Correio do Minho

Braga, quinta-feira

...de Sobredotação (VIII)

O Estado da União

Escreve quem sabe

2012-05-29 às 06h00

Cristina Palhares

No último congresso internacional da ANEIS, em Novembro do ano passado na Universidade do Minho, Filomena Ponte apresentou uma comunicação fazendo (re)surgir uma palavra que, pela sua sonoridade e harmonia, me provocou um imenso espanto. O mesmo espanto aristoteliano que numa das minhas primeiras crónicas vos escrevia, de quando as aprendizagens se dão: o aluno só aprende na medida em que se espanta. E essa palavra foi tomando significado e de tão intensa (quer a palavra quer o seu significado) passou a vaguear pelo meu (in)consciente. E, encontrei-a em muitos sítios, em muitas pessoas, em muitas vivências, em... mim.

E com este encontro a necessidade de a partilhar. Porque também ela presente no modelo de diferenciação de sobredotação e talento proposto por Gagné em que o autor delimita a sobredotação na existência ou uso de habilidades naturais num ou mais domínios e o talento no desenvolvimento sistemático dessas habilidades que conduzem ao desempenho na área da excelência. Ou seja, a habilidade natural (sobredotação) conduz à excelência quando há um desenvolvimento sistemático (talento).

As habilidades naturais estão presentes em vários domínios: intelectual, criativo, sensório-motor, social, emocional... e as competências desenvolvidas refletem-se ao nível académico, artístico, de ação social, tecnológico, artístico, físico, de liderança,.... Para que o desenvolvimento da habilidade natural se reflita em competência vários catalisadores (intrapessoais e ambientais) concorrem na sua mediação: a motivação, a personalidade, o contexto escolar, os professores, os pais,... E é aqui, entre a habilidade natural e os fatores intrapessoais e ambientais que surge a palavra atrás referida. E é aqui também que a habilidade natural (sobredotação) se transforma em talento.

Quando tudo se conjuga para que o desempenho atinja níveis de excelência.
E como dizia Louis Pasteur, “O acaso só favorece a mente preparada”, há acasos felizes que levam a descobertas inesperadas. A história está repleta deles e chamou-lhes SERENDIPIDADE.
Hoje é considerada uma das muitas técnicas de desenvolvimento do potencial criativo que alia perseverança, inteligência e senso de observação, muito comumente apelidada de insight. Ou seja, mais um catalisador que medeia as habilidades naturais à sua forma aplicada, o ta-lento. E que nos traz responsabilidades acrescidas. E que nos faz não desistir. Porque presente nas nossas relações com estes alunos/filhos.

Por acaso, somos os seus professores, por acaso, somos os seus pais. E se queremos, por acaso, que as suas mentes brilhem, que as suas habilidades naturais se transformem em talentos, temos que os preparar.
O primeiro passo da nossa responsabilidade é o de manter a mente aberta para os reconhecer, o segundo, para os aceitar, e o terceiro, para os levar a aprender. Reconhecer, porque eles existem... Aceitar, porque acreditamos.... Levar a aprender, porque queremos.

E porque “as sementes germinam numa mente adubada” cabe a todos (do sistema educativo tão esquecido aos professores tão desistentes) criar todas as possibilidades para que aconteça SERENDIPIDADE.
Porque estávamos todos no lugar certo, à hora certa... e aconteceu!

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