Correio do Minho

Braga, quarta-feira

Do novo tempo às velhas políticas

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Ideias Políticas

2014-09-30 às 06h00

Carlos Almeida

Um ano é o tempo que nos separa do dia em que os eleitores de Braga escolheram a coligação de direita - PSD/CDS/PPM - para governar o município. Passado que está o primeiro quarto do mandato que lhes foi confiado, julgo ser altura para um primeiro momento de avaliação.
O que mudou, afinal, em Braga neste último ano? Seria desonesto se dissesse que nada. Mudou, efectivamente, o estilo de governação que agora aparenta ser mais aberto e comunicativo.

Mudou também, e desde logo, porque foram revogadas algumas decisões da anterior maioria. Não ignoro também algumas apostas na mobilidade e na cultura, nomeadamente na TUB e no Theatro Circo, cujas estratégias parecem estar a alcançar bons resultados. Saúdo ainda o caminho que se está a traçar para as Sete Fontes, ainda que muito esteja ainda por fazer.

Mas seriam estas, apenas, as mudanças desejadas pelos bracarenses quando depositaram o seu voto na coligação liderada por Ricardo Rio? Não estariam à espera de mais, de uma verdadeira ruptura com as velhas políticas? Quer-me parecer que sim. Estou certo de que era essa a motivação maior de todos os que, mesmo duvidando da fiabilidade da candidatura de direita, queriam ver pelas costas a equipa do Partido Socialista e, como tal, atiraram no escuro.

O problema veio depois. Como sempre disse, não bastava “arrumar” com a maioria “socialista”, era preciso garantir que outros, com objectivos semelhantes, não lhe tomassem o lugar. Infelizmente, assim foi e não precisamos esperar muito para perceber ao que vinha a nova maioria na Câmara de Braga.

À medida que as cadeiras de assessoria vagavam, com a saída dos jovens “rosa”, encaminhavam-se em grande correria os jovens militantes das estruturas partidárias da coligação e ainda uns outros que, sob a capa do associativismo, lá foram ajudando a montar o paraíso na terra prometido por Ricardo Rio.

Os favores também não foram esquecidos. Se é verdade que no passado muitas foram as acusações de clientelismo em torno da governação de Mesquita Machado, não é menos verdade que, ao fim de um ano, são já quanto baste as que ensombram a liderança de Ricardo Rio, depois da entrada em cena de empresas e prestadores de serviços oriundos da família social-democrata.

O problema maior é que os aspectos negativos não se ficam por este tipo de situação. Também no plano político este primeiro ano de governação deixou muito a desejar. Ricardo Rio dizia nas suas primeiras palavras na noite eleitoral que “não podia defraudar as expectativas a ninguém”. Penso que é isso mesmo que hoje está a acontecer. Desconte-se os anúncios, as entrevistas encomendadas (umas mais que outras, é certo), as declarações de boas intenções e veja-se o que resta. Muito pouco. No fundamental, nas matérias mais importantes, Ricardo Rio falhou e ficou muito aquém do que havia prometido.

Falhou porque apresentou um orçamento para o primeiro ano de mandato que mais não é do que um filho legítimo da política do passado, marcado por um investimento muito reduzido.
Falhou porque não resolveu a concessão do estacionamento pago na via pública.

Falhou porque, ao contrário do que sempre prometeu na oposição, não reduziu as taxas de IMI.
Falhou também porque havia dado a garantia de que encontraria uma saída para o buraco da piscina olímpica e mais não fez senão uma vistoria ao local.

Falhou ainda porque permitiu que a AGERE se tornasse cada vez mais uma empresa orientada pelos interesses privados, tendo como consequência mais visível um novo aumento na factura paga pelos cidadãos.

Falhou, acima de tudo, porque não foi capaz de trazer para a agenda política novas prioridades e continua a preferir o festim mediático e as celebrações de rua em claro prejuízo de uma forte aposta na rede e serviços escolares e nas políticas sociais.
Bem sei que um ano de mandato é ainda pouco tempo para uma avaliação mais rigorosa, mas também estou certo de que a amostra deixa antever dias piores num futuro próximo.

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