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Voz às Escolas

2021-10-21 às 06h00

Luisa Rodrigues Luisa Rodrigues

Nos últimos tempos temos vindo a assistir a uma mudança significativa do paradigma da Escola, a quem passaram a ser acometidas responsabilidades acrescidas na formação de cidadãos que, paralelamente ao conhecimento, tenham desenvolvido a capacidade de agir em consonância com os princípios basilares da sustentabilidade de uma sociedade que tanto se apregoa de democrática.
Não sendo, na sua génese, inovador, já que a Escola sempre investiu na “educação”, simultaneamente ao desenvolvimento do conhecimento, é incontestável o acréscimo de responsabilidades no que toca à designada Educação para a Cidadania, que passou, inclusivamente, a ocupar um lugar de destaque no currículo dos alunos, ao longo da escolaridade obrigatória.
A Educação para a Cidadania é, atualmente, um espaço privilegiado para o desenvolvimento das competências inscritas no Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória, sistematizando e complementando o investimento feito em todas as áreas do currículo, objetivando contribuir para a formação integral daqueles que, no futuro, participarão, ativamente, na construção de uma sociedade que todos reconhecemos necessitar, urgentemente, de uma profunda intervenção.
Enorme responsabilidade, a da Escola, sobretudo porque, numa percentagem lamentavelmente significativa de casos, assume, unilateralmente, um papel que deveria ser de complementaridade e não de suprimento da responsabilidade das famílias, o que dificulta uma ação que, caso estivessem reunidas condições, seria uma mais valia, face ao estado de degradação em que nos encontramos, no que reporta ao exercício da tal democracia que, pese embora décadas de exercício, está longe de ser uma realidade.
Efetivamente, o constante atropelo aos mais elementares princípios em que assenta, começando pelo respeito pela liberdade de cada um, levanta questões que deveriam ser priorizadas na definição das linhas orientadoras da ação de todas as instituições que asseguram o funcionamento de qualquer país, atentos a que a falência de qualquer sistema decorre da falência das opções do poder instituído.
Ora, se constatamos que a sociedade está, de uma forma generalizada, imbuída de princípios que atropelam os nossos direitos, talvez esteja na hora de refletirmos, conjuntamente, sobre o papel que cada um tem assumido para travar a propagação de um “vírus” que, não sendo mortal, compromete o desenvolvimento de uma sociedade verdadeiramente democrática.
A Escola não pode, isoladamente, assegurar as mudanças que urge levar a efeito, sobretudo porque existe um fosso entre os princípios que defende, e que tenta incutir, e as práticas do quotidiano de uma percentagem significativa de famílias, o que obstaculiza o sucesso do investimento diário que é feito e, complementarmente, suscita o questionamento, por parte dos alunos, sobre a credibilidade do seu discurso.
Talvez ainda estejamos a tempo de reverter uma situação que, a médio prazo, acabará por hipotecar todas as conquistas feitas, mas não o alcançaremos sem ações concertadas, que devem assentar na exemplaridade das decisões e das práticas, das famílias e dos órgãos de soberania, para que não seja em vão todo o esforço que fazemos para desfazer a ideia de que, contrariamente aos exemplos que, diariamente, entram em nossas casas, o sucesso só se alcança através de atropelos.
Ou então temos um entendimento distorcido do significado de democracia...

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