Correio do Minho

Braga, quinta-feira

É precisa uma Primavera política em Portugal

Um futuro europeu sustentável

Ideias Políticas

2012-03-20 às 06h00

Pedro Sousa

Amanhã, 21 de Março, inicia-se mais uma Primavera. Primavera, entenda-se, como a estação do ano das flores, do florescimento, das cores, da alegria, da vivacidade.
Pena que amanhã não se inicie, também, uma Primavera política e económica para Portugal e para os Portugueses.
O desemprego atingiu no último mês números demasiado alarmantes, que podem, no limite, não sendo desejável que assim aconteça, fazer perigar a paz social.
O Governo, autista, altivo, defensor das suas verdades absolutas, prossegue o seu caminho mais troikista que a troika.

Como se o memorando da Troika não fosse, já de si, difícil para os portugueses, o Governo acrescentou, nos últimos oito meses, cortes, tesouradas e outros golpes em tudo o que podia. Cortou nos direitos dos trabalhadores, cortou nos subsídios, cortou nos feriados (aí cortou na nossa identidade, na nossa história, no nosso património cultural), cortou na saúde, quer cortar nas freguesias e tem cortado a torto e a direito, naquele que é, sem sombra de dúvidas, o grande motor de transformação de um país, a Educação.
O empréstimo financeiro concedido pela Troika a Portugal teve, apenas, como objectivo resolver a prazo a questão financeira do deficit das nossas contas públicas.

O programa de assistência financeira e o actual Governo ignoraram, contudo, o problema do crescimento, actor principal para vencermos a crise que actualmente vivemos. O programa de assistência financeira e o actual Governo ignoraram, também, o crescimento galopante do desemprego, o aumento da precariedade do trabalho, o crescimento da pobreza e das desigualdades sociais.

É impossível não perceber, a não ser por preconceito ideológico, que não havendo crescimento económico, não haverá progresso económico, não haverá criação de emprego e a população portuguesa corre o risco, cada vez mais real, de entrar num contexto de recessão endémica, de recessão atrás de recessão, de onde teremos muitas dificuldades de sair, lançando Portugal e os Portugueses para um quadro de pobreza extrema.

Justificar-se-á pedir tantos e tão pesados sacrifícios aos Portugueses se as perspectivas são de o desemprego continuar a subir e a economia real a definhar?
O Governo vem anunciando, de há uns meses para cá, que promoverá uma agenda para o crescimento, que vai anunciar medidas de apoio ao emprego mas passam-se as semanas, passam-se os meses e nada se vê. O País real encarrega-se todos os dias de nos apresentar um cenário mais negro, mais difícil.

A agravar tudo isto os regimes de excepção criados para algumas empresas e instituições públicas. Vergonhosas, escabrosas até, as excepções para o não corte dos subsídio de férias e de Natal na Caixa Geral de Depósitos, na TAP e no Banco de Portugal.
Portugal, sob a liderança deste Governo, é hoje um país mais injusto, mais desigual, com Portugueses de primeira e Portugueses de segunda.

As classes sociais mais desfavorecidas e a classe média em especial entrarão, a manter-se o actual estado de coisas, em situação de grande desespero, o qual é, como sabemos, mau conselheiro.
O Governo, fechado no seu mundinho, diz que tudo vai fazer, que tudo vai mudar, que os amanhãs vindouros são de esperança renovada. Pena que quase tudo aquilo em que o Governo foi mexendo nos últimos meses tenha efectivamente significado mudanças mas para pior.

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