Correio do Minho

Braga, quinta-feira

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Um convite da Comissão Europeia para quem gosta de línguas

Ideias Políticas

2012-03-27 às 06h00

Carlos Almeida

Depois de ter protagonizado o primeiro episódio deste governo de incentivo à emigração junto das camadas mais jovens da população - ao qual se seguiu a lamentável reafirmação por parte do Primeiro-ministro -, Alexandre Mestre, que desempenha no actual governo o cargo de Secretário de Estado da Juventude e do Desporto, na sua mais recente visita a Braga voltou a brindar-nos com a sua retrógrada formação ideológica.

Alexandre Mestre falava, a propósito da iniciativa Parlamento da Capital Europeia da Juventude, para uma plateia que, entre outras presenças, contava com cerca de 150 jovens provenientes de 12 países da União Europeia.

Imbuído num espírito um tanto saudosista, o mencionado Secretário de Estado procurou propagandear os mais altos valores de Portugal, na sua limitada e lamentável perspectiva. Valeu-se, para tal, de José Mourinho, “o melhor treinador do mundo”, nas suas palavras.

Valeu-se também de Cristiano Ronaldo, “o melhor jogador do mundo”, na sua opinião.
Estava aberto o caminho para o momento mais disparatado da sessão. Mestre, talvez no seguimento de uma prova da nova marca da vinicultura de Santa Comba Dão, lançou junto dos jovens presentes a ideia de que Portugal era um lindo país, que para além de muito sol, ostentava três grandiosos valores: Fado, Futebol e Fátima.

Numa infeliz referência à velha propaganda fascista, que deixa uma figura do governo num retrato, no mínimo, deplorável, Alexandre Mestre repescou a perigosa estratégia de dominação popular.

A política dos três “efes” começa assim a mostrar-se à luz do dia, assumindo-se como imagem de marca do governo de um país que vive amarrado às páginas negras da sua história recente.

Alexandre Mestre já havia dado provas dessa sua devoção quando convidou os jovens portugueses à emigração. Infelizmente, a muitos, tal como os seus pais e avós no tempo da ditadura, não resta hoje outra opção, não por vontade própria, mas por imposição das desgraçadas políticas dos que nos governam.

A pouco menos de um mês de assinalarmos o 38º aniversário da Revolução de Abril, que devolveu aos portugueses a liberdade e a esperança numa vida melhor, não podemos ignorar os preocupantes sinais que nos chegam dos responsáveis do governo. Sejam eles por via de irresponsáveis discursos de governantes, sejam através de muitas das propostas que o governo PSD/CDS procura implementar.

Em toda a linha, este governo, procura fazer recuar os direitos do povo e dos trabalhadores.
Estão postos em causa, pelas propostas do governo, nomeadamente em matéria de legislação laboral, os mais fundamentais direitos, desde logo o direito ao emprego com dignidade e o direito ao salário, fazendo lembrar outros amargurados tempos.

O regresso às receitas do passado não augura nada de bom para os tempos que se aproximam. É bom que nos deixemos de euforias inusitadas e histerias em grupo. Saibamos usar na dose e na altura certas a energia e a convicção populares.

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