Correio do Minho

Braga, segunda-feira

Dois anos de Unidade de Tratamento Mecânico e Biológico

Vale a pena a vacinação contra o HPV no sexo masculino?

Ideias

2018-02-21 às 06h00

Pedro Machado

Oprimeiro projeto a nível nacional a ser apresentado no âmbito da ENRRUBDA (Estratégia Nacional para a Redução de Resíduos Urbanos Biodegradáveis Destinados a Aterro), apresentado pelo então, Secretário de Estado do Ambiente, José Eduardo Martins foi apresentado pela Braval.
Tratava-se de um projeto para valorizar a totalidade dos resíduos urbanos orgânicos, conjuntamente com os sistemas Resulima e Valorminho, um investimento de 23 milhões de euros.
Como os Fundos Comunitários do II QCA já estavam absorvidos, apresentamos uma estratégia de rateio, com o então Ministro do Ambiente Nobre Guedes, fazendo uma candidatura em 2 fases. Assim, a TMB significou um investimento de aproximadamente 20 milhões de euros (9 milhões na Iª fase e 11 milhões na 2ª fase) co-financiado pela União Europeia, apoiado em 69% pelo Fundo de Coesão (QCA III), na Iª fase, e em 85% pelo QREN POVT, na IIª fase.

Iniciamos a primeira candidatura em 2009, depois de aprovada, esperamos cerca de 2 anos pela resposta da DGEG (Direção Geral de Energia e Geologia) ao PIP (Pedido de Informação Prévia), para que fosse autorizada a introdução de energia elétrica na rede. Só em 2011 foi iniciada a obra da Iª fase. Voltamos a repetir o processo para a IIª fase, iniciando a obra em 2013.
Depois deste longo processo, só a 19 de fevereiro de 2016, há precisamente 2 anos, foi inaugurada a Unidade de Tratamento Mecânico e Biológico (TMB), em cerimónia presidida por sua Exa., o Ministro do Ambiente, Eng.º João Pedro Matos Fernandes.

Nestes 2 anos, a TMB recebeu cerca de 140.000 toneladas de resíduos sólidos urbanos, desviando cerca de 5.000 toneladas de resíduos recicláveis e tratando cerca de 75.000 toneladas de resíduos orgânicos. Este tratamento permitiu a produção de 7.300 MWh de energia elétrica.
Nestes 2 anos, os resultados foram alcançados com muitas dificuldades e esforço para, diariamente, melhorar os resultados da valorização, de resolver os problemas totalmente novos, de uma unidade com um funcionamento tão complexo.
A TMB reveste-se de grande importância para o tratamento de resíduos, na área da Braval, pois contribui, em grande medida, para alcançar os seguintes objetivos: reduzir a quantidade de resíduos urbanos biodegradáveis encaminhados para aterro; aumentar a quantidade de resíduos preparados para reutilização e reciclagem; valorizar os restantes resíduos que não possam ser reciclados, mas que possam ter outra valorização, evitando que o seu destino seja a deposição em aterro e a produção energética através da valorização do Biogás.

O alcance destes objetivos, por parte da Braval, será um importante contributo para que a empresa consiga cumprir com as ambiciosas metas definidas no PERSU 2020, e assim também poder contribuir para as metas definidas para Portugal pelas instâncias europeias.
No entanto, o trabalho efetuado na TMB não chega. Para que possamos atingir as metas impostas, é fundamental a separação dos resíduos para reciclagem e sua colocação nos ecopontos.
A Braval dotou a região do Alto e Baixo Cávado de uma infraestrutura de deposição de resíduos, construída de acordo com as normas mais exigentes a nível da União Europeia, investindo assim, numa tecnologia limpa visando desta forma investir no futuro do desenvolvimento económico e social sem comprometer as gerações futuras.

No entanto, é lamentável que, depois de tão grande investimento, o refugo da TMB (CDRs Combustível Derivado de Resíduos) continue a ir para aterro, cerca de 40.000 toneladas com potencial de valorização energética.
Na semana passado, verifiquei nos Alpes Italianos, a existência de várias unidades de incineração de biomassa florestal, que não têm qualquer problema na valorização desses resíduos, depois de triados, os restos são valorizados para a produção de energia elétrica.
Nós por cá, ao fim de 2 anos, continuamos a colocar resíduos com enorme potencial energético em aterro.
É urgente que depois deste grande investimento nas TMB, surjam estratégias REGIONAIS para arranjar uma solução de valorização energética para os refugos das TMBs, no Litoral Noroeste: desde Valença, Viana do Castelo, Esposende, Barcelos, Braga, Guimarães, até Vila Real.

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