Correio do Minho

Braga, quarta-feira

Dia Mundial da Poupança: poupe, poupando o ambiente

Sem Confiança perde-se a credibilidade

Ideias

2013-10-30 às 06h00

Pedro Machado

Assinala-se amanhã, dia 31 de Outubro, o Dia Mundial da Poupança. Nunca antes este tema esteve tanto na ordem do dia. A poupança, não está relacionada apenas com dinheiro, poderemos entende-la como poupança de recursos e, num âmbito mais geral, pela poupança ambiental.
Ora, alguns gastos mensais que todos temos estão ligados à área ambiental e são inevitáveis, tais como a energia, água ou resíduos.

É frequentes as pessoas queixarem-se dos preços elevados destes serviços, ainda assim, é possível poupar também nestas áreas. E as poupanças não só ambientais mas também palpavelmente económicas.
É bom lembrar que em Portugal se aplica o princípio do poluidor-pagador, ou seja, a taxa de resíduos é diretamente proporcional à produção de resíduos, indexada ao consumo de água, presumindo-se que um maior consumo de água significa que existem mais pessoas a habitar, logo, mais pessoas a produzir resíduos.

No entanto, sabemos que não é necessariamente assim, já que, uma larga franja de munícipes consome imensa água, não se preocupando em poupar quer em termos ambientais (gastar menos água que é um recurso escasso), quer em termos económicos (gastar menos água, pagando menos por este consumo e consequentemente, pagando menos taxa de resíduos).

Muitas vezes estes serviços não são mais baratos porque as pessoas não colaboram e não têm princípios de civismo e preocupação ambiental. Colocar resíduos fora de horas e fora de contentores, obrigando à intervenção de equipas de limpeza de ruas; não reciclando, pois aquilo que não vai para reciclar é recolhido pelas câmaras ou empresas municipais, pagando posteriormente a tarifa de deposição em aterro e, consequentemente, a Taxa de Gestão de Resíduos.

A reciclagem não deverá ser apenas uma preocupação ambiental, fundamental é certo, mas que também traz inúmeras vantagens económicas, ainda que não afectem diretamente o consumidor, irão refletir-se nos preços a pagar em determinados produtos e serviços. Por exemplo, se ao reciclar vidro uma empresa gasta menos energia e poupa matéria-prima para o fabrico de novos produtos de vidro, o consumo de um determinado produto numa embalagem de vidro poderá ser mais barato.

Relativamente à recolha de resíduos indiferenciados, já preconizei e continuo a preconizar, a necessidade dos municípios procederem à distribuição de sacos biodegradáveis identificativos para os resíduos urbanos. Assim, só se recolheria os resíduos a quem cumprisse as regras e, quem não cumprisse, seria efetivamente penalizado como, por exemplo, ao utilizar sacos diferentes dos que foram fornecidos, ao não cumprir dias e horários de recolha ou não separando os resíduos. Com a homogeneização da recolha, estas situações seriam facilmente identificadas e devidamente responsabilizadas.

Se os apelos de poupança, quer ambiental, quer económica, não resultam, só vejo esta como solução para que todos colaborem corretamente com os serviços de recolha de resíduos. Infelizmente, apesar de toda a sensibilização ambiental que temos vindo a fazer ao longo dos anos, e que deve continuar, mesmo assistindo a grandes melhorias, continuam a existir muitas pessoas que não cumprem e prejudicam os outros munícipes, pois acabam por pagar todos pelo comportamento inadequado de alguns.

Parece que chegamos a um ponto em que nada motiva mais as pessoas que a ideia de poupança. Já que a preocupação ambiental não é suficientemente motivadora, vamos apostar na ideia de poupança ambiental como sinónimo de poupança económica, para levar mais pessoas a separar os seus resíduos.
Apelo assim aos grandes obreiros da sensibilização: municípios, professores e órgãos de comunicação social, que persistam na sensibilização/educação ambiental. Só assim lá chegaremos!
Ajude-nos, ajudando-se, poupando!

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