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2019-09-27 às 06h00

Margarida Proença Margarida Proença

Vai começar um novo ciclo, seja quem for que ganhe as eleições. No próximo dia 6, lá estaremos de novo a votar, esperemos que com uma taxa de abstenção baixa, porque o assunto interessa a todos. Da direita à esquerda, são 21 forças políticas para todos os gostos; entre outros, há movimentos a favor dos reformados e pensionistas, dos animais, da reciclagem, da terra, enfim. Os debates multiplicam-se, ainda que só com os partidos já com representação parlamentar, e a atenção dada a muitos dos partidos mais pequenos ou mais recentes pelos meios de comunicação aumenta significativamente, mas na verdade tirando algumas palavras-chave usadas como bengala dos intervenientes, sabemos muito pouco das opções de facto em cima da mesa.

Tal como naquele belo poema de Augusto Gil, a Balada de Neve, “Fui ver”, ou seja, fui procurar nos sites dos partidos os respetivos manifestos e as propostas de políticas a implementar. Algumas linhas de força multiplicam-se por diversos; parece que a queda mais ou menos substancial nos impostos é tida como a varinha de condão capaz de resolver os problemas da economia e da sociedade portuguesa. Olhemos para os novos, pode ser que tenham ideias “fora da caixa”. O Chega, por exemplo, propõe uma carga fiscal de 6% (dado que não especificam mais, suponho que é para toda a gente), a abolição dos impostos sobre as heranças, benefícios fiscais para famílias numerosas, o fim dos impostos municipais sobre imóveis, o fim das tarifas sobre a eletricidade, gás e água, o fim do IRC para empresas até 3 trabalhadores, a redução da taxa do IVA para trabalhadores independentes e também na frequência do ginásio. Mais ou menos um paraíso fiscal – em 2017, mais de 95% das empresas, em Portugal, tinham menos de 10 trabalhadores. Ninguém paga impostos – mas propõem-se também mais bolsas, abonos de deslocação para professores, aparentemente um reforço das forças de segurança e militares, a criação de uma rede de cuidados paliativos e geriátricos, a introdução de medicinas alternativas no SNS. De onde virá o dinheiro para tal, e outras coisas: mistério…

Noutro quadrante político, bem diverso do anterior, e num outro fórum, o Profº Joaquim Sarmento defende a necessidade de voltar às 40h de trabalho, aumentar as propinas e o IVA da restauração, reformar o SNS “sem preocupação de quem presta o serviço”, suponho que remetendo para o setor privado e o princípio do utilizador-pagador. Refere ainda a diminuição dos preços dos passes sociais como má utilização dos dinheiros públicos, já que será de esperar um aumento na procura dos transportes públicos. Reforma fiscal, claro, também. Enfim, nada que não tivesse já sido subscrito por Passos Coelho e a sua equipa das Finanças.

Entretanto, o INE publicou por estes dias os últimos dados estatísticos sobre a economia portuguesa. Parece que cresceu 3,5% em 2017, e 2,4% em 2018, acima da média europeia e saltando quatro lugares, de acordo com o Expresso, na tabela dos PIB mais rápidos da Europa. Nos últimos 15 anos, o país cresceu sempre menos que a União Europeia. De acordo com o Eurostat, registou-se a maior redução na taxa de pobreza e exclusão social desde que existem dados. O desemprego é agora 6,3%. O peso da dívida pública tem vindo a reduzir-se de forma consistente.
Claro que ainda há trabalho pela frente – há sempre, e muito. O peso da economia subterrânea e dos comportamentos pouco éticos mantem-se pervasivo na nossa sociedade; de forma impressionante e paradoxal a produtividade não descola apesar do significativo aumento na taxa de educação, o que porventura se poderá interligar com processos de gestão menos eficientes. E a economia mundial está com um nível demasiado de incerteza para o meu gosto.

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