Correio do Minho

Braga, sábado

E depois das férias...

Investir em obrigações: o que devo saber?

Ideias

2010-09-10 às 06h00

Margarida Proença

Vamos olhando para os dados estatísticos e para todas as restantes novidades sempre com expectativa positiva, mas nem as férias conseguem milagres.
Os últimos dias, então, têm sido impressionantes. Desde o bom aluno de medicina que degola a mãe, o verão terrível que foi nas estradas portuguesas e que culmina agora com o acidente em Marrocos, ao triste espectáculo a que assistimos na sequência da leitura do acórdão da Casa Pia e em que os meios de comunicação foram parte relevante, até ao folhetim em que se tornou o caso do treinador Carlos Queirós, o ruído sobre as câmaras que continuam a pensar que tem mais vantagens ter escolas abertas com meia dúzia de crianças e professores desmotivados, está difícil.

E depois olhamos para a economia. As despesas públicas têm de diminuir, já todos sabemos disso. Mas aparentemente em Portugal, de acordo com o INE, no segundo trimestre deste ano, aumentaram fundamentalmente porque - veja-se! - as despesas militares agravaram o défice em 0,3%. Parece que chegou a conta dum famoso submarino que o então ministro da Defesa Paulo Portas decidiu comprar, o Tridente. E isto representa mesmo só dinheiro gasto do “nosso” bolso, porque uma vez que o dito foi importado, o PIB português ficou na mesma.

E entretanto, os políticos e comentadores entretêm-se a discutir os cenários sobre a aprovação do Orçamento de Estado para 2011. Dá de certeza para vender jornais e justificar tempo nos restantes media, mas tristes de nós - todos - se isso não acontecer. Porque os investidores internacionais, a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu, a economia no seu todo pedem estabilidade, confiança e compromisso.

O consumo público está a crescer, segundo o INE, ao ritmo mais rápido desde 1998. Resulta obviamente da intervenção do estado na economia em 2009, mas temos de ter consciência que não pode continuar a estes níveis. Em 2008, Portugal gastava 6% do PIB em educação, mais do que a média dos 27 países membros da U.E., e tinha resultados inferiores. 17,5% do PIB era gasto em protecção social, bem acima dos 13,9% em Espanha.

E que aliás já estão a ser criados problemas complicados; um dia destes, um director de produção de uma grande empresa contava-me que na sequência de um processo de selecção, a pessoa escolhida não tinha aceitado o lugar porque em termos reais ficaria a ganhar tanto como o subsídio de desemprego que recebia. Pois. E o custo do trabalho vai subindo.

E os dados do Eurostat indicam para Portugal um crescimento de 0,2% no segundo tri-mestre quando comparado com o trimestre anterior (1% na U.E. a 27). Igual ao que aconteceu na Espanha. E os empresários não investem, e o investimento público em que todos vão batendo, também não descola. Entretanto, como gostamos de gastar, as importações lá vão subindo, e dado que continuamos a privilegiar a Espanha como parceira comercial, e a vida por lá também não está famosa, as exportações subiram, mas não tanto como poderiam.

E para fechar tudo, saiu na quinta-feira o relatório sobre competitividade do World Economic Forum, que indica que Portugal caiu três posições.

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