Correio do Minho

Braga, quarta-feira

Desemprego

Cancro do Pulmão – de que morrem os portugueses

Ideias

2012-02-24 às 06h00

Margarida Proença

O desemprego é um dos resultados mais graves da crise económica e financeira que atingiu o mundo em 2008. Os dados mais recentes apontam para cerca de 200 milhões de desempregados em todo o mundo; para que o desemprego não continue a aumentar será necessário que as economias criem na próxima década - pelo menos - 600 milhões de novos postos de trabalho produtivos, afirma a Organização Internacional do Trabalho.

Estes números apontam para um desafio verdadeiramente notável e que não será possível atingir de forma alguma sem um crescimento económico sério. O relatório agora publicado prevê que se porventura a economia mundial não descolar da crise e se não começar a crescer mais do que 2% a partir de 2012, o número de desempregados continuará a aumentar de forma significativa. Mesmo que os problemas da zona euro sejam ultrapassados rapidamente, o que tem uma probabilidade não muito elevada mesmo para pessoas otimistas, a tendência de evolução crescente da taxa de desemprego manter-se-á.

Por muitas voltas que se dê, por muitos argumentos que se possam esgrimir, na verdade tudo se reduz a isto - a economia tem de funcionar de forma a criar emprego. Não vale a pena empurrar os problemas para baixo do tapete, criando a ideia que a emigração é uma forma de os resolver. O desemprego é hoje um problema global, que atinge a generalidade das economias em todo o mundo, e que virá a bater á porta também das economias emergentes.

Mas o desemprego tal como se caracteriza hoje coloca problemas adicionais. Uma parte significativa corresponde a desemprego estrutural, que terá grande dificuldade em ser absorvido; por exemplo, dada a crise instalada no sector da construção, como se conseguirá treinar esses trabalhadores para o exercício de funções na área dos serviços, ou converter trabalhadores bancários ou da indústria automóvel para a área da saúde.

São pessoas que tinham empregos de longo prazo, com contratos estáveis, e que de um momento para o outro os perdem de vez, e que são confrontados com a necessidade de mudarem de profissão para outra muito diferente, ou em alternativa nunca mais recuperarem a possibilidade de trabalhar. O desemprego estrutural associa-se a níveis qualificacionais e educacionais relativamente baixos.

Todos conhecemos histórias de empresas que procuram trabalhadores com características qualificacionais sem sucesso, quando ao lado o desemprego não para de aumentar; nessa medida também a mobilidade dos trabalhadores é importante, já que é a condição para aproveitar as oportunidades de emprego onde e quando surgirem, embora tal se confronte com um mercado habitacional em plena crise.

Os efeitos negativos do desemprego estrutural são bem conhecidos; as pessoas tendem a ficar desmotivadas e apáticas, e os potenciais empregadores tendem a discriminar negativamente quem está à mais tempo fora do mercado de trabalho. Este tipo de desemprego, com estas mesmas dificuldades, caracterizou também a crise de 1929, e como diversos estudos têm mostrado só desapareceu quando a economia recomeçou a crescer de forma sustentada.

Outra característica do desemprego atual é que atinge de forma particularmente importante os jovens. Em 2011, e em todo o mundo , estavam desempregados quase 75 milhões de jovens entre os 15 e os 24 anos, cerca de 4 milhões a mais do que em 2007, antes do início da crise portanto. No ultimo trimestre de 2011, na Espanha, 47,1% dos jovens nessa faixa etária estavam desempregados, o que é uma taxa verdadeiramente impressionante. Parte destes jovens acabarão por enveredar por alternativas em termos de economia paralela, ou mesmo pior.

Mesmo que tal não ocorra, o desemprego nos jovens tem efeitos persistentes em termos da estagnação do capital humano. Os jovens com níveis qualificacionais mais baixos tendem a ter mais dificuldades, durante mais tempo, em conseguirem arranjar emprego. Para além da Espanha, Portugal, Grécia, Irlanda, Letónia, Lituânia, Eslováquia e a Itália têm taxas de desemprego jovem superiores a 30%, e por isso mesmo a União Europeia pediu a esses países que elaborassem planos com medidas específicas que incentivem a criação de emprego jovem.
Mas novamente está referenciado na literatura que a eficácia destas medidas depende em ultimo grau da capacidade de crescimento das economias.

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