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Defacto: Pandemia | Digital

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Defacto: Pandemia | Digital

Voz às Escolas

2021-05-03 às 06h00

João Andrade João Andrade

A Defacto, revista do Agrupamento de Escolas Alberto Sampaio, está de volta. O ano transato, por razões evidentes, apesar de preparada, não foi publicada. A decisão prendeu-se, não só com a corrente pandemia, com também com a vontade de cruzar tema previsto para a revista - “Digital” – e os trabalhos então recolhidos, com a realidade atual da pandemia, que tanto à dimensão digital recorreu e exponenciou. Assim, este ano a revista publica-se sob um tema duplo: “Pandemia” e “Digital”.

Traduzindo a reflexão, na voz dos alunos, professores e outros agentes da comunidade, não só sobre a realidade do tempo presente, mas também do mundo futuro que a realidade digital está a construir.

Esta pandemia confrontou-nos com nós próprios, com os nossos valores, e com a nossa (in)capacidade de agir sobre o mundo. Centralizou-nos a família e o quanto ela é nuclear nas nossas vidas, devolveu-nos o ar puro nas cidades e um céu límpido, livre de riscos de aviões, que já não pensávamos possível nos nossos dias e mostrou-nos como algo aparentemente pequeno e inesperado pode virar do avesso, num repente, as nossas vidas.
Mais do que alguma vez na história, somos capazes de controlar o que se passa neste pequeno berlinde. No entanto, continuamos, como sempre nos enredamos - e a deixar-nos enredar - em teias de pequenos interesses, mais ou menos obscuros, colocando em risco o nosso futuro e o dos outros. Uma pandemia como esta era algo previsível e alertado. Mas nós preferimos continuar a deixar-nos ir numa globalização imediatista, não estando preparados para tão simplesmente encerrar a circulação para uma parte do globo, face a uma possível ameaça, ou ter um stock decente de equipamentos de proteção.

Mas, mesmo sem eventos subitamente catastróficos, vivemos já sob outras ameaças, mais sibilinas e perenes, mas não menos perigosas para a nossa vida e liberdade. A destruição do ambiente, de consequências imprevisíveis, a cada vez maior diferença entre ricos e pobres, e o (tele)controlo a que somos sujeitos no mundo digital, do qual nos tornamos absolutamente dependentes.
Não só as mais diversas dimensões das nossas vidas são manipuladas e expostas a outrem (quem não pesquisou no Goggle, um produto num dia, para no outro dia ter o mesmo produto insidiosamente no Facebook, Instagram ou num anúncio de um qualquer jornal eletrónico que estejamos a ler?), como também só conseguimos aceder com facilidade à informação que os detentores das plataformas eletrónicas nos permitem. A internet a que acedemos não é toda a internet. É a internet que o Google entende nos mostrar quando pesquisamos algo. Mesmo não existindo ocultação deliberada, os motores de pesquisa mostram-nos, numa matéria, aquilo que todos os que nos precederam relevaram ver. Assim, facilmente ficamos, em termos de informação e perceção do mundo, reduzidos ao menor denominador comum.

O que poderá nem ser a verdade… Um debate dos últimos tempos, tornado central, quer pela pandemia, que pelas eleições americanas, foram as fake news… Que deram origem, não só a programas de televisão especializados em as avaliar, como à tentativa das redes sociais de as controlar e bloquear. O problema é que, mais uma vez e neste último caso, são os detentores privados das redes sociais – desconhecidos, com interesses desco- nhecidos, não eleitos e inimputáveis - que decidem o que é “verdade” ou não e o que é bloqueado. Não existe dúvida de que a informação em suporte digital, atualmente existente, supera, em considerável número de vezes, toda a informação registada nos suportes tradicionais desde o início da História. E que uma ideia pode dar a volta ao globo várias vezes entre duas batidas de um coração. Mas, até agora, isso não nos tornou significativamente mais conscientes, donos do nosso destino ou solidários.

Assim, estamos curiosos e expectantes em ver, traduzido na próxima Defacto, o pensamento e posição dos diversos atores do nosso Agrupamento sobre estas realidades.
Se, citando Alberto Sampaio, “fazer pensar é tudo; e a agitação a única alavanca que pode deslocar esse (este!) mundo”, a Defacto tem tido um lugar central no nosso agrupamento, na provocação desse desiderato.
Não poderíamos terminar a presente crónica sobre a Defacto sem lembrar a Helena Barros, que tanto de si deu à revista Defacto e ao projeto educativo da ESAS, e que tão recentemente embarcou noutra viagem.
Na “Leninha”, o agradecimento a todos os inúmeros, que com maior ou menor relevância, tornaram e tornam este projeto editorial uma realidade constante.
E a todos que com ela privaram e agora acarinham sua memória, o nosso grande abraço!

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