Correio do Minho

Braga, sexta-feira

É fartar ... vilanagem!

Portugal Menos, Portugal Mais

Ideias

2017-12-29 às 06h00

Borges de Pinho

Para o “insosso” e “desmemoriado” Costa, 2017 foi um ano «saboroso», ao contrário de todos quantos, com paladar normal, senso, sensibilidade e cabeça no lugar, consideram um ano catastrófico, trágico, cruel, seco, de morte e luto. Com uma memória curta ou de mera conveniência e uma insensibilidade tão bizarra quanto cruel, já se esqueceram os incêndios, as mortes, o roubo de armas, a legionela, o “pagode” no Panteão, etc., e apenas se vivenciam e projectam a ida de Centeno para Bruxelas, o défice conseguido, as estatísticas, simpáticas, o desemprego em baixa e a “esquisita”retoma duma economia problemática, minimizando-se os volume da dívida pública, avisos e receios da C.E.E.

Mas para Costa foi saboroso já que, ao colo da Catarina e Jerónimo e apesar das “cambalhotas”, foi aprovado o orçamento e mantém-se no poder, todo ufano, risonho e cada vez mais nédio, numa vergonhosa promiscuidade de amiguismos e compadrios, vivendo-se um “fartar vilanagem”. Aliás importa tão só “usar” a política e “usufruir” de cargos, mordomias e dinheiros públicos, subir socialmente e na vida, e oportunamente “fechar de olhos” e “encolher de ombros” em conivência e amizade.

O caso de “Raríssimas”, uma IPSS politicamente incómoda devido a uma mão cheia de promiscuidade, factos e situações envoltas em sérias suspeitas e veladas acusações, surge-nos como um episódio bizarro de “contaminação” e irregularidades com reflexos perversos nas áreas da política e governo, afectando muitas outras IPSS nas suas credibilidade e subsistência devido a naturais dúvidas. Aliás as circunstâncias reveladas nos media só surpreendem quem não venha atentando nos “malabarismos” e “arranjinhos” dos políticos, e suas promiscuidades e “contaminações” entre compadrios e amiguismo, que “vingam” como lei e “ética” do poder.

Vieira da Silva, um ministro admirado por alguns “crentes”, acusa “pecadilhos” e falhas quanto à Segurança Social e às IPSS, vivenciando amizades, defraudando responsabilidades e acção com a bizarra tese de ignorância e desconhecimento, e “não vendo” o que se passava na “Raríssimas”, a instituição que nos “últimos 5 anos (...) recebeu do Estado 5 milhões de euros” e que desde Maio de 2017 viu quadruplicar o financiamento, passando “de 287,6 mil euros para mais de um milhão de euros (1,211 milhões de euros)” (DN, 14.12.2017).

Aliás V.da Silva, vice-presidente da Assembleia Geral dessa IPSS de 2013 a Novembro de 2015, foi aprovando contas, concordando com os actos e intenções da presidente para a transformar em fundação, pelo que é difícil acreditar que nunca se tivesse apercebido da concreta gestão de quem se apresentaria como “dona e senhora” de tudo, e desde há 15 anos, vivenciando mordomias,“cultivando” a imagem, relações sociais e conhecimentos, e desfrutando dos dinheiros que corriam na associação, ajoujados à sua presença e função, e ao BMW a seu serviço.

Já no governo, continuou a haver um estreito relacionamento e contactos entre ministro e a presidente num quadro de velhas relações de amizade e familiares, tendo assinado um protocolo com uma instituição sueca congénere e se deslocado à Suécia a 16-11-2017 onde os dois teriam visitado tal instituição. Aliás, denotando estreitos relacionamento, amizade e conhecimentos, em Fevereiro de 2016 aceitou uma homenagem de tal IPSS e que o seu nome fosse dado a uma sala na Casa dos Marcos, na Moita, e sua mulher, a deputada Sónia Fertuzinhos, viajou nos dias 8 e 9 de Setembro de 2016 para a Suécia a convite e a custos, diz-se, da “Raríssimas”.

