Correio do Minho

Braga, quarta-feira

Desastre no Golfo do México

Sem Confiança perde-se a credibilidade

Ideias

2010-09-15 às 06h00

Pedro Machado

Uma explosão ocorrida, em Abril, na plataforma de prospecção de petróleo de uma multinacional petrolífera, foi responsável pelo maior desastre ambiental dos EUA nos últimos anos. Localizada no Golfo do México, a cerca de 64 quilómetros da foz do Rio Mississípi, a plataforma finalizava a perfuração de um novo poço quando ocorreu o acidente que vitimou 11 operários.

Além das vidas humanas perdidas e da ameaça à vida marinha e aos outros animais da região, o derrame na região do Golfo do México trouxe também prejuízos económicos.
Para conter o avanço da mancha foram usadas barreiras de lona e queima controlada do óleo. Passados três meses, pouca coisa está clara e quase nada ainda foi comprovado. As investigações apontam que o alarme de incêndio da plataforma que afundou no Golfo do México estava desactivado meses antes do acidente.

O sistema, que usa luzes e alarmes para alertar sobre a existência de fogo ou alta concentração de produtos tóxicos, estava programado para não soar, o sensor funcionava, mas não estava preparado para ativar o alarme em situação de emergência, para evitar que falsos alarmes acordassem os trabalhadores durante a madrugada.

A empresa responsável pela plataforma, já gastou mais de 4 mil milhões de dólares para tentar parar o derrame, limpar a região e pagar indemnizações.
A maré negra atingiu todos os estados americanos banhados pelo Golfo do México. O óleo chegou ao delta do Rio Mississípi e as áreas de conservação dos pântanos do Lousiania foram atingidas, assim com as praias da Florida, Alabama e Nova Orleães.

A dramática imagem de animais cobertos por petróleo tornou-se comum nos noticiários. Milhares de animais foram encontrados mortos. Até agora, é impossível quantificar o que se perde num desastre deste tamanho, entre perdas económicas e ambientais.

Depois de 107 dias a empresa multinacional petrolífera responsável pelo acidente no Golfo do México, disse que finalmente conseguiu acabar com o derrame de óleo. Durante horas, engenheiros bombearam uma mistura de argila e água sobre o poço.

A boa notícia, se é que há boa notícia neste desastre todo, é que dos 700 milhões de litros que vazaram, estaria ainda na água um quarto. Seria uma fina camada de petróleo na superfície do mar. Quinhentos milhões de litros de óleo foram queimados, recolhidos e a maior parte evaporou.
A própria natureza fez o principal trabalho para neutralizar o maior desastre ambiental dos Estados Unidos.

Todos devemos pensar que, apesar da ambição, empreendedorismo e vontade de dinamizar as nossas economias, nem tudo vale a pena, se provocarmos danos ambientais irreparáveis!

Deixa o teu comentário

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.