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Direitos dos humanos nas bibliotecas

A estratégia cultural que tarda

Direitos dos humanos nas bibliotecas

Voz às Bibliotecas

2019-11-28 às 06h00

Aida Alves Aida Alves

Os profissionais das bibliotecas públicas devem pautar o seu trabalho diário pela responsabilidade social na defesa da igualdade de oportunidades para todos, considerando os princípios de liberdade de acesso à informação e liberdade de expressão consagrados no artigo número 19 da Declaração Universal dos Direitos do Homem e nos valores da IFLA, bem como na Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança (1959). O direito à informação é considerado direito síntese dos direitos humanos no processo de efetivação da cidadania, sem o qual os outros ficariam prejudicados, convergindo a busca por esses direitos de cidadão com objetivos de igualdade social e democracia.
São as bibliotecas, por definição, espaços de igualdade e democracia. Esforçam-se diariamente por esbater as desigualdades no acesso à informação e ao conhecimento, proporcionando igualdade de oportunidades a todas as pessoas, de todas as proveniências e de todas as idades. É importante sentir o pulsar da população, as suas necessidades, os seus interesses, desafiando ao desenvolvimento de competências muitas vezes ainda não desenvolvidas, pois não são oportunas nas escolas ou no trabalho. Motivar à participação o cidadão em eventos formativos, educativos e culturais é uma inquietação das bibliotecas.
Hoje em dia, as bibliotecas são mais do que espaços físicos onde se arrumam os livros. São lugares de recolhimento, de pausa, de relaxamento, onde se lê um livro a gosto, uma revista ou jornal, e onde se conversa, debate, se contempla, se namora. São espaços cujo acesso é livre, sem cobrança de qualquer taxa na entrada, alcançável a todos aqueles que procuram uma informação, um gesto de simpatia, um momento prazeroso de leitura, de descanso, onde se discutem ideias diferentes e se apela à tolerância e à liberdade conducentes ao desenvolvimento dos valores que permitirão às crianças, jovens e adultos o exercício de uma maior atividade cidadã.
Sabemos que a forma mais simples e gratuita para desenvolver o seu pensamento crítico é ler e viajar. Ler primeiramente o mundo que o rodeia, estar atento e empático com os outros. A leitura diária de livros, revistas ou jornais, impressos ou digitais, constitui a mais poderosa ferramenta no desenvolvimento do cidadão. Muitas vezes perguntamo-nos por que é que a maioria das pessoas não pensa nisto: sou maior e mais livre no meu pensamento quanto mais ler, quanto mais observar, quanto mais viajar, quanto mais dialogar, quando mais ouvir e quanto mais empático for com as pessoas. O respeito e a compreensão pelos outros são importantes fatores de inclusão. Quando estão ausentes, a exclusão acontece e a vida fica mais sombria.
Se pensarmos que nos engrandece de alguma forma passar o dia a ver qualquer tipo de programas televisivos escolhidos por terceiros e que esse ato nos reforça o ego e nos amplia o pensamento, estamos enganamos. Nutre-nos intelectualmente, em parte, mas não completamente. Por vezes, aprisiona-nos numa redutora esfera de temas e numa linha de pensamento exclusiva do canal televisivo, ou do Diretor de Programas. Por isso é que a leitura e a audição de vários tipos de informação, em diferentes formatos e suportes, é fundamental para uma maior riqueza e variedade de conhecimentos e liberdade de pensamento. A leitura provoca em nós uma certa construção, desconstrução, com mudanças de crenças, de opiniões. Provoca o desenvolvimento de atitudes, de comportamentos, de valores, abordando conteúdos das diversas culturas, fazendo refletir sobre as suas identidades, perspetivas e sentimentos, facilitando a comunicação e o diálogo como meios de conhecimento do “outro”, da sua cultura, dos seus sentimentos, dos seus interesses. Torna-nos mais empáticos.
É importante a formação de cidadãos informados, capazes de exercerem os seus direitos democráticos e de desempenharem um papel ativo na sociedade, de lerem o mundo. A participação cidadã é necessária como força mediadora entre o poder político e o poder que legitima as leis. Uma opinião pública bem formada influiu construtivamente nos debates entre esferas políticas e jurídicas. A cidadania (palavra que vem do latim "civitas" que quer dizer “cidade”) é um processo que começou nos primórdios da humanidade e que se efetiva através do conhecimento e conquista dos direitos humanos, não como algo pronto, acabado, mas como aquilo que se constrói. Não se aprende apenas nos livros, mas na convivência na vida social e pública. As bibliotecas constituem verdadeiros “espaços de cidadania”.
Fica o convite para visitá-las.

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