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Dia de Portugal, para todos

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Dia de Portugal, para todos

Ideias Políticas

2022-06-14 às 06h00

André Patrão André Patrão

A nossa cidade foi o centro das celebrações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, contando com a presença de inúmeras personalidades do Estado (e não só), com a realização de inúmeras atividades durante a semana e que resultou numa dinâmica relevante, permitindo uma maior proximidade ao poder local e central, reforçando a importância das Forças Armadas, quer no contexto histórico, quer no contexto de futuro e distinguindo novas individualidades pelo seu trabalho em nome do país.
Apesar das celebrações do 10 de Junho terem origens monárquicas, marcando a alegada data da morte de Camões, por D. Luís I, foi com o Estado Novo que se exacerbaram as celebrações, naquele que era conhecido como o “dia da raça” portuguesa, com o objetivo de apelar ao nacionalismo, propagando a lógica colonialista, na qual os territórios partilhavam uma raça e uma língua comum.
Hoje, celebramos com o sentido certo, fruto das nossas lutas pela democracia, liberdade e igualdade. No entanto, olhamos para o nosso país e constatamos a dura realidade: estamos a celebrar o dia de Portugal mas não pensamos, todos os dias, o território como um todo.

Desde sempre que ouvimos falar sobre as assimetrias entre as várias regiões do país, constantemente associadas a termos que em nada se têm cumprido e se têm esvaziado em meras palavras, as tais que o vento leva. Na realidade, conseguimos facilmente perceber que existem um conjunto de aldeias e vilas que foram “abandonadas” ao longo do tempo, deixadas à mercê do seu próprio destino e que se tornaram uma espécie de “prisão” para quem por lá nasceu, já que eram o primeiro obstáculo natural para a emancipação de qualquer jovem nascido no Interior.
Devemos insistir: as problemáticas territoriais são questões a resolver, de forma extremamente urgente, como o eram há muitos e distantes anos atrás.

A lógica desmedida de direcionar pequenas medidas para as regiões mais interiores, sem perceber que “para grandes males, grandes remédios”, deve ser abandonada pois a dura realidade é que são muitos aqueles que, por não conseguirem ter as mesmas condições de vida, nem poderem ser livres para sonhar tão alto, se sentem menos portugueses e não acreditam na participação cívica (muito menos política), de forma ativa.
Continuamos a projetar um país que parte de Lisboa para “menos”: menos oportunidades de trabalho, de crescimento e de reconhecimento, menos acesso a serviços e bens, tanto numa “simples” ligação à internet como em meios de transporte público, para quem trabalha, estuda ou sobrevive com a reforma, menos alimentação, menos habitação, menos saúde (sem qualquer presença da questão mental), já que metade do poder de compra encontra-se em menos de 10% da área territorial do nosso país, que alberga grande parte das empresas, dos médicos, dos bancos, do comércio e das pessoas.

Mais uma vez, releva para a importância das oportunidades dadas às novas gerações, mais qualificadas, de forma a conseguirmos apostar num desenvolvimento auspicioso das melhores características que cada região do nosso país tem, fomentando a inovação de processos, explorando os mercados nacionais e internacionais e acrescentando valor aos produtos que produzimos, garantindo a sustentabilidade económica, a transição climática e digital, ao mesmo tempo que preservamos a identidade dos territórios, assim como o seu património cultural.
O futuro passa pela regionalização e atribuição de competências locais, seguindo um caminho partilhado e uma visão comum entre as regiões.
O futuro passa pelo desenvolvimento da rede ferroviária e rodoviária, pela desconcentração de serviços, tomando o Estado a iniciativa, deslocalizando centros de decisão e apostando em medidas que promovam a habitação, emprego e a saúde, no interior. Nunca podemos esquecer: não há portugueses dispensáveis!

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