Correio do Minho

Braga, terça-feira

Desenvolvimento humano em Portugal, muito ainda a fazer...

O conceito de Natal

Ideias

2017-06-24 às 06h00

António Ferraz

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) publicou o seu último Relatório do Desenvolvimento Humano para o ano de 2016, em que se constata que nos últimos 25 anos a humanidade obteve resultados apreciáveis no desenvolvimento, pese embora, a existência de ainda milhões de pessoas que continuam sendo marginalizadas, qualquer coisa como um terço da população mundial vive sob um nível de desenvolvimento baixo. Segundo o Relatório é premente que as autoridades competentes dediquem mais atenção aos grupos mais vulneráveis (os pobres, os marginalizados, as minorias étnicas, os povos indígenas, os refugiados e os migrantes) adoptando medidas activas de supressão de obstáculos e privações, no combate à desigualdade, ao extremismo violento e que o progresso económico e social chegue a todas as pessoas. Em suma, deve-se aproveitar todas as conquistas realizadas pela humanidade, explorar novas oportunidades para superação dos desafios e alcançar objectivos por muitos vistos como impossíveis.
No Relatórios é elaborado o chamado “Índice de Desenvolvimento Humano” (IDH) para uma amostra de 188 países que, por sua vez, são agrupados em conjuntos de 50 países de acordo com o seu grau de desenvolvimento, de “muito alto” (o primeiro grupo), para “alto”, “médio” e “baixo”. É um indicador compósito e mais largo do que o tradicional produto interno bruto (PIB) por habitante em paridades de poder de compra (PIB em PPC) por incluir outras importantes valências do desenvolvimento humano, tais como, educação, saúde, expectativa média de vida, desigualdade e ambiente. Temos, assim, possibilidade de confrontar os países da amostra: desenvolvidos (IDH “muito alto”); em desenvolvimento (IDH “médio” e “alto”) e subdesenvolvidos (IDH “baixo”). Entre os países classificados com um IDH “muito alto” encontra-se Portugal, que inclusive subiu duas posições face ao ano anterior, passando da 43ª posição para a 41ª posição.
Contudo, nem tudo são “rosas”, indicando-se o muito ainda a fazer para que o país atinja um nível de desenvolvimento mais alto e equilibrado. Na verdade, Portugal permanece há alguns anos no fundo da tabela do grupo dos países com IDH “muito alto”. Mais, Portugal é ainda um dos últimos da União Europeia (UE), apenas ultrapassado pela Hungria, Letónia, Croácia e Roménia. A Noruega, por sua vez, consolidou a liderança na lista dos países mais desenvolvidos, seguido da Austrália, Suíça e Alemanha. A República Centro Africana é o país que está em último na lista dos países com um IDH “baixo”, seguido do Níger, o Chade e a Eritreia, todos eles na África Subsariana!
Face ao cenário descrito do desenvolvimento humano à escala mundial é possível apontar algumas medidas quer de âmbito geral, quer dirigidas aos grupos mais vulneráveis, que visem construir um desenvolvimento humano mais justo e sustentável (“não deixar ninguém para trás”). Nesta linha de pensamento é importante que a comunidade internacional, os governos nacionais e todas as partes interessadas defendam a aplicação e a prossecução dos acordos mundiais, como o de Paris (poluição e aquecimento global) e a dos refugiados (infelizmente acordos fortemente contrariados pela actual Administração populista de Donald Trump nos EUA), a saber:
(1) Valorização do factor trabalho através de uma maior qualificação profissional e recebimentos de salários mais justos, dada a estreita relação entre trabalho e desenvolvimento humano num mundo em rápida transformação induzida pela globalização, expansão da robótica e das migrações; (2) Implementação de políticas de crescimento económico mais sólido e sustentável (de não-austeridade); (3) Criação de incentivos ao investimento e a inovação, onde o estado terá um papel necessariamente importante; (4) Adopção de medidas objectivando sociedades mais equilibradas, justas e solidárias, onde o chamado Terceiro Sector ou Economia Social ou Solidária (nomeadamente, as Instituições Particulares de Solidariedade Social “IPSS”) terá um papel chave e sempre complementar da acção do Estado Social; (5) No quadro da União Europeia que haja uma mudança profunda de políticas económicas e sociais, pelo empenho no crescimento económico sustentável nos países, mormente nos países com maior dificuldade, da Europa do Sul e por uma preocupação central na coesão económica e social no espaço comunitário.

Deixa o teu comentário

Últimas Ideias

11 Dezembro 2018

Orçamanto

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.