Correio do Minho

Braga, quarta-feira

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A Europa e o futuro

Ideias

2014-10-27 às 06h00

Isabel Estrada Carvalhais Isabel Estrada Carvalhais

Quase ano e meio após a minha última crónica no Correio do Minho - então dedicada a Nelson Mandela e com a qual terminei então um período de quase sete anos de ininterrupta colaboração - retomo hoje este espaço, a convite do seu director, Dr. Paulo Monteiro. Os constrangimentos de tempo que então me ensombravam mantém-se, é certo, e daí que apenas possa voltar à estimada companhia dos leitores do Correio do Minho com uma periodicidade mensal. Mas então, porque volto? Respondo invocando uma pequena história.

Há alguns anos, quando indagada sobre se lera as notícias locais a propósito de um evento que decorrera na nossa cidade, uma colega, também docente universitária, respondeu-me: ‘não leio imprensa local.’ O tom, que foi tão definitivo quanto pedante, traduzia um desprezo por um tipo de imprensa que ela certamente avaliava (talvez ainda avalie) como ‘menor’. Ora, a imprensa local não traz de facto estrelato para ninguém; não tem o glamour dos espaços de debate televisivo; não confere notoriedade nem maior respeitabilidade técnica aos redactores das suas colunas e, por conseguinte, também não confere nenhuma aura especial de cidadania mais informada, mais atenta, mais ilustrada ou erudita, ao seu comum leitor.

Para muitos, estas serão certamente razões bastantes que determinam a sua desconsideração pela imprensa local. Mas a imprensa local é muito importante e subsiste, mesmo em contexto de profundas dificuldades (desde logo financeiras) e de contínuos desafios (sociais, geracionais e tecnológicos em particular), precisamente porque ela é importante, sublinho, para as suas comunidades.

Escrever na imprensa local, não será apreciado por muitos como suficientemente urban-chic, mas é, na verdade, muito mais do que isso. É uma honra. Voltar ao convívio dos leitores do Correio do Minho é voltar ao convívio dos leitores de um dos raros títulos da imprensa regional e local diária que subsistem no nosso país: serão hoje apenas dezoito em todo o Continente e Ilhas, distribuídos por sete cidades, Aveiro, Braga, Coimbra, Évora, Leiria, Porto, Viseu, e regiões autónomas, de acordo com os dados apresentados em 2010 no “Estudo sobre a Imprensa Local e Regional em Portugal”, da autoria da Entidade Reguladora para a Comunicação Social.

Voltar às crónicas no Correio do Minho é também o retorno a um sentido de responsabilidade sobre as temáticas que irei seleccionando e sobre o modo como as abordarei. Tentarei nesse processo manter o que considero ser, amplamente, a traça da minha redacção: buscar olhar para o que é menos visível, para o que eventualmente possa passar um pouco à margem do interesse mediático das semanas, mas que nem por isso clama menos pela necessidade de um olhar atento, ainda que breve, por parte da nossa sensibilidade social, da nossa Humanidade.

Posto isto, o tema da minha próxima crónica fica desde já anunciado. Num período marcado pelas eleições presidenciais da sétima maior economia do Planeta (quem sabe se já marcada também pelo início de uma recessão…), e conhecidos que serão já os resultados que muito certamente reconduzirão Dilma Rouseff ao seu segundo mandato presidencial, iremos em Novembro olhar a acção do Brasil no mundo por uma lente menos explorada. A lente do seu impacto humano e ambiental em países como Moçambique, com a chancela dos governos locais e no âmbito de grandes alianças económico-políticas com países como o Japão. Então, até Novembro.

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