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Braga, sábado

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Dez anos depois...

O que podem esperar os portugueses em 2023?

Dez anos depois...

Escreve quem sabe

2022-02-08 às 06h00

Margarida Pereira Margarida Pereira

Com a chegada a 2022 chega, também, a marca do décimo aniversário depois de Braga ter sido Capital Europeia da Juventude, no ano de 2012.
Para ajudar a recordar, lembramos que a BragaCEJ 2012 foi um evento em grande, repleto de atividades desde a cultura, passando pelo desporto, até ao património. Para todas as idades, para todos os públicos, Braga abriu as suas portas e mostrou como pode ser dinâmica. Houve um grande trabalho entre o município e as associações da cidade, assim como as escolas. Braga foi dos bracarenses, mas o que chegou aos dias de hoje?
Na opinião da JovemCoop, existem dois tipos de legados possíveis após tal realização: o legado material e o imaterial.
Se pensarmos no legado material, é imediato pensar no GNRation. Idealizado pela Braga CEJ2012, o GNRation abriu apenas em 2013, com o objetivo de ser um espaço artístico e de divulgação das artes digitais. Com o passar dos anos, houve a necessidade de alterar alguns dos propósitos do edifício, que em 2021 passou a integrar a Rede de Teatros e Cineteatros Portugueses. No entanto, tal como a JovemCoop tem vindo a defender, este é ainda um edifício pouco desfrutado pela cidade, sendo dirigido a um nicho demasiado específico de bracarenses, tendo perdido a transversalidade de ser um aglutinador de associações. Defendemos sim que deve continuar com um programa alternativo, mas que deve também ter atividades dirigidas a outros públicos, para que mais bracarenses possam desfrutar desta estrutura municipal. Contudo, numa realização que contou com centenas de atividades, deixar apenas UM legado material, é reduzir a BragaCEJ2012 ao esquecimento.
Pensando, agora, no legado imaterial, podemos considerar pouco mais do que a Noite Branca, que infelizmente depressa foi deixando de ser uma noite de grande diversidade cultural, passando para uma noite repleta de concertos, e com cada vez menos representação artística. Afinal, na primeira edição, em 2012, todos os participantes foram convidados a percorrer um caminho cultural que passava por jardins e monumentos. A cidade pintou-se verdadeiramente de branco com a ajuda de artistas plásticos e diversas escolas e instituições da cidade. Com o ano 2013, percebendo o capital cultural insuflado no Município de Braga, havia sinais de prosseguir, de forma oficial, um trabalho que começou em 2012, de forma voluntária. O Município começou a realizar o “À Descoberta de Braga”, dando sequência aos percursos guiados e explicados que, meses antes, a JovemCoop tinha implementado. E isso revelou-se de extrema importância ao percebermos que ao núcleo de participantes, a cada visita se somavam mais interessados. Contudo, o “À Descoberta de Braga” foi interrompido e perdeu-se a sequência do conhecimento patrimonial e histórico.
E convém perceber que dez anos depois, nem um compromisso com as políticas de Juventude ficou rubricado para o futuro.
Percebemos, desta forma, que a herança de Braga CEJ deveria ter sido maior, e mais proveitosa para a vida da cidade e dos seus habitantes. Afinal, 2012 foi ano preenchido de atividades onde foi possível verificar que, quando queremos, tudo é possível pois escolas, associações, artistas e o município estavam interligados e a trabalhar em conjunto, como hoje deveria continuar a acontecer.
No entanto, acreditamos que esta reflexão é oportuna, não apenas pelos 10 anos da CEJ, mas também por Braga ser candidata a Capital Europeia da Cultura. Hoje é fundamental refletirmos sobre a CEJ, para que, em 2027, no caso de Braga ser a eleita, não sejam cometidos os mesmos erros.
Muitas vezes programamos algo pensando no impacto imediato, e raramente refletimos nas vantagens a longo prazo!
Se Braga quer ser CEC, é fundamental que projete 2027 com um objetivo claro sobre o legado que pretende deixar, de forma a não ser apenas um ano de atividades que dez anos depois já ninguém se lembra. Quando consultamos a página da candidatura braga27.pt percebemos que já existe uma estratégia para a CEC mas que, sendo aprovada pelo júri, o dossier de candidatura terá ainda bastante tempo para ser melhorado, para que em 2028 o capítulo “O que fica desta festa?” possa ser mais forte e enriquecido.
Sabemos que vivemos tempos atípicos e que foi imperativo fazer uma pausa na vida cultural, no entanto é urgente voltar a dar vida à cidade, e mostrar que a cultura, além de ser segura, é para todos. Acreditamos que Braga é capaz de ser CEC 2027, assim como acreditamos que é possível que o seu legado seja exemplar, se as devidas reflexões forem feitas. Vamos fazer da CEC muito mais que uma festa, vamos fazer da CEC um marco na cidade e na vida de todos os bracarenses.

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