poupado 1,7 mil milhões de euros aos contribuintes portugueses) por ter deixado deliberadamente adiar a solução do BANIF, por meros motivos eleitoralistas, de que resulta um buraco financeiro colossal que os portugueses vão ser compelidos a pagar mas deveriam também obrigar a responder nos locais devidos os directos responsáveis pelo descalabro, ou seja, os governantes anteriores e o governador do Banco de Portugal.
A redução do IRS, a reposição dos feriados, mudanças no sistema escolar, o fim da penhora das habitações por dívidas fiscais, são marcas de um novo paradigma, em favor dos portugueses!
Já fazia falta um governo assim!

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