Correio do Minho

Braga, sábado

Disfunção sexual na menopausa

Calouste Gulbenkian

Voz à Saúde

2016-12-27 às 06h00

Joana Barbosa

A menopausa define-se como o término permanente dos ciclos menstruais, determinada retrospetivamente após 12 meses sem menstruação e sem outras causas fisiológicas ou patológicas. Em média ocorre aos 51 anos (<40 anos é anormal), e reflete a perda completa ou quase completa da função dos ovários. Quanto mais precoce for a menopausa maior impacto terá na função sexual, relacionamento emocional e identidade sexual.

A disfunção sexual é mais frequente nas mulheres (43%) do que no homem (31%), aumentando quase para o dobro na menopausa. A diminuição das hormonas e o seu impacto na libido, leva muitas vezes a problemas relacionais. Esta patologia, é hoje entendida como multifatorial, composta por pro- blemas biológicos, psicológicos e interpessoais. À medida que a menopausa vai-se estabelecendo, maior é o declínio da função sexual, pela falta de libido, pela dor durante a relação sexual (diminuição da lubrificação e atrofia) e pelos problemas na função sexual do parceiro.

Nas mulheres em menopausa, dever-se-á excluir todas as vertentes da disfunção sexual como problemas com a excitação, incapacidade de atingir o orgasmo, dor durante a atividade sexual, distorção da imagem corporal e incapacidade de atração. Apesar de haver uma diminuição da função sexual com a idade, dever-se-á sempre excluir patologias, co-morbilidades e/ou efeitos deletérios da medicação.

A melhor forma de abordar esta situação prende-se em envolver o casal, corrigir fatores de risco (obesidade, sedentarismo, tabagismo) e possíveis causas orgânicas e co morbilidades. O casal deve ser incentivado a modificar rotinas da sua atividade sexual.
A farmacologia deixa ao dispor destas mulheres várias alternativas. O uso de lubrificantes não hormonais diários e estimuladores vaginais, promovendo uma melhoria da clínica. Manter uma adequada frequência da atividade sexual e a utilização de estrogénios tópicos (hormonas de aplicação vaginal), parecem ser mais eficazes do que os sistémicos (através da toma de comprimidos), diminuindo a dor no ato sexual, aumentando a lubrificação, a irritação e a atrofia.

A Terapia Hormonal de substituição (THS) sistémica atualmente é utilizada para mulheres com sintomas de afrontamentos, calores e sudorese muito exuberantes, nunca antes sem o seu Médico explicar os riscos e a sua utilização limitada no tempo. Os efeitos da THS só são notórios nos primeiros anos da menopausa.

Estes são apenas algumas das formas de abordar e tratar a disfunção sexual associada a menopausa. É necessário um olhar atento sobre esta temática pelo seu grande impacto no bem-estar emocional e físico do ser humano, pelo que preservá-la contribui para uma boa qualidade de vida pessoal e familiar. Se tiver alguma desta sintomatologia, não hesite em contactar o seu médico para o tratamento mais adequado para si, e mais esclarecimentos. Cuide de Si, cuide da sua saúde!

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