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Ideias Políticas

2015-10-06 às 06h00

Carlos Almeida

Retomo hoje as crónicas no Correio do Minho. Não regressei mais cedo, logo a seguir ao mês de Agosto, como habitualmente, por motivos relacionados com as eleições e as regras democráticas. Tenho, no entanto, a oportunidade de escrever poucas horas depois do acto eleitoral que determinou essa situação. Obviamente, será sobre isso que versarei. Outra coisa não seria esperada, sequer compreensível.

Começo pelo mais custoso, mas que deve ser assumido: a coligação PSD/CDS, apesar de ter arruinado a vida a uma larga maioria de portugueses nos últimos quatro anos, conseguiu o que eu, e muita gente, julgava não ser possível, e foi a candidatura mais votada nas eleições de Domingo passado. Não é à toa que não digo que a coligação PSD/CDS “saiu vitoriosa” ou “ganhou as eleições”. Na verdade, penso que as perdeu. Isso é irrefutável, uma vez que PSD e CDS juntos perdem 12% da sua anterior influência eleitoral, deixam fugir mais de 730 mil votos, perdem 25 deputados e não atingem a tão desejada maioria absoluta no parlamento. Hoje são mais os portugueses que estão contra o governo PSD/CDS do que os que estão a favor.

Eu sei: mesmo assim, muitos perguntar-se-ão como foi possível a coligação de Passos e Portas aguentar-se depois de tantos sacrifícios impostos aos portugueses. Sinceramente, não tenho certezas para essa pergunta, mas sei que nos processos eleitorais há muitos dados a ter em conta. Não se tratam, pois, de processos justos dos quais se possa tirar uma correspondência directa da vontade popular. Os meios e as condições com que as candidaturas se apresentam aos eleitores não são iguais. E neste âmbito, a comunicação social tem uma palavra determinante.

Note-se, por exemplo, que não houve um único debate televiso entre as diversas candidaturas. Atente-se, por força do seu carácter discriminatório, ao facto de a coligação PSD/CDS ter tido direito a um representante de cada um dos partidos que a constituem nos debates televisivos, ao contrário da coligação PCP/PEV, por exemplo.

Ou seja, Passos e Portas, concorrendo na mesma candidatura, tiveram, cada um deles, a oportunidade de debater separadamente com as outras candidaturas. Registe-se as sondagens, agora em modo “diário”, que não procuraram senão influenciar os eleitores com o objectivo de garantir a maioria absoluta à direita. Não, não são desculpas, são factores que determinam - e muito - a forma como se dão os acontecimentos, e, podendo não explicar tudo, explicam muito.

Por outro lado, é verdade que também não posso estar plenamente satisfeito com o resultado da CDU. Não nego que esperava, e entendo que merecia, mais, muito mais. Principalmente, depois de tudo que fez, do combate que deu ao governo durante os 4 anos, depois de tantas lutas em que tantas vezes mais ninguém esteve, depois da campanha de esclarecimento na rua, do contacto directo com tantos e tantos de eleitores, sem mentiras nem falsas promessas.

No entanto, também é verdade que a CDU já não tinha um resultado assim desde 1999 - subiu na percentagem, no número de votos e reforçou com mais 1 deputado o seu grupo parlamentar. E isso, aliado à possibilidade de se formar uma oposição maioritária à coligação PSD/CDS, pode fazer toda a diferença nos tempos que aí vêm.

O PS, que tanto se queixou de ser injustamente colado às políticas da direita, tem agora uma real oportunidade de mostrar que os que o acusaram estavam enganados. E se o PS não trair os eleitores de esquerda, pode ser constituída uma maioria parlamentar que fuja ao caminho de mais austeridade e mais sacrifícios e defenda os interesses do povo e do país. Agora que as cartas estão na mesa, veremos quem é quem.

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