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Do Recolhimento até ao Hotel

O que podem esperar os portugueses em 2023?

Do Recolhimento até ao Hotel

Escreve quem sabe

2022-04-05 às 06h00

Margarida Pereira Margarida Pereira

No passado dia 28 de Março realizou-se, nos jardins do Recolhimento das Convertidas, a apresentação do Hotel Plaza Central.
Este novo hotel da cidade estará localizado na Avenida Central, no edifício contíguo ao Recolhimento, e será o segundo hotel de luxo do Grupo Hoti Hotéis na cidade, sendo o Meliã o primeiro.
A JovemCoop, assim como todas as entidades que compõem o CERPUB (Conselho Estratégico para a Regeneração Patrimonial e Urbana de Braga), teve an- teriormente a possibilidade de analisar a proposta do Grupo Hoti Hoteis, dando ainda o seu parecer quanto à sua construção.
É certo que devemos valorizar o crescimento turístico da nossa cidade e também procurar dar resposta ao aumento da busca de alojamento na cidade. Sendo o turismo um dos principais impulsionadores para o crescimento económico da cidade, este deve ser uma das apostas para a regeneração do centro histórico da cidade. Como é possível ver no projeto, o novo hotel irá respeitar e preservar as características do edifício já existente, o que para a JovemCoop seria fundamental.
No entanto, para além do edifício já existente na Avenida Central, será construído um segundo edifício, nas traseiras do atual, que terá cinco pisos. Segundo a arquiteta do projeto, o edifício “anexo” quase não terá visibilidade desde a Avenida Central, algo que a JovemCoop necessita discordar.
Acreditamos que ninguém estará contra a criação do Hotel e a valorização do edifício vizinho ao Monumento de Interesse Público. Contudo, sabemos que as traseiras dos edifícios daquele quarteirão são um espaço verde que é necessário ao centro histórico da cidade. Irá ser construído um edifício de cinco pisos, numa área que hoje é verde, o que levanta não só a questão da volumetria do edifício “anexo”, mas também o aumento de solo impermeabilizado da cidade. Braga precisa de espaços verdes, de solo que consiga absorver as águas da chuva, e não de um edifício com uma cércea desenquadrada, como está previsto. Se passar pela Avenida Central e projetar ali o edifício que irá ser construído, facilmente percebemos que, apesar deste ser recuado, a sua altura excessiva terá impacto em todo o quarteirão, ao contrário das imagens que foram divulgadas, onde quase não se vê o edifício.
A par desta apresentação o edil da cidade Ricardo Rio divulga ainda que têm sido dados passos para fazer do Recolhimento das Convertidas um equipamento cultural. Sabemos também que o hotel terá no seu interior um jardim público que fará ligação ao Recolhimento das Convertidas. Contudo, aceder a um Jardim Público pela antiga cerca do Recolhimento, implica desfazer parte desta cerca e convidar as pessoas a entrar no jardim pela Rua de S. Gonçalo, tornando aquele espaço num “beco”. Como associação de defesa e preservação do património não podemos deixar de realçar que a construção do novo hotel na sua totalidade irá, muito provavelmente, implicar explosões e grandes movimentações do solo. Todo esse movimento significa danos no edifício do Recolhimento das Convertidas que já se encontra num estado avançado de degradação e que necessita de proteção e não de mais ameaças.
Mais uma vez indicamos que não somos contra a valorização do edifício contíguo ao Recolhimento de Santa Maria Madalena, mas acreditamos que este projeto deveria ter sido ajustado à realidade onde se insere. Estes foram os motivos que levaram a JovemCoop e outras entidades a votar contra o projeto apresentado na última reunião do CERPUB, mas que acabou por ser aprovado. Estranhamos como este projeto, agora apresentado, não tenha merecido nova reunião do CERPURB.
Estamos certos de que o Município terá analisado qual será a melhor forma de preservar o Recolhimento das Convertidas assim como a sua Capela, não esperando que aconteçam os danos para depois tentar remediar a situação. A reabilitação do edifício das Convertidas é, há vários anos, defendida pela JovemCoop juntamente com outras entidades da cidade. Esperemos que, no ano em que comemora 300 anos, o Recolhimento das Convertidas veja um futuro melhor do que aquele que teve nos últimos 25 anos.

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