Correio do Minho

Braga, sábado

Dia Mundial da Alimentação: o desperdício alimentar

Investir em obrigações: o que devo saber?

Ideias

2013-10-16 às 06h00

Pedro Machado

Assinala-se hoje o Dia Mundial da Alimentação, pelo fato, não queria deixar de aproveitar para abordar uma questão muito importante no nosso quotidiano, o desperdício alimentar. Para além das implicações económicas e sociais que o desperdício alimentar acarreta, colocam-se também questões ambientais.
Relembro que o tema do Dia Mundial do Ambiente 2013 foi precisamente: ‘Pensar. Comer. Conservar - Diga Não ao Desperdício’. O objetivo era incentivar a população a pensar sobre o impacto das suas escolhas relativas à alimentação.

Segundo a FAO, um terço da produção global de alimentos é desperdiçado. Na Europa são desperdiçadas, anualmente, milhões de toneladas de alimentos. Em Portugal, anualmente, são resíduos orgânicos um milhão de toneladas de alimentos, um terço das quais em ambiente doméstico.
Simultaneamente, um em cada sete pessoas no mundo passa fome e cerca de 20.000 crianças com menos de cinco anos morrem de fome, todos os dias.
Efetivamente, o desperdício alimentar revela-se um problema à escala mundial.

Estando consciente deste problema, o Parlamento Europeu solicitou à Comissão Europeia que estude medidas práticas e concretas que permitam diminuir o desperdício alimentar, nos Estados-Membros, em 50% até 2025.
Por cá, com o novo PERSU 2020, a apresentar amanhã, o nosso país irá enveredar pela valorização orgânica destes resíduos. A Braval, em constante dinâmica, construiu a 1.ª Fase e está a levar a cabo a IIa Fase de uma Unidade de Valorização e Triagem Mecânica para os resíduos orgânicos seletivos e indiferenciados, com vista a atingir as metas de reciclagem/valorização destes resíduos.

O desperdício de alimentos é um enorme consumidor de recursos naturais e contribui também com impactos negativos no meio ambiente. Se a comida não for consumida, isso significa que todos os recursos usados na sua produção foram desperdiçados. Por exemplo: são necessários 1.000 litros de água para produzir um litro de leite e, cada hambúrguer consome 16.000 litros de água, devido à ração do gado. É um enorme desperdício de terra, água, energia e trabalho. E, ao longo de toda a cadeia de produção e distribuição, são emitidos gases com efeitos de estufa e impactos nas alterações climáticas.

Se pensarmos que a cadeia de valor alimentar representa 17% das emissões diretas de gases com efeitos de estufa, podemos dizer que está tudo ligado.
Segundo um estudo recente da ONU, o desperdício alimentar mundial causa mais emissões de dióxido de carbono que qualquer outro país, com exceção dos EUA e da China! É, portanto, um grave problema, cuja tendência de aumento, tem de ser urgentemente invertida. Por tudo isto, é necessário também não desperdiçar o potencial energético dos alimentos enquanto resíduos.
Como alternativa à economia do desperdício é necessário, se pretendemos ter futuro, um novo paradigma, a economia da preservação.

Há que implementar medidas simples e práticas aliadas, fundamentalmente temos que continuar a massificar a sensibilização ambiental da população para que os consumidores sejam encorajados a ser mais conscientes das suas atitudes face às compras e às refeições.
Algumas ações simples que todos devemos pôr em prática no dia-a-dia para minimizar o desperdício alimentar: escolher alimentos frescos em vez de pré-embalados; Não esquecer de usar primeiro os produtos com data de validade mais próxima; Levar embalagens e utensílios reutilizáveis quando fizer um piquenique; Ajustar o tamanho das porções de alimentos servidos; Aproveitar os restos para confecionar outras refeições; Valorizar os óleos alimentares usados, colocando-os num óleão, nunca vertê-los na canalização.

O consumo tem vindo a aumentar, necessitamos, cada vez mais, de produzir, mas es-ta produção tem obrigatoriamente de passar por consumo de recursos que a Natureza produziu e, portanto, respeitar os limites da cada região e fazer uma distribuição equitativa, para conseguirmos garantir o futuro das gerações vindouras.

O desenvolvimento sustentável é o único capaz de preservar os recursos naturais e as condições de vida saudável, para as gerações futuras. Para que isto ocorra, a educação ambiental tem uma importância extra-ordinária, porque consciencializa e altera os padrões de comportamento do ser humano em relação à Natureza.
Ajude-nos, ajudando-se!

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