Correio do Minho

Braga,

Doenças e curas

Está confirmado, vem aí o Natal

Ideias

2014-01-31 às 06h00

Margarida Proença

Por um daqueles imponderáveis que vão acontecendo, vi-me forçada a reconhecer a importância fundamental do serviço nacional de saúde, em particular dos cuidados hospitalares. Para além dos cortes orçamentais, da contração da despesa, do aprofundamento na utilização de regras de gestão mais eficientes, a minha experiência confirma-me as opiniões de estudiosos da saúde em Portugal que remetem a manutenção da sua qualidade, em particular, para a resiliência dos profissionais de saúde, isto é , para a energia que demonstram e para o enorme trabalho que desenvolvem, muitas vezes em condições de grandes stress.
As reformas na saúde - leia-se cortes, obviamente - não são característica de Portugal. Por toda a Europa, foram o resultado de contrações orçamentais e de cortes salariais, de restrições a novas contratações, de negociações com as empresas farmacêuticas para tornar possíveis preços mais baixos, de menos investimento público, do aumento das taxas pagas pelos utentes. Boa parte destas medidas foram implementadas nos países intervencionados pela troika, mas também na Finlândia, na Áustria, em Espanha entre muitos outros, ao mesmo tempo que contrariamente ao que se passa nos Estados Unidos por exemplo, a fração de seguros de saúde privados continua a ser relativamente diminuta. E curiosamente alguns países, como é o caso da França, introduziram no sistema de saúde público um mecanismo de penalização dos doentes que não cumprem as ordens médicas que lhes são dadas, levando a que tenham de pagar taxas mais elevadas. Mas em qualquer caso, a forte quebra nos níveis médios de rendimento, associadas ao envelhecimento populacional, tornaram ainda mais relevante, se possível, a importância de um serviço público de saúde.
Mas esta semana tem-se falado muito do tema recorrente que são as praxes. Acredito que é sempre a nossa experiência individual a filtrar os olhos com que vemos o fenómeno. Entrei na universidade no início da década de setenta, em Lisboa, e por essa altura havia questões importantes, verdadeira- mente importantes, que uniam os estudantes universitários e que os integravam: a guerra, o direito a reunir livremente, o direito a pensar e expressar livremente as opiniões, entre outras. A praxe, como tinha existido por décadas e décadas, de que se ouviam histórias um tanto românticas, um quanto tontas, era tradição coimbrã mas até aí tinha sido confrontada e praticamente desaparecera.
A humilhação e o desrespeito pelas pessoas não integram ninguém. Alunos envolvidos em práticas ofensivas para com terceiros devem ser penalizados, tal como ocorre com qualquer cidadão que o faça na via pública, em qualquer residência ou pela net. A criação de situações de elevado risco como as relatadas ao longo dos últimos anos, e a tragédia que se passou no Meco devem ser investigadas a sério e os seus intervenientes individualmente penalizados. Enquanto tal não acontecer, nada mudará, porque a probabilidade associada a uma penalização é nula e isso mesmo incentiva a manutenção dos comportamentos. Por outro lado, as universidades perdem muito mais não fazendo nada; o prejuízo na reputação é muito, muito superior a processos disciplinares bem conduzidos que culminem, se tal for o caso, pela expulsão dos autores de comportamentos excessivos. Finalmente, cabe ainda às instituições de ensino superior, através por exemplo dos seus serviços de ação social, a criação e eventual contratualização junto dos estudantes e das suas estruturas organizativas de mecanismos alternativos. Por exemplo, intervindo ao nível da responsabilidade social.

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