Mas apesar de todos estes contactos, funcionais e outros, V.da Silva pouca ou nenhuma importãncia atribuiu às queixas e acusações que lhe chegavam quanto à situação e gestão de tal senhora na instituição, e muitas foram, só agora ordenando uma auditoria às contas, sendo que conhecimentos pessoais e relações de amizade de modo nenhum desculpam ou explicam o desconhecimento, “encolher de ombros” e “fechar de olhos” do ministro quanto ao que acontecia, até face ao aparato e atitudes no concreto da vida e acção da presidente Paula Costa, elementos da instituição, e ... queixas existentes.

Falando-se em gestão danosa, importa dizer-se que a senhora, a quem chamam doutora, trabalhara num quiosque nas Avenidas Novas, teria sido modelo e casou com Nelson Costa, mestre em artes marciais e antigo treinador do Sporting, teria estudado filosofia sem concluir o curso e frequentado certos cursos de formação, tal como o filho, a expensas da “Raríssimas”, onde aliás trabalhava o marido, ganhando 1300 euros. Paula Costa que, após rebentar o escândalo, se demitiu de presidente, entregou o BMW e se manteve como directora-geral na Casa dos Marcos até ser suspensa, diz-se inocente e nega qualquer gestão danosa. Aliás justifica os vestidos caros e a compra de certos produtos (v.g. gambas) “como «necessários» para divulgar a causa”, isto é “parceiros, mecenas e apoiantes da “Raríssimas” nacionais e internacionais (...) e estas refeições eram realizadas no domicílio da senhora presidente”. Uma gestão danosa a confirmar ou não com a auditoria que V.da Silva mandou agora efectuar às contas, mas o caso vêm-se “desembrulhando” em suspeitas e queixas, com a ex-presidente, após “estacionar” o BMW, a ”cair” a contragosto em processo disciplinar e criminal, neste já como arguida, com buscas e notações de eventuais crimes.

O escândalo, diga-se, “rebentou” após uma entrevista na TVI e ter vindo a público as viagens da presidente com Manuel Delgado, ex-secretário de Estado da Saúde que antes de ir para o governo, e entre 2013 e 2014, recebera 63.000 euros por serviços prestados à “Raríssimas”.

Como uma viagem a Paris, “marcada” por umas fotografias evidenciando relações especiais e pessoais com a Paula, o que levou o governante a pedir a demissão “por grave violação de privacidade” e a ser logo substituído, mesmo com o Costa ausente, por outra figura no “aparelho” do PS, a líder da A. R. de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, e da “família”!... Rosa Zorrinho, mulher do eurodeputado Zorrinho, cujo nome não se esquece, aliás como é difícil esquecer o “festival” de “folclore” da nova Secretária, que, após a posse, e apesar das circunstâncias e local, “explodiu” em alegria e quase se pôs aos saltos. E não faltaram sorrisos, risinhos, abraços efusivos e beijos a granel, o que se explica porque o “aparelho” socialista funciona no já usual quadro de uma “consanguinidade político-familiar”, tão a gosto de Costa, com a Rosa a entrar «na família do governo” e num “clube” de familiares e compadres . Aliás em termos de consaguinidade político-familiar já estão no governo como ministros o casal Cabrita ( Eduardo e Ana Vitorino) e V.da Silva ( a companheira é a deputada Sónia Fertuzinho), e como secretários a Mariana (filha do último), a Maria Manuel Marques (mulher do ex-deputado Vital Moreira),o António Mendonça (irmão de Catarina Mendes, deputada e secretária-geral adjunta do PS), e Guilherme W. O. Martins ( filho do Oliveira Martins, ex- ministro do PS), pelo que se conclui que nas escolhas e nomeações se privilegiam amiguismos e familiares, e não o mérito.

O que não espanta, tal como as gestões danosas, pois vive-se numa democracia fechada em círculos e compadrios onde vinga um “fartar vilanagem”, e se perdeu a vergonha, a honra e a ética. As “famílias” políticas apenas têm interesse em “viver”dos dinheiros públicos e “vivenciar” honras e mordomias, “fechando os olhos” ou “encolhendo os ombros” aos actos dos comparsas. Aliás Pedro Pereira, da Comissão Nacional do PS, condena “esta espécie de monarquia que se instalou no PS e no governo”, que “tem inúmeros casos de ligações familiares, que envergonham qualquer cidadão que tenha princípios éticos” (JN18.12.2017).

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