Correio do Minho

Braga, quinta-feira

Diretamente ao assunto: Pedro Passos Coelho

Pecado Original

Ideias Políticas

2015-03-10 às 06h00

Hugo Soares

Que dias são estes os que vivemos em que parece valer tudo na vida pública? Que dias são os nossos em que a luta pelo poder permite tudo e contra qualquer um?
Pedro Passos Coelho não entregou à Segurança Social, há mais de 15 anos, as contribuições que lhe eram devidas pelo exercício de uma atividade não dependente. Fê-lo por entender que não era abrangido por aquele regime contributivo.

Ele e mais de cem mil portugueses, que entenderam exactamente da mesma forma. Em 2012, uma década depois, porque um jornalista resolveu bisbilhotar a vida de um cidadão e lhe chegou esse eco, perguntou à Segurança Social se devia alguma coisa. Além de ter obtido uma resposta negativa, mais foi informado que a única dívida que existia estava prescrita.

Que fique claro: o pagamento da dívida prescrita dá a Pedro Passos Coelho direitos futuros na sua carreira contributiva; ora para não ser acusado disso mesmo, Pedro Passos Coelho entendeu não a pagar. Em 2015, depois de uma semana horribilis para o PS (juro que não estou a insinuar nada…) e sabendo que o Público iria dar capa a uma notícia que não existe, pagou à Segurança Social tudo o que não havia pago e que estava prescrito.

Pedro Passos Coelho atrasou-se a entregar declarações de IRS. Entregou fora de prazo e com as penalizações que daí decorrem. Atrasou-se a pagar IRS e pagou com penalizações e juros. Como qualquer cidadão. Porque não tinha dinheiro. Porque a vida de cada um não é a mesma. Porque a burguesia Lisboeta não é para todos e há muitos que se tiveram que fazer; quase todos.
Estes episódios aconteceram há mais de uma década, numa circunstância da vida de Pedro Passos Coelho em que não tinha funções públicas. Não foi o Primeiro-Ministro Pedro Passos Coelho. Não foi o Deputado Pedro Passos Coelho. Foi o homem, cidadão, que não exercia funções públicas.

Por ter tido atrasos no IRS ou por não ter sido notificado pela Segurança Social para pagar o que devia (hoje não aconteceria, a Segurança Social funciona bem melhor) pode algum cidadão ser crucificado? E o facto de 15 anos depois desses factos ser Primeiro-Ministro muda alguma coisa?
A vida pública em Portugal atingiu, com franqueza, o grau zero. Passo a explicar. Há um antigo Primeiro-Ministro detido preventivamente por suspeitas de ter utilizado o exercício de funções públicas para cometer um conjunto de crimes. É exactamente o mesmo Primeiro-Ministro que levou o País à bancarrota.

Nunca ninguém, nunca! Ninguém ouviu uma voz dirigente do PSD dizer o que quer que fosse sobre a detenção de José Sócrates (mesmo querendo este fazer da sua prisão um caso político, imagine-se!). Pois bem, há um Primeiro-Ministro, o actual, que não só tirou Portugal da crise, como colocou o País a crescer e a criar emprego, que é sério, determinado, competente e que nunca sequer alguém ousou insinuar que, no exercício das suas funções, se tenha beneficiado a si próprio ou a terceiros e, espante-se, logo a oposição se apressa a fazer chicana política.

Com toda a franqueza, estou farto. Farto daqueles que estão carregadinhos de telhados de vidro e atiram pedras sem qualquer razão. Farto daqueles que apoiam e apoiaram poderes corruptos e atiram pedras sem qualquer razão. Fartos daqueles que têm ao seu lado, dentro de portas, arguidos por suspeitas de crimes praticados no exercício de funções públicas e atiram pedras sem razão. Estou enojado. Dos moralistas de pés de barro que se deviam pôr em sentido em frente de homens sérios. Mas não. Continuam a achar que são os donos disto tudo. Lamento: já não são!

Deixa o teu comentário

Últimas Ideias Políticas

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.