Correio do Minho

Braga, segunda-feira

Defeitos, meu ou seu?!

O mito do roubo de trabalho

Escreve quem sabe

2017-06-11 às 06h00

Joana Silva

Carregámos na mente e coração matéria psicológica que tem na sua composição a emoção. A emoção não se reduz à mera expressão de sentimentos. É energia em movimento, “Eu sinto”, “Ele(a) sente… São desejos (in) definidos. Por sermos emocionais, a razão é muitas vezes, um aspeto determinante quer no sentido negativo ou positivo nas nossas ações diárias. Acontece que, ao contrário do que se possa pensar o nosso lado mais racional, nem sempre tem efetivamente razão. Isto porquê? Preste atenção especial ao comportamento à sua volta … Irá com certeza aperceber-se que se uns “tem pressa de ser felizes” e por essa razão sofrem por antecipação porque não vem resultados nas suas vidas por mais que se dediquem ao que pretendem, há outros que “arrastam/afastam” a felicidade não porque não a desejem mas por causa do medo. O medo limita, sente-se e vê-se. Não há ninguém no mundo que seja imune ao medo! Talvez por essa razão, é uma experiência que ninguém deseja. Apesar de muitos a considerarem como negativa, também nos prepara para situações futuras que possam ocorrer. Observe que se porventura uma situação semelhante ocorrer, a dor emocional já não é tão dolorosa. O acontecimento anterior preparou-nos emocionalmente. Conseguimos perfeitamente identificar registos de comportamento não verbais (gestos) quando as pessoas estão com medo certo? As expressões faciais , até mesmo o jeito corporal , encolhido e assustado. Mas também há quem consiga ocultar estes sinais, mas são revelados através de outros aspetos, nomeadamente pela critica ou melhor dizendo “pôr defeitos” aos outros. Ao longo da nossa vida estamos constantemente a atribuir defeitos. Repare naquela pessoa “salta” de trabalho na área e na maioria das vezes, boas oportunidades laborais, com excelente ambiente organizacional e boa remuneração mas que a curto/ médio prazo já não a motiva ou satisfaz. Observe também aquela pessoa que o(a) companheiro(a) que para ela, ou se solteiro(a) todos os(as) “pretendentes”, “tem defeitos” , ou porque “não sabe falar”, “ri-se de mais”, “não se ri”, “diz muitas piadas sem graça”, “é muito nervoso(a) porque está sempre a tremer com as pernas quando está sentado”, “roi as unhas”… a lista seria imensa. Na verdade, existem as pessoas que por teres histórias de vida passada traumatizantes utilizam este tipo de “estratégia emocional” para se protegerem e evitarem eventuais situações que antecipam como más. É como se desejasse muito algo e quando efetivamente acontece ou se conquista perde-se o interesse e portanto não avança. Quando perde efetivamente a oportunidade arrepende-se de não ter tentado. E volta ao estado inicial, de confusão emocional, “ Porque não tenho?! Quero! Não quero!”, chegando até a atribuir a responsabilidade aos outros pela infelicidade. É mais fácil reconhecer o problema no outro do que em nós mesmos. É uma espécie de camuflagem de segurança, “O problema não está em mim. Está nos outros porque não são como quero.” mas a sua base real é a insegurança “Nego as situações pelo medo que possa vir.”. Dá-se o clique da consciência a dado momento, em que um momento lúcido a pessoa se questiona “Se tudo me escapa e eu quero tanto, se eu afasto…o problema está em mim…” Mas a mudança tal como o próprio nome diz, pressupõe o querer o desejar realmente, o reconhecer que existe um problema. O processo de mudança exige que se encare de frente os traumas do passado. Esse é o ponto de partida. A ajuda especializada é imprescindível. Um acompanhamento psicológico que não passa por administração de medicamentos mas sim desconstruir ideias/crenças desses traumas. Não tenha medo. Ao contrário do que se possa pensar, existem muitas pessoas nestas circunstâncias. Podemos sempre mudar a nossa vida, mesmo que nos pareça impossível ou que pensámos já nos “fugiu” das mãos.

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