Correio do Minho

Braga, quinta-feira

Dupla comemoração

‘O que a Europa faz por si’

Escreve quem sabe

2016-04-08 às 06h00

Carlos Alberto Pereira

No dia de hoje, gostaria de partilhar dois temas que marcaram e marcam a vida dos bracarenses, em particular, e dos portugueses, em geral, e que, de certa forma, são dois dos pilares do Escutismo, um no domínio da estratégia educativa e o outro no domínio dos conteúdos.
A Lei do Escuta, no seu artigo oitavo diz que ”O Escuta tem sempre boa disposição de espírito” e, por isso, desde o início, o Fundador incorporou a música na sua estratégia educativa, ao repertório inicial, composto por canções populares, rapidamente foi enriquecido por outras composições especificamente compostas sobre as temáticas escutistas e dirigidas aos variados momentos de vida, quer na sede, quer no campo.
Ora, no passado dia 31 de março, o Conservatório de Música Calouste Gulbenkian de Braga comemorou o 45.º aniversário da inauguração do belíssimo edifício onde está instalado e que foi construído pela Fundação Gulbenkian que, por isso, lhe deu o nome. Este edifício permitiu dar uma outra dimensão ao projeto da D. Adelina Caravana, professora de piano do nosso burgo, que foi a Fundadora do Conservatório Regional, dez anos antes, em 1961 e que, no dia sete de novembro próximo, celebrará o seu 55.º aniversário.
Graças à implementação do projeto da Drª Madalena Perdigão, o Conservatório atingiu uma nova dimensão, tornando-se uma verdadeira escola das artes: Música, Dança, Artes visuais, Fotografia e Escultura, integradas.
Após a entrega do edifício ao Ministério da Educação, pela Fundação Gulbenkian, o projeto foi perdendo amplitude, ao ficar reduzido aos cursos de música e a um curso livre de dança. Contudo, foi ganhando em profundidade, isto é, de “escola de província” com um sistema integrado, herdado da visão da Drª Madalena Perdigão, o Conservatório foi conquistando espaço até ser considerado como modelo a seguir no sector público do ensino especializado de música. Esta evolução, que o levou ao patamar de excelência, ficou a dever-se ao sentido de missão e qualidade profissional do corpo docente e não docente, à vontade dos alunos e ao empenhamento das famílias e ao carinho acolhedor da comunidade bracarense. Este tripé de excelência ganhava consistência com o um projeto educativo verdadeiramente singular e um plano de atividades, letivas e não letivas, verdadeiramente impressionante onde até a luz do sol dava, ainda, mais poder aos alunos que eram, são e serão sempre o centro da preocupação e da ação educativa, emprestando-lhes o brilho de Apolo.
Os jovens, enquanto alunos, atletas, escuteiros ou artistas, têm na cidadania, a condição de materialização do ser humano, onde o saber é um ponto de partida para desenvolver as suas capacidades realizadoras com criatividade, isto é, o saber fazer, que serão incorporadas, dando corpo, nas suas atitudes e caráter, ao ser que se vai desenvolvendo, num ambiente de compreensão e aceitação, onde os valores humanos, constitucionalmente consagrados vão sendo responsavelmente vividos, banhados pelo brilho da liberdade, da igualdade e da solidariedade. Preparan- do-se para serem as pessoas que, muito em breve, vão liderar as nossas associações, instituiçõ-es, comunidades e o nosso país.
Também se comemorou, no passado dia dois de abril, o 40.º aniversário da aprovação da Constituição da República Portuguesa. Uma palavra de apreço para os artífices que souberam dar forma a esta que é uma das Joias de Abril e que graças ao seu esforço, dedicação, competência e visão plural souberam dar forma e conteúdo a esta que é e será sempre um obra de arte de valor incalculável e que, na medida em que vai incorporando os novos valores nos tempos novos se vai tornando cada vez mais bela, continuando a ser um marco histórico de mudança nas nossas vidas individuais e coletivas na busca incansável da perfeição que, como os constituintes sabiam, como também nós sabemos, está sempre um pouco mais além...
É esta busca da perfeição que torna o serviço, sim, o serviço público um caminho sempre inacabado, mas sempre realizado, ao longo de várias gerações, por tantas mulheres e homens da nossa sociedade que, desta forma, honram e homenageiam os constituintes de setenta e seis.

Deixa o teu comentário

Últimas Escreve quem sabe

13 Novembro 2018

À descoberta de Guadalupe

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.