Correio do Minho

Braga, terça-feira

Desemprego jovem: uma chaga social que exige respostas urgentes

À espera do S. Geraldo e da política cultural

Ideias Políticas

2018-05-01 às 06h00

Pedro Sousa

Dados europeus sobre o desemprego jovem, datados de 2016, e relativos a jovens entre os 14 e os 35 anos, deixam-nos um retrato extremamente preocupante.
Em plena crise, em 2009, o conjunto dos países da União Europeia apresentavam números médios de desemprego à volta dos 15,9%, apresentando em 2017, dados do Eurostat, mais de 16,8%.
Da leitura destes números resulta claro que apesar dos últimos três/quatro anos terem devolvido crescimento económico à zona euro, a questão do desemprego jovem teve evolução contrária, facto que nos deve preocupar, que nos deve, aliás, preocupar muito.
O cenário piora quando olhamos para a malha fina dos resultados por estado-membro.

Em Portugal, os resultados andam na casa dos 25%, mas a Grécia apresenta 43,7%, a Espanha 38,6%, a Itália 37,8%, a Croácia 27%, o Chipre 24,7%. No centro da europa os números melhoram, ainda que ligeiramente, mas, ainda assim, com a generalidade dos países a apresentar taxas de desemprego jovem entre os 10% e os 25%.
Esta é uma questão que deve merecer por parte dos governantes de cada estado-membro, da Comissão, do Conselho e do Parlamento Europeu a maior atenção.
Num tempo de assustador florescimento de movimentos e partidos neo-fascistas, populistas e de perda de força e de representatividade dos partidos tradicionais, daqueles que criaram a União Europeia e o modelo social europeu, assente num projecto de prosperidade partilhada e de social acrescento ancorado na ideia de defesa da dignidade da pessoa humana, garantida, de outras formas, através da rede de segurança que representa o estado social.

A maioria, a esmagadoria maioria dos jovens de hoje, arrisco-me a dizer, não apresenta, ao contrário dos seus Pais e Avós, qualquer fidelidade partidária e esse facto pode, caso questões como o seu acesso ao emprego, o seu direito ao trabalho, não tenham respostas efectivas, muito bem levar a uma explosão de descontentamento e ao recrudescimento das tendências populistas, neo-fascistas e radicais que, no limite, podem por em causa a Europa tal como nos habituamos a conhecê-la.
A inércia da UE e de cada um dos estados membros face a uma matéria desta importância, levará a cada vez mais fissuras no projecto europeu, garantindo terreno fértil para o avanço dos populismos em todo o continente.
Esta questão, a par de reformas imprescindíveis para aperfeiçoar o euro, a moeda única e uma estratégia clara para as políticas migratórias, determinará qual será a identidade social da Europa no futuro: continuará ancorada nas democracias liberais ou render-se-á às democracias não liberais já presentes em alguns países como a Hungria de Viktor Orbán?

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