Correio do Minho

Braga, quinta-feira

Devolver a centralidade Urbana

O Estado da União

Ideias Políticas

2016-02-23 às 06h00

Francisco Mota

A história do desenvolvimento urbano de Braga caminha lado a lado com o “bum” urbanístico e de construção desordenada de que o território foi alvo. São inúmeros os casos de atropelamento das regras básicas de conservação e defesa do meio ambiente; a arbitrariedade no plano de licenciamento e instalação de equipamentos; e até o bom gosto de como se transformou a cidade.
Com abertura da janela de oportunidades do financiamento europeu, temos assistido nos últimos tempos a uma discussão pública e até a uma exigência dos próprios munícipes para que se encontrem alternativas em alguns eixos viários que ditem uma nova realidade na mobilidade colectiva e individual bracarense.

Um dos eixos que certamente marcará esta nova realidade é o de ligação da rotunda do Santos da cunha à estação de caminhos de ferro. A tão conhecida rua do caires terá que devolver à cidade a centralidade urbana que perdeu na última década. É de recordar que esta é umas das principais avenidas da cidade, desde logo por estar às portas do centro histórico possibilitando dessa forma o seu acesso, por outro lado tem uma oferta privilegiada à estação de comboios e no futuro ao próprio terminal intermodal.

A revisão desta artéria parece premente e deve assentar num caminho oposto do que a caracteriza neste momento. Os acessos em modelo de via rápida, os transportes colectivos em segundo plano, os transeuntes atirados para um entulho metálico sobre a via, os passeios mais parecem esquiços de uma obra que nem sequer começou, os lojistas e o seu comércio sem qualquer possibilidade de dignidade, uma poluição atmosférica com todo um cinzento sujo que envolve aquele ambiente, uma iluminação desajustada, toda uma numeração de problemas que são sintomáticos de uma realidade que não corresponde aos desafios de uma avenida que deveria enobrecer Braga.

Como disse anteriormente teremos que devolver a centralidade urbana desta artéria, como de outras, com uma mudança de paradigma, não apenas de obra mas sobretudo de leitura sobre o que a cidade deve ser num futuro próximo. Urge a necessidade de devolver Braga às pessoas em detrimento do carro. Num modelo de planeamento e estudo devem ser considerados: a valorização do largo de Maximinos, com um possível desaparecimento do túnel e consequentemente do viaduto na rotunda santos da cunha; a redução das vias na rua do caires e aumento dos passeios com a inclusão do acesso a pessoas de mobilidade reduzida; a integração de um corredor verde; reestruturação da iluminação pública com características de uma avenida urbana; um plano de isenção de taxas para a regeneração dos prédios mais antigos e a reestruturação dos acessos às vias contiguas.

Por mais teórico que pareça, o princípio de mudança de paradigma deve ficar patente, demonstrando dessa forma as preocupações sobre o olhar da cidade. Acredito convictamente que devemos respeitar e preservar o património dos nossos antepassados, mas não nos podemos esquecer que o presente é um empréstimo dos nossos filhos, o que desde logo significa que devemos pensar, planear e projectar o futuro com a maior das responsabilidades.

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