Correio do Minho

Braga, terça-feira

Desperdício Alimentar

Combater a DPOC

Ideias

2012-10-03 às 06h00

Pedro Machado

No mês de Outubro, mais concretamente a 31 de Outubro, assinala-se o Dia Mundial da Poupança. Nos tempos que correm esta expressão não poderia ser mais pertinente. e conceito não poderia estar mais em voga. Gostaria de falar sobre o desperdício alimentar não só pelo esbanjar financeiro mas também pelos efeitos que tem no Ambiente.
O desenvolvimento económico dos países tem levado à concentração da urbana, metade da população mundial vive em cidades. Este desenvolvimento leva a um maior desperdício de alimentos que nunca chegam a ser consumidos.
Os locais de produção dos bens alimentares estão cada vez mais afastados da maioria dos consumidores, uma vez que as zonas rurais estão cada vez mais afastadas dos centros urbanos. É necessário transportar grandes quantidades de alimentos de zonas rurais, o tempo e distância entre a produção e o consumo são cada vez maiores. Por este motivo, é necessário criar embalagens que os conservem de forma longa e adequada, de modo a evitar o desperdício ao longo do caminho, ou seja, até ao consumidor. Quanto mais longa for a distância, mais importante se torna a embalagem, de modo a não desperdiçar alimentos desnecessariamente, porque senão todos os recursos utilizados na viagem teriam sido completamente inúteis.
As habitações, em países desenvolvidos, desperdiçam cerca de 30% dos alimentos que compram. As razões mais frequentes para este hábito são: adquirir superfluamente, os restos que ficam após as refeições, o prazo de validade que termina antes do consumo e os refugos resultante da preparação.
Deitar fora alimentos é um tremendo desperdício mas significa também, em termos ambientais, um consumo desnecessário de matérias-primas, água, energia e embalagens.
Na área da Braval (Amares, Braga, Póvoa de Lanhoso, Terras de Bouro, Vieira do Minho e Vila Verde), segundo os estudos de composição anual dos elementos de caracterização física dos resíduos indiferenciados, cerca de 40% dos resíduos depositados em aterro correspondem a resíduos alimentares! Este valor era de 39% em 2007 e chegou aos 42% em 2009, tendo estabilizado nos últimos dois anos, possivelmente devido à diminuição do consumo provocada pela crise económica.
Nos centros urbanos podemos aceder a uma grande variedade de produtos, durante todo o ano, às vezes até 24 horas por dia. Os desejos do consumidor crescem e os retalhistas satisfazem-nos. No entanto, todos os alimentos que não obedecem a determinados critérios de imagem ou aspecto, ainda que estejam em condições de ser consumidos, são retirados das prateleiras e deitados fora. Muito do desperdício alimentar ocorre no mercado grossista, antes ainda de ser vendido.
A redução do desperdício alimentar para metade teria o mesmo impacto no clima que a redução do número de carros nas estradas em 25%.
Quando se debate a questão das alterações climáticas, muitos defendem que se deveria optar por alimentos produzidos localmente, o que é efetivamente bom em termos ambientais, se atentarmos apenas na questão do transporte, mas nem sempre é assim tão linear. O transporte não é o fator que mais gases com efeitos de estufa emite, esse valor é, em média, de 20 a 30% do total dos gases emitidos. A maior fatia corresponde à própria produção agrícola. Por exemplo: cultivar tomates numa estufa aquecida no norte da Europa gera mais emissões de dióxido de carbono do que transportar tomates de Espanha, onde crescem ao ar livre.
Aqui, gostaria de abrir um parêntesis, o nosso país tem excelentes condições para revitalizar a agricultura biológica, seria muito importante para a nossa microeconomia e para o Ambiente.
Retomando a questão, o transporte ou produção local devem ser ponderados e analisados. Mais do consumir produtos locais, muitas vezes, a melhor solução passa por um transporte energeticamente eficiente, com cargas preenchidas e embalagens bem concebidas.
O propósito da embalagem é poupar recursos e não desperdiçá-los, ou seja, proteger os alimentos dos danos físicos. Calcula-se que a utilização de embalagens permite evitar um volume de desperdício 10 vezes superior à quantidade de resíduos gerados pela própria embalagem. E se pensarmos que a embalagem pode ser reciclada e voltar ao mercado, o desperdício ainda será menor.
Seria importante apostar, antes de mais, na prevenção do desperdício na fase de produção, só depois apostar na reciclagem e valorização energética através da valorização do biogás, produzido pela decomposição dos alimentos e outros resíduos orgânicos. Quanto as embalagens, colocá-las num ecoponto para que possam ser recicladas e evitar o desperdício!
Ajude-nos, ajudando-se!

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