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Do excessivo Marcelo à taxação dos lucros pornográficos!!!

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Do excessivo Marcelo à taxação  dos lucros pornográficos!!!

Ideias

2022-09-25 às 06h00

Artur Coimbra Artur Coimbra

1. O Professor Marcelo Rebelo de Sousa, que chegou a Presidente da República numa caminhada meticulosamente preparada por anos seguidos de televisivas homilias dominicais, é um doce de homem, publicamente simpático, risonho, uma figura de proximidade, às vezes até excessiva, que contrasta profundamente com o anterior inquilino do Palácio de Belém, caracteri- zado pela sisudez marmórea da múmia.
É um gosto ouvir um líder que, não sendo originariamente do povo, pois nasceu em berço de oiro, fala para o povo, numa linguagem acessível e que todos entendem sem necessidade de recorrer a um dicionário.
Todavia, um Presidente da República não é eleito para falar à comunicação social, sempre agarrada à agenda de Marcelo como lapa à rocha, de manhã, ao meio dia, a meio da tarde e à noitinha. Para isso, os portugueses tinham eleito um comediante ou um declamador, que sempre ficava mais barato e mais divertido, não havendo necessidade de os contribuintes suportarem sucessivas viagens de Sua Excelência a tudo quanto é país, a propósito e a despropósito de tudo e de nada…
Marcelo é um excesso, não apenas nas inumeráveis viagens, em que obviamente não vai sozinho, mas na necessidade imperiosa que tem de ocupar o espaço mediático com as suas impressões, as suas vontades, os seus desejos, as suas análises, as suas expectativas, as suas pressões sobre outros agentes políticos com tanta legitimidade quanto a dele.
Aí se enquadram as persistentes declarações sobre a acção governativa, sempre sem citar quem quer que seja, mas deixando nas entrelinhas os seus propósitos, nem sempre fundados, na tentativa de pressionar e condicionar o governo de António Costa. Quando Marcelo fala não é inocente, nem gratuito. Tem sempre um alvo, que nestes meses é um governante socialista que obteve a maioria absoluta dos portugueses. Uns dias é sobre os incêndios, noutros é sobre o novo aeroporto, noutros ainda é sobre as previsões macroeconómicas que devem ser conhecidas quando ele quer, não quando o governo as quer apresentar a quem de direito, que é o Parlamento e no âmbito do Orçamento de Estado de 2023.
O Professor Marcelo é, na verdade, um excesso, uma imoderação, um descomedimento. Fala demasiado, sobre tudo e sobre nada. Nunca abandonou a sua faceta de comentador politico e de criador de factos políticos, que o caracterizaram durante décadas no semanário “Expresso”. Não tem, e já vamos no segundo mandato, sempre o mais destravado, o pudor e o comedimento que são marca de um Supremo Magistrado da Nação que se resguarda das pequenas tricas como reserva moral para os momentos mais delicados da vida nacional.
Um Presidente da República não tem de falar a toda a hora e momento de tudo quanto acontece no país, seja da esfera da política, seja da economia, da sociedade, do desporto ou da cultura. Para isso há comentadores residentes nas televisões e deputados na Assembleia da República.
Um Presidente da República não tem de aparecer todos os dias nas televisões, desgastando a sua imagem e cansando os portugueses, pelo exercício demagógico do espaço público, mas deve guardar-se e resguardar-se para quando é necessário tomar decisões fulcrais para os destinos colectivos.
O Professor Marcelo Rebelo de Sousa, no caso concreto, não pode e não deve, em 2022, num ano em que o Partido Socialista averbou a maioria absoluta, válida para os próximos quatro anos de legislatura, acenar com o fantasma da dissolução do Parlamento a meio do mandado, quando isso for favorável às pretensões do seu PSD.
Que diabo, também ninguém ameaça interromper o mandato presidencial do Professor Marcelo Rebelo de Sousa, seja porque motivo for.
O Presidente da República tem a legitimidade que tem, provinda do voto popular. Depois da sua eleição, foi eleito o PS com maioria absoluta, por idêntica manifestação de soberania popular, para cumprir um mandato de quatro anos.
Que não queira Sua Excelência substituir-se aos mecanismos democráticos e fazer o papel de líder da oposição, para o qual não foi claramente mandatado pelos portugueses!!!
Cada macaco no seu galho, como diz o povo, respeitando as competências, poderes e atribuições de cada um!!!



2. Portugal vive uma situação de grave crise económica e social, como de resto toda a Europa, por razões que têm a ver com a invasão da Ucrânia pelos terroristas russos, e pelo decorrente reflexo nos preços da energia e do gás, que estão a atingir valores absolutamente proibitivos.
Enquanto a maioria da população empobrece, porque os seus salários se desvalorizam à medida que o custo de vida aumenta, há empresas de diversos sectores (energia, bancos, etc.) que ganham lucros obscenos com a miséria dos portugueses, quase parecendo que quanto mais os cidadãos ficam despossuídos, mais as grandes empresas engordam.
Estamos, obviamente, no domínio das desigualdades gritantes e da injustiça chocante.
O primeiro-ministro António Costa parece, finalmente, vergar-se às evidências que vêm das entidades europeias, e que vão no sentido de o governo fazer justiça, ao repartir os sacrifícios, fazendo pagar quem mais tem possibilidades de o fazer.
Sectores da direita portuguesa mostram relutância em obrigar as empresas que auferem lucros pornográficos com a crise a contribuir para os sacrifícios colectivos, mas esses não admira, se pensarmos que são os baluartes e porta-vozes do capitalismo interno e externo.
Na esquerda e no Partido Socialista, há quem se insurja seriamente contra a tremenda injustiça que está em curso. Por exemplo, a deputada socialista Alexandra Leitão, que já foi ministra, advoga que Portugal deveria seguir exemplo espanhol para "atuar sobre lucros excessivos" das empresas, defendendo que é "importante que as pessoas sintam justiça social na repartição dos sacrifícios".
Para defender o tecido social e evitar a contestação, o Governo deveria aplicar a taxa sobre os lucros extraordinários das empresas seguindo o exemplo do governo socialista espanhol. 
"Quando digo taxação não estou necessariamente a referir-me a soluções de natureza fiscal, mas estou a referir-se a, de alguma forma, atuar sobre os lucros excessivos", explicou em entrevista ao “Expresso”.
Questionada sobre se Portugal deveria replicar a lei espanhola, Alexandra Leitão respondeu positivamente: "É importante que as pessoas sintam justiça social na repartição dos sacrifícios, porque se as pessoas não sentirem justiça social, isso cria um fenómeno de deslaçamento social e isso depois leva-nos a somar a crise social e política a eventualmente a uma crise económica e financeira”.
Ou seja, para situações de lucros excepcionais, que não estavam nas previsões das empresas e que resultam claramente de conjunturas extraordinárias e anormais, enquanto os portugueses empobrecem, mandará a justiça que sejam sujeitas a uma taxação que contribua para minorar os sacrifícios dos cidadãos, revertendo a favor da sociedade e da economia.

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