Correio do Minho

Braga, quarta-feira

Desemprego em Portugal: desce, mas é ainda um dos mais altos do Euro

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Ideias

2016-11-12 às 06h00

António Ferraz

Na análise do desemprego em Portugal vamos, primeiro, ver a situação actual (I) e, depois, tecer alguns comentários sobre a evolução futura (II).
(I) Com base em dados estatísticos nacionais (INE e Pordata) e europeus (Eurostat) referentes ao ano de 2015, observamos que Portugal com uma taxa de desemprego de 12,4% encontrava-se num nada lisonjeiro 4.º lugar entre os países da área do Euro com mais elevadas taxas de desemprego. A Grécia era o País que tinha a maior taxa de desemprego na área do Euro (24,9%), seguindo-se Espanha (22,1%) e Chipre (15,0%). Por sua vez, outros países com taxas de desemprego superiores a 10% eram a Itália (11,9%), Eslováquia (11,5%) e França (10,4%). Pelo contrário, os países com as mais baixas taxas de desemprego eram a Alemanha (4,6%) e a República Checa (5,0%). Para efeitos de comparação internacional e, para 2015, as taxas de desemprego (valores médios) foi de 9,4% na UE-28 e 10,3% na área do Euro, contra 4,9% (quase pleno emprego) nos Estados Unidos. Por fim, atente-se que em qualquer dos casos referidos anteriormente a tendência observada desde 2014 tem sido para uma descida da taxa de desemprego.
Em Portugal, após subidas sucessivas e significativas (2009 a 2013) da taxa de desemprego fruto das fortes medidas de austeridade impostas ao País após a crise financeira global (2008) e mais tarde agravada com a chamada crise das dívidas soberanas (2010), em concreto: 2008: 7,6%; 2009: 9,4%; 2010: 10,8%; 2011: 12,7%, 2012: 15,5% e 2013: 16,2%. Porém, a partir de 2014 tem-se vindo a assistir a uma inversão em baixa (embora moderada) da tendência ascendente da taxa de desemprego, a saber, 13,9% em 2014, 12,4% em 2015 e, mais recentemente, 10,9% em Julho de 2016. Pese embora, esta boa notícia da tendência de descida do desemprego em Portugal nos últimos anos, a verdade é que ele ainda representa um dos valores mais elevadas na área do Euro.
(II) O Banco Central Europeu (BCE) publicitou em Junho de 2016, as mais recentes previsões no quadro do Eurosistema quanto a evolução esperada da taxa de crescimento económico (Produto Interno Bruto, PIB) e da taxa de desemprego para o período de 2016 a 2018. Assim, de acordo com esse estudo são previstas as seguintes (e seguindo a ordem indicada) as taxas de crescimento económico (PIB) e as taxas de desemprego para Portugal: 2016 (1,3%; 11,9%); 2017 (1,6%; 11,3%); 2018 (1,5%; 10,7%). Ou seja, espera-se a continuação da recuperação económica, embora ainda muito anémica e da manutenção da evolução descendente da taxa de desemprego embora com valores ainda elevados face ao verificado na área do Euro, esta, com previsões quanto as taxas de desemprego - valores médios - de 10,2% em 2016; 9,9% em 2017 e 9,5% em 2018). Quanto às taxas de crescimento económico (PIB) espera-se que a economia portuguesa continue a divergir da área do Euro, dado estimarem-se taxas de crescimento económico na área do Euro superiores (1,6% em 2016; 1,7% em 2017 e 2018) às estimadas como vimos para Portugal.
Concluindo, desde 2014, Portugal tem vindo a registar uma melhoria (moderada) da taxa de desemprego (após aumentos sucessivos e significativo nos anos de austeridade excessiva). Esta realidade resultou, entre outros factores, de alguma recuperação do consumo das famílias com o aumento do seu rendimento disponível, das reversões dos cortes salariais e de pensões e de maior apoio social e, mesmo, de alguma recuperação do investimento privado. Contudo, a estagnação do investimento público dado os constrangimentos orçamentais e a falta de vontade política impediu que essa descida do desemprego tivesse sido mais expressiva. Assim, embora descendo a taxa de desemprego em Portugal, esta continua a ser uma das mais elevadas da União Europeia.
Em termos de futuro é necessário criar condições para um crescimento mais sólido da economia portuguesa e, logo, na criação de emprego. Para alcançar esses objectivos há que prosseguir a política de recuperação de poder de compra dos rendimentos, a realização de investimento público estratégico (com efeitos de propagação sobre toda a economia). Para o financiamento do investimento público será decisivo o recurso aos fundos comunitários destinados ao investimento (público e privado) já existentes e os que ficarão disponíveis no programa comu- nitário que está ser negociado para a década de 2020-2030. Há ainda que apostar fortemente na nova tecnologia e na inovação possibilitando aumentos na produtividade e a competitividade da economia portuguesa. Pese embora, todas essas sugestões, com uma dívida pública de 130% do PIB (e outros países da Europa do Sul), será muito difícil o País avançar para o tão desejado crescimento económico sustentado. É, desta maneira, necessário criar um clima europeu propício à flexibilização das “regras orçamentais europeias” e à renegociação da dívida dos países membros com maiores dificuldades.

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