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Do distrito de Braga para os campos de concentração Nazis

Como vai ser a proteção do consumidor europeu nos próximos anos

Ideias

2018-05-13 às 06h00

Joaquim da Silva Gomes Joaquim da Silva Gomes

Um dos acontecimentos que merece ser comemorado até ao limite, até à exaustão, é o final da Segunda Guerra Mundial, que terminou em maio de 1945, passam agora 73 anos.
Não pretendo enumerar aqui os danos causados por esta Guerra. Contudo, há dois números que retratam bem essa barbárie: os 40 mil campos de concentração criados pelos Nazis e ainda os cerca de 80 milhões de mortos que resultaram da Segunda Guerra Mundial!
Uma vez que o nosso país não participou nesta Guerra, na sociedade portuguesa criou-se a ideia de que não houve vítimas lusas neste conflito. Todavia, a realidade mostra o contrário. Sabemos da existência de vítimas, algumas do distrito de Braga, que sofreram atrocidades nos campos de concentração nazis, onde acabaram aí mesmo por perecer!
Não é fácil encontrar registos de portugueses nos campos de concentração nazis. O International Tracing Service, na Alemanha, criado ainda em 1943, congrega o registo de cerca de 30 milhões de documentos relativos aos trabalhadores e às vítimas dos campos de concentração e dá um contributo importante nesta pesquisa. Estes registos têm sido analisados por uma equipa do Instituto de História Contemporânea, da Universidade Nova de Lisboa, liderada pelo historiador Fernando Rosas. Também Patrícia Carvalho, no livro Portugueses nos Campos de Concentração Nazis (2015) e ainda Esther Mucznik, em Portugueses no Holocausto (2012), revelam-nos dados de cidadãos do distrito de Braga que passaram por estes campos.
A maioria destes cidadãos do distrito de Braga foi acusada de pertencer ao Partido Comunista ou de andar a distribuir panfletos em França contra os alemães. No entanto, outros foram perseguidos por terem participado na Guerra Civil de Espanha, que tinha terminado no ano em que começou a Segunda Guerra. Foram transportados de França para a Alemanha, em comboios compostos por vagões de transporte de gado e aí obrigados a trabalhar arduamente. Esses nomes merecem ser agora recordados:
Cândido Ferreira nasceu em Castelões (V. N. de Famalicão) a 17 de abril de 1922. Foi enviado para o Campo de Concentração de Buchenwald, a 31 de julho de 1944 e resistiu pouco mais de meio ano. Aí morreu a 24 de fevereiro de 1945, vítima de gastrenterite.
Emílio Pereira nasceu a 2 de fevereiro de 1910, em Prado. Foi deportado para o Campo de Concentração de Buchenwald, a 22 de janeiro de 1944, acabando por sobreviver às atrocidades nazis.
Francisco Ferreira nasceu em Guimarães, a 13 de outubro de 1916, e passou por três Campos de Concentração, acabando por morrer em Bergen-Belsen, já depois da libertação deste Campo.
João Faria de Sá nasceu em Sezures (V. N. de Famalicão), a 15 de março de 1910. Foi deportado para o Campo de Concentração de Buchenwald, a 17 de janeiro de 1944, acabando por sobreviver a esta deportação.
José da Rocha nasceu em Vila Verde, a 7 de dezembro de 1919. Foi enviado para o Campo de Concentração de Neuengamme. Morreu a 3 de maio de 1945, na Baía de Lubeck, pouco tempo depois da evacuação deste Campo de Concentração.
José de Abreu nasceu em Guimarães, a 15 de fevereiro de 1920. Deportado para o Campo de Concentração de Dachau e depois para o subcampo de Leitmeritz, onde foi libertado a 8 de maio de 1945.
Luís Ferreira Martins nasceu em Figueiredo (Guimarães), a 18 de outubro de 1902. Foi enviado para o Campo de Concentração de Buchenwald, acabando por sobreviver a esta barbárie.
Manuel Alves nasceu em Vila Verde, a 29 de novembro de 1910. Foi enviado para o Campo de Concentração de Buchenwald e depois para o subcampo de Hradischko, em Praga, onde permaneceu até à evacuação do campo, a 14 de abril de 1945.
Pedro Pereira nasceu em Guimarães, a 24 de agosto de 1913. Foi deportado para o Campo de Concentração de Sachsenhausen, acabando por sobreviver a esta barbárie.
Venâncio Dias nasceu em S. Vicente (Vila Verde), a 14 de maio de 1904. Deportado para o Campo de Concentração de Buchenwald, acabou por sobreviver à Guerra.
A história nunca está completa, sendo necessário insistir e persistir na procura de dados que clarifiquem e aprofundem os percursos destes cidadãos e de outros, naturais do distrito de Braga.
Neste contexto, é importante não desistir de procurar informações, mesmo que difíceis, como comprova a mensagem que recebi da Fundação "Recordação, Responsabilidade e Futuro", situada em Berlim, e que atesta a responsabilidade política e moral do governo, empresas e sociedade para a injustiça nacional-socialista, e que transcrevo: Dear Mr. Gomes, unfortunately I have to inform you, that the Foundation EVZ does not have any information or names of Portuguese, died in german Concentration Camps during the Second World War.

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