Correio do Minho

Braga, terça-feira

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De uma democracia low cost à ditadura dos partidos

Futilidade Aberrativa Pomposa

Ideias

2013-03-22 às 06h00

Borges de Pinho Borges de Pinho

Não se estranhou que no Parlamento um grupo orquestrado cantasse “Grândola Vila Morena”, assim “sabotando” o início dum discurso de Passos Coelho.

Não sendo seu conhecido nem amigo, estou com Futre quando diz que Passos devia deixar o governo para não ter de suportar tudo o que se vem passando, entregando a “pasta” ao inefável e “esfíngico” Cavaco, até porque a “cantoria” se tornou endémica, ainda que por certos grupelhos de todos conhecidos.

Porque não foi concreta e directamente ele o causador do descalabro a que se chegou, com a troika a apertar, empresas a fechar, desemprego a aumentar, fome e miséria a surgirem, dificuldades num crescendo e a austeridade num “terrorismo social”, afigura-se-nos que há muito devia ter batido com a porta e “deixado a criança” nas mãos dos Zorrinhos, Cavacos, Seguros, Portas, Jerónimos, Dragos, Honórios, Semedos, Costas, etc., pondo ainda os Pachecos Pereira, Mendes, Marcelos, Amarais, Capuchos e outros que tais a falar sozinhos. E esquecer e não participar no mundo jornalístico manipulador, faccionista e “alcoviteiro” em que vegeta muita da comunicação social, que aliás “se pela” por toda esta vivência de asneiras e disparates e até se vem “cevando” à sua custa.

Aliás basta estar atento ao “cortejo de marionetas” de microfone e câmaras que vem assaltando os governantes e os políticos atropelando-os, “engolindo-os” e quase lhes “batendo” se nada dizem, sempre massacrando-os com perguntas e mais perguntas, e insistindo nas investidas.

Tudo muito natural porque se está em democracia e o povo deve ser informado, como dizem algumas pessoas que se têm por inteligentes, ainda que esquecendo que muitas das notícias e informações são obtidas ao arrepio das leis (v.g. nas violações do segredo de justiça) e com meios nada “ortodoxos“, sendo ainda objecto de “diabólicas” maquinações e urdiduras para produzirem efeito no momento e lugar oportunos. Mas sempre com a “cobardia” das fontes a ser alimentada e encorajada por um muito discutível e absurdo segredo profissional dos media, que aliás delas se aproveita em termos económicos e às vezes para fins inconfessáveis !...

Mas esta é a democracia que temos, aliás já de todo “low cost” na sua realidade funcional em concreto e no seu “fieri”, e que se vem mantendo de vivências e pensares estupidamente onerosos, faustosos e de aparato na sequência do louco e utópico deslumbramento inicial. Uma democracia que já se travestiu numa ditadura dos partidos e de certos grupelhos políticos, sindicais e associativos, como é sabido.

Aliás não se tendo dificuldade nem pejo algum em acompanhar os camaradas Arménio, o trabalhador-professor Mário e outros que tais nas suas usuais caminhadas e manifestações contra a troika e governo, e até em cantar “Grândola Vila Morena” se a idade e a voz de tabaco já não nos traíssem, a grande verdade é que estamos cansados de tudo isto, ainda que expectantes quanto à capacidade desta “gentinha” na governação quando na CP foram mais os dias de combóios parados em greve do que a andar e têm vindo a ser muito frequentes, perturbadores e onerosos para o país e o povo os transtornos nos transportes, as greves na TAP, etc.. Para já não se falar nos milhões de prejuízo com as greves nos portos, mas continua-se a viver num vazio de ideias, sugestões e de concretas e viáveis medidas, aliás esquecendo os compromissos assumidos no tempo de Sócrates.

Na verdade temos fundado receio de que os nossos credores nos mandem delicadamente tomar no dito, como escreveu e disse o Viegas a outro propósito, e o país resvale ainda mais para o abismo, gerando-se mais fome, desemprego, miséria e o caos.

Aliás depois de um 25 de Abril de esperanças, esplendoroso, pleno de promessas e de sonhos, porque “embriagados” pelo “chavão” da democracia e por toda uma fabulação e exaltação de direitos esquecendo-se deveres e contrapartidas, deixámo-nos resvalar estúpida, utópica e insensatamente para um sistema de bacoco lassismo, de tolo facilitismo e de um incomportável e louco liberalismo, sempre a coberto de utópicas, irreais e demagógicas “frituras” democráticas e manifesta insensatez. Encheu-se o país com roulottes de “farturas” e de “churros”, cada um a aproveitar e a lambuzar-se o mais possível, até porque baratos, acessíveis ou mesmo de borla.

Efectivamente emoldurou-se o país com “arcos” e “laçarotes” de espavento e soltaram-se “arrotos” democráticos, banalizando-se direitos, sentimentos, costumes, tradições e usos ancestrais, e surgiram os partidos e “partidos” de partidos só a “gritar”, a “afirmar” direitos e a “incensar” a democracia e o poder do povo, esquecendo que a direitos correspondem obrigações e que nada se consegue sem trabalho, seriedade, sensatez, esforço e sentido das responsabilidades. Mas com os seus quadros, os políticos, a “meter” o nariz e a “mão” em tudo o signifique um salto na vida, nas suas comodidades e na sua projecção social, “tomando conta” dum país de que se julgam reis e senhores, embora sustentados pelos dinheiros públicos.

Mas a grande realidade é que desta “democracia atávica” e muito “low cost” logo se passou para a tirania dos partidos, com os seus “furúnculos” e “antrazes” nos governos, nas autarquias, na administração pública, etc.., com cada político a preocupar-se tão só com o seu bem estar e subida social, embora “enchendo” a boca com o povo.

Um povo que passou a depender deles e a sujeitar-se às suas birras e pensares, sempre iludidos por promessas, demagogias e palavras balofas, mas sustentando-os pois é o Estado que garante a sua subsistência e dá dinheiro para as campanhas eleitorais.

Aliás é imperioso parar a pensar se é de manter os partidos e tal ditadura já que as eleições e campanhas só trouxeram despesas e perturbações para os portugueses. Na verdade hoje tudo depende dos partidos, que criticam, atacam, acusam, fazem e desfazem governos e intoxicam o povo, ainda que seja geral e total o seu descrédito.

A grande verdade é que tudo isto nos provoca estupor, pasmo e ...medo até porque, diz-se, já se ouvem certas “risadas” sinistras para os lados de Santa Comba e os vidraceiros não têm mãos a medir para os pedidos de vidros duplos de quem deseja dormir em sossego.
Isto de se passar de uma ditadura para outra não lembrava nem ao diabo!...

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