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Do espetáculo de professores à voz dos diretores

Os passos seguros de Pedro Nuno Santos

Do espetáculo de professores à voz dos diretores

Voz às Escolas

2023-02-23 às 06h00

João Graça João Graça

Éindubitável que as escolas se devem assumir como polos agregadores das suas comunidades, elas têm um papel fundamental na coesão dos seus territórios, sendo espaços abertos ao mundo, que superam todo o tipo de fronteiras.
A pandemia, apesar dos múltiplos aspetos negativos, assumiu um papel catalisador nesta abertura de escolas ao mundo. Mais, “escola” passou a ter um significado mais abrangente e uma dimensão ubíqua. Aconteceu escola em qualquer lugar e em qualquer momento e se, outrora, as queixas de baixa participação dos pais e famílias eram consideráveis, constatou-se a sua participação efetiva na vida dos seus educandos.
A nossa escola mostrou estar preparada para o embate e, no dia seguinte ao encerramento, estava pronta a responder a esse novo desafio. O trabalho desenvolvido ao longo dos últimos três anos, antes da pandemia, com a generalização do uso de email institucional, de plataformas de aprendizagem e colaboração, assumiu-se uma aposta ganha.
Nesta lógica de abertura à comunidade, protagonizei, e tenho sido brindado, com inúmeras peripécias . Passeava pela feira – gosto de revisitar locais que muito me dizem, não fosse neto, filho e afilhado de feirantes – ouvi uma vilaverdense que comentava, com agrado, a participação do seu educando em atividades da escola. Percebi que as redes sociais da ESVV tinham permitido este acesso, a facilidade de contacto e a tão propalada, até então, participação das famílias.
É evidente que a escola acompanhou a evolução e deu as mãos à tecnologia, que está à distância de um simples toque no telemóvel. Para o efeito, foi essencial constituir equipas que garantissem, de uma forma articulada, a divulgação de atividades escolares e extracurriculares, nas ditas redes. Como já referi, em recente intervenção, o que mostramos ao MUNDO é o que SOMOS e o que FAZEMOS! É com enorme brio, felicidade e prazer que, enquanto diretor, vejo a minha escola a mostrar o espetáculo da sua qualidade, alicerçada na excelência dos seus profissionais, na sua experiência e na permanente vontade de inovar. De facto, todos os nossos docentes são uns verdadeiros professores espetáculo!
Importa, agora, lembrar os dois últimos longos meses de agitação da escola pública. Nesta vivência conflituosa, os diretores, que são professores, têm estado ao melhor nível. Com o equilíbrio e a ponderação que lhes é exigida, têm garantido a normalidade e que as aprendizagens dos alunos não são afetadas.
Recordo o trabalho desenvolvido pela Associação Nacional de Diretores Escolares (ANDE), quer pela intervenção do nosso colega, Manuel Pereira, na Assembleia da República, apelando à proteção da escola pública, à eliminação dos garrotes de acesso aos 5º e 7.º escalões da valorização dos professores, para garantir jovens na carreira docente, quer na Carta Aberta ao Ministério da Educação, questionando sobre as medidas a implementar perante o envelhecimento dos docentes e sobre as competências dos “conselhos locais de diretores”.
Mais recentemente alertou para movimento demissionário de diretores, perante a dificuldade de implementar o acórdão para aplicação dos serviços mínimos nas escolas.
Da mesma forma, Filinto Lima, representante da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), tem manifestado publicamente que o preocupante não são as atuais greves, no que concerne às aprendizagens dos alunos, uma vez que os professores possuem mecanismos para a recuperação das mesmas. Preocupante é existirem alunos sem aulas em determinadas disciplinas, desde o ano letivo de 2021.
Mais recentemente, o Conselho de Escolas, órgão consultivo do ME, composto por diretores, apresentou uma recomendação onde se destacam os seguintes aspetos: a criação de condições estruturais tendentes à recuperação do tempo de serviço; alteração do processo de avaliação do desempenho docente; alargamento do número de vagas de acesso aos 5.º e 7.º escalões da carreira docente; correção das situações de injustiça, decorrentes de diferentes ingressos na carreira e a eliminação da proposta de criação de quaisquer conselhos locais para a gestão de professores e a redução efetiva da burocracia. Como se depreende, este tem sido o “singelo” trabalho desenvolvido pelos diretores, que, como já referi, são professores, mas que demonstra a evidente preocupação com o futuro da escola pública e da valorização da carreira docente.
Curioso é alguns estranharem estas e “outras” manifestações dos diretores.
Uma Escola faz-se com TODOS!

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